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Mensagens

A Igreja Católica e as suas sugestões de voto

A Igreja Católica Portuguesa decidiu entrar na campanha para as eleições europeias, anunciando os partidos em que os fiéis devem votar. O Patriarcado de Lisboa, com presença também nas redes sociais, porque Deus também aprecia estas coisas, publicou um gráfico com o seguinte título sugestivo: "Os partidos votam assim e eu?" O resultado? Existem três partidos que devem contar com os votos dos fiéis, isto a partir de parâmetros como a eutanásia, aborto, igualdade ou barrigas de aluguer (não, estas não se referem a partidos como o Aliança e Santana Lopes). Assim, os fiéis devem confiar o seu voto ao CDS, Basta ou Nós, Cidadãos, e afastarem-se o máximo que puderem do PS e Bloco de Esquerda, esses filhos do Demo. Entretanto, o mesmo Patriarcado vem mais tarde afirmar que foi imprudente fazer aquelas sugestões. Foi sem querer. A mensagem já foi passada, mas desculpem porque foi sem querer. Na verdade, a Igreja Católica portuguesa, que se encontra ainda nos antípodas da…

Democracia e esperança

Apesar dos constantes ataques às democracias, e no caso que aqui interessa, à democracia americana, a verdade é que esta mostra uma resistência notável. Os referidos ataques, começam num sistema dominado por lobbies (verdadeiros soberanos) e acaba na eleição de um Presidente que chafurda no lamaçal do neoliberalismo e da boçalidade.
No entanto, e apesar de uma fragilização aterradora a que tem vindo a ser sujeita, a democracia americana - a verdadeira, a que conta com o povo soberano e a que encontra respostas junto desse povo - resiste. Um bom exemplo dessa resistência é a congressista Alexandria Ocasio-Cortez que contou com o forte espírito de organização das comunidades e do seu activismo para vencer as eleições primárias para o 14º Distrito de Nova Iorque pelo Partido Democrata. E o que é que a eleição de Ocasio-Cortez trouxe de extraordinário? Se hoje os EUA vivem sob o reinado da imbecilidade, não é menos verdade que existe ainda quem se encontre fora das garras dos…

A pior campanha eleitoral de sempre

É particularmente arriscado decretar esta campanha para as eleições europeias como sendo a pior de sempre, mas se não chegar a ser, andará muito perto.  É também evidente que nem todos os candidatos ao Parlamento Europeu são responsáveis pela mediocridade reinante. Existem excepções, sendo que algumas, infelizmente, não podem contar com a visibilidade que lhes é merecida e que a democracia impõe.  No entanto, e de um modo geral, os candidatos ao Parlamento Europeu mostram não ter uma ideia para a Europa e centram amiúde a discussão na política interna, longe, muito longe das questões europeias. Um bom exemplo dessa mediocridade reinante é a campanha encabeçada por Nuno Melo, candidato pelo CDS, que, para além de não ter uma só ideia sobre a Europa (talvez por ser um dos eurodeputados que menos gostará do Parlamento Europeu, a julgar pelas ausências), confunde tudo e o seu contrário. É neste contexto que se compreende a exibição, por parte do ainda eurodeputado, de uma fotografia de Antón…

Batemos no fundo

Joe Berardo, enaltecido e louvado por classe financeira e política, respondeu jocosamente às perguntas colocadas pelos deputados, representantes escolhidos pelo povo. Sem respeito e sem qualquer espécie de pudor, Berardo, comendador, mostrou o quão fácil é bater no fundo, e não não terá sido o empresário a bater no fundo, mas todos nós enquanto sociedade que, de uma forma ou de outra validamos, este género de personagens e este sistema que as premeia. É deplorável assistir ao enxovalhamento de deputados nas fagimeradas comissões de inquérito. Em rigor, Berardo não inaugurou uma nova era, limitou-se a ir mais além nesse enxovalhamento de deputados e por conseguinte dos portugueses. Berardo foi mais longe porque, sem vergonha, pôs a nu fragilidade de um sistema financeiro ao serviço dos chicos-espertos endinheirados e influentes, que não se coíbe de pedir dinheiro aos contribuintes e clientes para benefício dos Berardos deste país. De facto, batemos no fundo: a putativa elit…

Dia da Europa

Comemora-se hoje o dia da Europa, estamos a escassas semanas de eleições europeias e por cá continuamos a fingir que discutimos a União Europeia, com debates entre os candidatos para o Parlamento Europeu.
De um modo geral, fica quase tudo por discutir, um hábito que, de resto, não é de agora. Os debates andam invariavelmente pela superficialidade enquanto boa parte dos cidadãos nem sequer compreende como funciona a União, o que torna a UE aquela coisa abstracta e forçosamente longínqua.
De duas uma: ou se olha para a UE incomodado ou nem sequer se está a prestar alguma espécie de atenção. É neste ponto que nos encontramos, um pouco por toda a Europa. Em Portugal arrisco a segunda hipótese como a mais recorrente. Como é habitual ganha a indiferença.
O Dia da Europa comemora-se sem contar com os seus cidadãos que compreenderiam melhor a UE se valores como a solidariedade a caracterizassem -  o que daria uma razão válida e compreensiva para fundamentar esta união de países, pa…

Pára tudo

Podemos discutir tudo e o seu contrário, mas a verdade é que insistimos em fugir da discussão mais importante, a mesma que deveria ser prioritária em todos os contextos: como poderemos salvar o que resta do planeta terra?
Obviamente que existe uma lógica por detrás dessa dita insistência: só poderemos salvar o que nos resta se mudarmos radicalmente de vida. Só será possível salvar o planeta se deitarmos por terra o capitalismo baseado no consumo e na assimetria na distribuição de rendimentos com a evidente concentração de capital nas mãos de uma ridícula minoria. E como já muitos antes de mim já afirmaram: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Outro aspecto que merece reflexão é o facto de serem os mais novos a ganharem consciência da urgência de salvar o planeta e serão eles a lutar enquanto os mais velhos funcionarão, como já funcionam, como forças de bloqueio, acomodados, egoístas e ignorantes. É difícil não relativizar tudo o resto quando esta…

Ainda há futuro para a "geringonça"?

Tudo começou com as maiores reservas, profecias apocalípticas e um termo depreciativo: "geringonça". Volvidos quase quatro anos, o balanço era francamente positivo até sexta-feira da semana passada. A crise criada em torno do descongelamento do tempo integral do tempo de serviço dos professores pode não ter feito as vítimas mais evidentes à direita, como pode ter comprometido o futuro de uma solução política única e exemplar - a "geringonça". António Costa quis fazer cheque-mate à direita, mas pelo caminho pode estar a fazer cheque-mate junto dos partidos que o apoiaram, sobretudo quando parte para a chantagem das eleições antecipadas, convencido de uma pretensa maioria absoluta que, estou plenamente convencida, nunca chegará.

Depois de Cristas e Rio procurarem salvar o que resta dos tiros nos pés que desferiram, importa também à esquerda o empenho na reflexão sobre o futuro de uma geringonça que podia muito bem repetir-se se Costa não fosse igual a si próprio e procu…