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Mensagens

O que tem a televisão a dizer de si própria

Os novos reality shows da TVI e da SIC para além das audiências incrivelmente assustadoras pela sua dimensão, motivaram queixas na ERC com acusações de promoção de preconceitos, sobretudo de género. Estes programas de televisão, como outros que entretanto falharam como aquele em que se expunha a vida de crianças, dizem muito do estado actual da televisão, caracterizado pela decrepitude.
As ameaças que pairam no ar, como as novas formas de ver televisão com canais de streaming e o Youtube, empurram as televisões para o desespero, imperando, nesse caso, a política do vale tudo para atingir bons shares de audiências. Para tal, copia-se o pior que se faz lá fora, e quanto mais polémico melhor. São programas em que se promove o machismo? Sim. Mas dá audiências? Sim. O resultado é a aposta nesses programas, baratos e com grande potencial de audiências.
Pelo caminho fica tudo o que a televisão devia devolver à sociedade, quanto mais não seja em troca de uma licença para operar. …

Europeias: entre o desinteresse e a inépcia

Os principais partidos empenham-se na apresentação de candidatos às eleições europeias, com os respectivos líderes a devotarem o seu apoio aos candidatos. António Costa, Rui Rio, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Assunção Cristas desdobram-se em iniciativas que promovam os candidatos a deputados europeus. O interesse dos eleitores é diametralmente oposto ao interesse dos candidatos e dos respectivos líderes. As eleições para o Parlamento Europeu não suscitam grande interesse junto do eleitorado que vê a Europa como estando muito longe de defender os interesses da periferia e os candidatos como príncipes de Estrasburgo. Os candidatos ao Parlamento Europeu não parecem dispostos a lutar por uma mudança generalizada de percepção colectiva. Aparecem profusamente, sorrindo ao lado de quem manda nos partidos, com muito pouco ou nada para dizer e, sobretudo, sem nada a acrescentar a um cenário europeu desolador - um contexto marcado pelo afastamento incomensurável de cidadãos e seus represe…

O que é que se passa connosco?

Os números assustadores que indicam que 12 mulheres foram assassinadas pelos companheiros/maridos/familiares em pouco mais de dois meses não podem deixar ninguém descansado e merecem uma profunda reflexão individual, mas sobretudo colectiva - mas afinal que raio se passa connosco? Como é que estudos elaborados no contexto de adolescentes e jovens e que revelam uma realidade inquietante de aceitação da violência no namoro não têm qualquer espécie de consequência?
É evidente que não chega endurecer a lei, nem será suficiente que juízes como Neto de Moura seja impedidos de julgar processos desta natureza (esse devia ser impedido de julgar o que quer que seja), nem chega declarar dias de luto nacional, quando perante estudos que indicam a normalidade com que se encara a violência no namoro entre adolescentes e jovens tudo fica na mesma - levantamos a sobrancelha, na melhor das hipóteses.
Alguma coisa se passa connosco quando aceitamos estes retrocessos civilizacionais, quando …

Neto de Moura: o antídoto

A polémica em torno de Neto de Moura e o consenso gerado contra o inefável juiz funcionará como antídoto contra outros que possam proceder de forma semelhante, sobretudo nos tribunais. Ou seja, depois de Neto Moura poucos ousarão desprezar as vítimas de violência doméstica. Quanto à figura em questão ela voltará à sua insignificância, a mesma que o empurra para o lado mais abjecto da vida. Fica, no entanto, por um lado o tal antídoto - poucos ousarão fazer o mesmo que Neto de Moura fez - e por outro este juiz e a sua ignomínia deram um dos mais fortes contributos para que a sociedade censure de forma particularmente acutilante os crimes contra as mulheres, sobretudo em contexto de violência doméstica. Em suma, ao juiz e aos crimes em questão coube-lhes em sorte uma forte censura e um raro consenso por parte da sociedade. Não seria exactamente o que o juiz teria em mente, mas na verdade ninguém está interessado no que vai na mente de Neto de Moura, até porque a Idade Média j…

Processar um país

A ideia não é nova. Alguns dos que foram directamente atingidos pela ira do Juiz Neto de Moura já avançaram com esta possibilidade, mas aparentemente o Juiz não só não volta atrás, como não terá percebido o quão isolado se encontra. As suas posições que servem para fundamentar decisões judiciais são tão escabrosas que não colhem junto de quem quer que seja, e pelo menos outros que perfilhem essa ignomínia não o fazem publicamente. O Juiz que de tão mau já dispensa apresentações sente-se ofendido e recorre aos tribunais para processar deputados, jornalistas e até humoristas. Não se sabe qual o grau de ofensa das vítimas de violência doméstica tão desprezadas pelo Meritíssimo. De resto, é precisamente por causa de todos os que deviam ser protegidos pela justiça, quer através do reconhecimento dos crimes e do seu impacto na vida de quem os sofre, quer através da respectiva sentença, que todos usam a liberdade de expressão para se prenunciarem, seja através de um caminho mais político, mais…

20 anos de Bloco de Esquerda

Um dos partidos que faz parte das apelidadas "esquerdas radicais" celebra os seus 20 anos, contra a habitual multiplicidade de profecias a apregoar a efemeridade como destino inelutável. O Bloco de Esquerda contrariou todas essas profecias, desafiando todos os que clamavam pelo seu desaparecimento. "Esquerdas radicais" é um forma bacoca encontrada pela líder do CDS para desqualificar os partidos que se encontram à esquerda do PS e que conferem viabilidade ao actual Governo. A tentativa de Cristas esbarra naturalmente no próprio étimo do adjectivo radical - ia à raiz, no caso ir  à raiz da esquerda, sem a conotação negativa que Cristas procura. Mas Cristas, desconfiamos, procura muita coisa sem alguma vez encontrar o que quer que seja, a começar pelo próprio norte.
Seja como for e minudências à parte, o Bloco de Esquerda celebra os seus vinte anos e é, em bom rigor,  tempo para se analisar estas duas décadas de intervenção política, com altos e baixos, m…

Trump e Kim: o anticlímax

Donald Trump e Kim Jong-un namoraram de forma particularmente intensa antes da cimeira onde se pretendia alcançar um acordo de desnuclearização, Trump abandonou o Vietname - país anfitrião da cimeira - e Kim Jong-un ficará no país para uma visita oficial de dois dias. A reacções a este verdadeiro anti-clímax não se fizeram esperar: a China, eterno aliado do inefável regime norte-coreano, mostrou compreensão, sublinhando a impossibilidade de se atingir um acordo sobre assuntos tão delicados "de um dia para o outro". Já a Coreia do Sul que vive sob a ameaça de conflitos com o vizinho norte-coreano, manifestou a sua "perplexidade", como "o resto do mundo". Eu, humildemente, avanço uma terceira interpretação: trata-se de dois idiotas, coadjuvados por mais idiotas e dessa idiotia não se pode esperar o que quer que seja de relevante. A diferença entre os idiotas é apenas uma: um idiota não foi escolhido enquanto o outro foi, democraticamente.  Em suma, não se pod…