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Mensagens

As preocupações de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República/comentador político, incapaz de conter as suas opiniões, considerou pertinente manifestar os seus temores sobre uma crise na direita.
Mais: o comentador político e Presidente da República considerou ser muito provável a direita portuguesa entrar em crise nos próximos anos.
A direita, essa, é que não apreciou particularmente os comentários e as profecias do Presidente até porque "crise interna" é frase que nunca cai bem.
As preocupações de Marcelo são legítimas. De facto, a democracia precisa de partidos fortes, à direita e à esquerda. No entanto, os comentários que vão para além da manifestação dessa preocupação e que remetem para os tempos em que o Presidente tinha a seu cargo a missa dominical num canal de televisão é que serão excessivos. Mas excessos é com ele. Invariavelmente inocentes. Dizem.

O luxo que polui

O luxo que polui anda pela costa portuguesa, aproveitando-se de leis permissivas e de um país, salvo raras e honrosas excepções, distraído. Lisboa é assim a sexta cidade portuária da Europa com mais emissões poluentes, segundo um Estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambientes. Segundo esse estudo a "Carnival Corporation, maior operador de cruzeiros de luxo do mundo, emitiu 10 vezes mais óxido de enxofre nas costas europeias do que os 2060 milhões de carros europeus. No caso português, a associação ambientalista Zero comparou dados e chegou à conclusão de que as emissões dos navios de cruzeiro na costa foram 86 vezes superiores às emissões da frota automóvel que circula em Portugal. A Zero fala nos padrões "pouco rigorosos sobre o enxofre marítimo" e chama a atenção para o contributo destas emissões "para a acidificarão em ambientes terrestres e aquáticos". Tudo para sustentar o luxo que polui.

Louva-se a notícia pela chamada de atenção para um assunto pou…

O desprezo de Donald Trump

O Príncipe Carlos terá passado mais de hora e meia a falar de alterações climáticas com Donald Trump que, por sua vez, terá contribuído para a conversa com acusações a países como a China ou a Índia, mostrando ignorância, má diplomacia e, sobretudo, um desprezo inacreditável pelo problema das alterações climáticas. De resto, dedicou mais tempo a questões etimológicas e semânticas sobre a expressão "alterações climáticas", "Clima extremo" e "Aquecimento global". O mais inquietante é que o planeta já não se pode dar ao luxo de perder tempo com a inépcia, o egoísmo ou a senilidade de quem deveria estar na linha da frente no combate ao problema e que, ao invés, representa mais um problema, particularmente grave. Trump, Bolsonaro e afins dão o mais negativo contributo possível porque não só perdem tempo como contribuem directamente para o agravamento do problema com a adopção de políticas anacrónicas que se traduzem no aumento de subsídios ao fóssi…

Política de baixa densidade

A política de baixa densidade é praticada na sequência do vazio que impera em alguns partidos políticos e até no desespero que tem vindo a tomar conta de partidos desesperados pela perda de lugares.
Mas a política de baixa densidade não é exclusivo desses partidos de direita, o PS, aqui e ali, vai caindo na mesma esparrela. O principal arauto dessa política de baixa densidade é Carlos César, curiosamente Presidente do Partido Socialista. Carlos César não só pratica a política da baixeza como aprecia essa ignóbil forma de fazer política. Assim, e já particularmente associado ao caciquismo que nunca deixou de fazer escola no PS, junta-se-lhe o gosto pela política baixa assente na provocação e na brejeirice e repleta de frases feitas para as manchetes dos jornais como por exemplo: "Marques Mendes é um comerciante político". Até podemos encontrar alguma verdade na frase, mas o Presidente do PS devia procurar abster-se de tecer comentários desta natureza. Ao invés fi…

A sanha persecutória das Finanças

A Autoridade Tributária e Aduaneira, vulgo Finanças, é incapaz de controlar o seu ímpeto para cobrar impostos a torto e a direito, justificando-se falar em sanha persecutória sobre os contribuintes.
A máquina fiscal, pouco oleada mas manobrada por gente sôfrega pela cobrança, deleita-se com a criação de novas formas de cobrar impostos, não deixando nada a dever à imaginação mais fértil.
Assim, assistimos à cobrança de impostos em rotundas ou a sugestão de fiscalização de casamentos e baptizados.
Ora, num país onde uma minoria endinheirada e influente escapa a essa sanha, sob pretexto de dificuldades técnicas que não aparentemente não se verificarão na cobrança e fiscalização dos pequenos contribuintes, e onde uma esmagadora maioria sente a mão de ferro das Finanças, dura na cobrança e irresponsável nas devoluções, resta apenas o ridículo. Esse ridículo enfraquece aquilo que deve ser a seriedade de um serviço do Estado. O Governo, designadamente o ministro das Finanças, deve d…

Comboios da Fertagus

Problema: aumento significativo de passageiros em consequência  da redução do preço dos passes.
Resolução: retirada de bancos no interior das carruagens para libertar espaço para o transporte de gado, perdão, de pessoas.
Na prática: transporte a todo o custo, sem qualquer preparação nem cuidado pelos passageiros. Largas dezenas de pessoas em pé em carruagens que parece transportarem seres humanos numa metade, e animais na outra, durante meia-hora, 45 minutos ou até 1 hora.  Perante o considerável aumento de passageiros a resposta não passa pelo aumento da oferta (comboios e carruagens), mas sim pela eliminação de lugares sentados. Tudo isto depois da Fertagus receber mais de 100 milhões de euros dos contribuintes a título de compensação no âmbito de uma parceria público-privada.
Exmos Senhores,
Começo por dar os parabéns à Fertagus pela iniciativa de se especializarem no transporte de gado, em pé e ao monte. Vem isto na sequência da retirada dos bancos com o objectivo de libertar …

O sobressalto da direita

Os resultados das europeias podem muito bem ser a antecâmara de um novo desastre nas legislativas. É exactamente isto que perpassa a direita. Sem tempo para se proceder às tão necessárias mudanças, resta adoptar uma estratégia com o objectivo de minimizar os danos. De resto, uma radicalização seria extemporânea, e vista como sinal de desespero. Nuno Melo, candidato eleito pelo CDS, toca aqui e ali nessa radicalização, mas essa é uma estratégia que lhe corre invariavelmente mal, como se viu pelos resultados desastrosos do CDS que esperará até aos resultados das legislativas para decidir o futuro da actual liderança.
No caso do PSD, tudo é ainda mais complicado. Sem o necessário apoio interno, Rui Rio manter-se-á em lume brando até Outubro. Depois de resultados que já se anunciam desastrosos, Rio sairá de cena para dar lugar ao desejado neoliberal de pacotilha, estilo Passos Coelho. Rio será, muito provavelmente, o último resquício de social-democracia do PSD. Talvez nesse …