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Mensagens

Primeiro levaram a qualidade do ar

Primeiro levaram a qualidade do ar Mas não me importei porque passava cada vez mais tempo dentro de casa
Depois ameaçaram de extinção um milhão de espécies Mas não quis saber até porque não conseguiria enumerar duas ou três
Depois, e apesar de se saber que havia muita gente na terra, continuámos a procriar como se não houvesse amanhã Mas não me importei porque na minha terra havia pouca gente Não haverá amanhã?
Em seguida houve quem quisesse impingir a ideia que era preciso fazer muito mais, No entanto não quis saber, eu que já tinha feito tanta reciclagem 
Depois ameaçaram-me com o degelo, mas isso não afecta só os ursos polares?
Ainda me tentaram convencer que era urgente mudar de vida Porém, mais facilidade tinha em imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo.
E depois senti o calor.
E depois fugi das águas que engoliam tudo no seu caminho.
E em seguida vi partes de cidades desaparecerem debaixo de água. Para sempre.
E agora os incêndios estão à minha porta, devoram tudo, e trazem consigo…

Emergência Climática

O Governo português considera não ser necessária a declaração de emergência climática, tal como solicitado pelo Bloco de Esquerda, até porque já fizemos mais do que os outros. Voltando a apontar o dedo aos outros, João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, referiu que os países que já declararam o estado de emergência "não fizeram nada a partir daí", tratando-se de "um passo simbólico". Recorde-se que milhões de estudantes fizeram greve às aulas e membros de grupos de activistas como os pertencentes ao "Extinction Rebellion" chamaram a atenção, bloqueando estradas, pontes e por aí fora. Subsequentemente, Reino Unido e Irlanda declararam o Estado de Emergência Climática. A atitude do Governo português não destoa daquela de outros países que julgam que já fizeram o suficiente apenas porque alegadamente fizeram mais do que os outros, como se planeta pudesse ele próprio ser dividido e nós, por termos alegadamente feito mais do que os outros,…

A Igreja Católica e as suas sugestões de voto

A Igreja Católica Portuguesa decidiu entrar na campanha para as eleições europeias, anunciando os partidos em que os fiéis devem votar. O Patriarcado de Lisboa, com presença também nas redes sociais, porque Deus também aprecia estas coisas, publicou um gráfico com o seguinte título sugestivo: "Os partidos votam assim e eu?" O resultado? Existem três partidos que devem contar com os votos dos fiéis, isto a partir de parâmetros como a eutanásia, aborto, igualdade ou barrigas de aluguer (não, estas não se referem a partidos como o Aliança e Santana Lopes). Assim, os fiéis devem confiar o seu voto ao CDS, Basta ou Nós, Cidadãos, e afastarem-se o máximo que puderem do PS e Bloco de Esquerda, esses filhos do Demo. Entretanto, o mesmo Patriarcado vem mais tarde afirmar que foi imprudente fazer aquelas sugestões. Foi sem querer. A mensagem já foi passada, mas desculpem porque foi sem querer. Na verdade, a Igreja Católica portuguesa, que se encontra ainda nos antípodas da…

Democracia e esperança

Apesar dos constantes ataques às democracias, e no caso que aqui interessa, à democracia americana, a verdade é que esta mostra uma resistência notável. Os referidos ataques, começam num sistema dominado por lobbies (verdadeiros soberanos) e acaba na eleição de um Presidente que chafurda no lamaçal do neoliberalismo e da boçalidade.
No entanto, e apesar de uma fragilização aterradora a que tem vindo a ser sujeita, a democracia americana - a verdadeira, a que conta com o povo soberano e a que encontra respostas junto desse povo - resiste. Um bom exemplo dessa resistência é a congressista Alexandria Ocasio-Cortez que contou com o forte espírito de organização das comunidades e do seu activismo para vencer as eleições primárias para o 14º Distrito de Nova Iorque pelo Partido Democrata. E o que é que a eleição de Ocasio-Cortez trouxe de extraordinário? Se hoje os EUA vivem sob o reinado da imbecilidade, não é menos verdade que existe ainda quem se encontre fora das garras dos…

A pior campanha eleitoral de sempre

É particularmente arriscado decretar esta campanha para as eleições europeias como sendo a pior de sempre, mas se não chegar a ser, andará muito perto.  É também evidente que nem todos os candidatos ao Parlamento Europeu são responsáveis pela mediocridade reinante. Existem excepções, sendo que algumas, infelizmente, não podem contar com a visibilidade que lhes é merecida e que a democracia impõe.  No entanto, e de um modo geral, os candidatos ao Parlamento Europeu mostram não ter uma ideia para a Europa e centram amiúde a discussão na política interna, longe, muito longe das questões europeias. Um bom exemplo dessa mediocridade reinante é a campanha encabeçada por Nuno Melo, candidato pelo CDS, que, para além de não ter uma só ideia sobre a Europa (talvez por ser um dos eurodeputados que menos gostará do Parlamento Europeu, a julgar pelas ausências), confunde tudo e o seu contrário. É neste contexto que se compreende a exibição, por parte do ainda eurodeputado, de uma fotografia de Antón…

Batemos no fundo

Joe Berardo, enaltecido e louvado por classe financeira e política, respondeu jocosamente às perguntas colocadas pelos deputados, representantes escolhidos pelo povo. Sem respeito e sem qualquer espécie de pudor, Berardo, comendador, mostrou o quão fácil é bater no fundo, e não não terá sido o empresário a bater no fundo, mas todos nós enquanto sociedade que, de uma forma ou de outra validamos, este género de personagens e este sistema que as premeia. É deplorável assistir ao enxovalhamento de deputados nas fagimeradas comissões de inquérito. Em rigor, Berardo não inaugurou uma nova era, limitou-se a ir mais além nesse enxovalhamento de deputados e por conseguinte dos portugueses. Berardo foi mais longe porque, sem vergonha, pôs a nu fragilidade de um sistema financeiro ao serviço dos chicos-espertos endinheirados e influentes, que não se coíbe de pedir dinheiro aos contribuintes e clientes para benefício dos Berardos deste país. De facto, batemos no fundo: a putativa elit…

Dia da Europa

Comemora-se hoje o dia da Europa, estamos a escassas semanas de eleições europeias e por cá continuamos a fingir que discutimos a União Europeia, com debates entre os candidatos para o Parlamento Europeu.
De um modo geral, fica quase tudo por discutir, um hábito que, de resto, não é de agora. Os debates andam invariavelmente pela superficialidade enquanto boa parte dos cidadãos nem sequer compreende como funciona a União, o que torna a UE aquela coisa abstracta e forçosamente longínqua.
De duas uma: ou se olha para a UE incomodado ou nem sequer se está a prestar alguma espécie de atenção. É neste ponto que nos encontramos, um pouco por toda a Europa. Em Portugal arrisco a segunda hipótese como a mais recorrente. Como é habitual ganha a indiferença.
O Dia da Europa comemora-se sem contar com os seus cidadãos que compreenderiam melhor a UE se valores como a solidariedade a caracterizassem -  o que daria uma razão válida e compreensiva para fundamentar esta união de países, pa…