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Mensagens

O estranho caso do fascínio da comunicação social com a Aliança

O estranho caso do fascínio da comunicação social com a AliançaAs sondagens indicam que o recém-criado partido Aliança não passará dos 3% das intenções de voto. Outros partidos atingem ou andam perto desse valor irrisório e não contam com o tempo de antena e páginas de jornais que a Aliança conta. Dir-se-á que a razão prende-se naturalmente com Santana Lopes, por se tratar de uma figura mediática que já ocupou cargos relevantes e que até já foi primeiro-ministro. Ainda assim, este seu partido é uma insignificância no cenário político. De resto, tomara a outros partidos contarem com tanta atenção.
Este estranho fascínio não se justifica apenas com a figura que criou o partido, é mais, muito mais do que isso. A direita anda de rastos, dividida entre os que vêem esperança em Rio e aqueles que sonham com o D. Sebastião de Massamá. Pelos intervalos está Assunção Cristas e a mais gritante vacuidade, levada ao colo pela mesma comunicação social que, desesperada por um novo fôleg…

ADSE: uma guerra injusta

Esta guerra entre Estado e empresas no sector da saúde, com as últimas a rasgarem contratos com a ADSE é profundamente injusta para os beneficiários que, recorde-se, pagam inteiramente este subsistema de saúde. Mais: as razões invocadas por essas empresas, designadamente pelo Mello Saúde e Luz esbarram na lei e denotam uma ganância que não se justifica nem num contexto de capitalismo selvagem.
A ADSE reclama 38 milhões de euros com base num parecer da Procuradoria-Geral da República, os privados que se julgam acima da lei apoiam-se na chantagem e rasgam contratos, manifestando um desprezo abjecto pela saúde das pessoas - o lucro, o sacrossanto lucro, fala sempre mais alto. E quanto às tabelas de preços, a gula sempre foi apanágio destas empresas, por conseguinte não se encontra qualquer razão de espanto.
Ora, o que esta guerra nos mostra é que a chantagem também pode ser cartelizada e que o Estado tem que ter cuidado extremo nas relações que estabelece com estas empresas, …

Ódios de estimação

Há um ódio de estimação pela intelectualidade de esquerda e há também um ódio de estimação promovido em parte por essa mesma intelectualidade relativamente à direita, com, convenhamos, demasiadas generalizações. No entanto, o ódio de estimação pela intelectualidade de esquerda fomentado por uma direita extremista tem vindo a ganhar contornos preocupantes, designadamente com a ascensão de tiranetes que estão empenhados num processo de destruição das democracias. Ora, dito isto, importa perceber as causas que subjazem a esse ódio de estimação com consequências particularmente nefastas para as democracias. De resto, esse ódio recrudesce à medida que a incompreensão relativamente aos tempos em que vivemos aumenta e que a esperança diminui - um ódio que dá força e é naturalmente alimentado pela extrema-direita; um ódio que se espalha por todo o lado: através da forma bacoca de se fazer politica, através da arte e pela crítica à transgressão tão inerente à arte; pelos "bons costumes&qu…

E assim se destrói todo um conceito de greve

Na greve, à semelhança de outros acontecimentos da vida, não pode caber tudo e mais alguma coisa, designadamente o recurso à greve para cumprir agendas politicas distantes, muito distantes, dos trabalhadores ou para alimentar egos de dirigentes, alguns deles que nem sequer são dirigentes dos sindicatos. Ora aquilo que a Ordem dos Enfermeiros tem vindo a fazer enfraquece todo o conceito de greve, não só pelo carácter cirúrgico da mesma, ou pelas exigências impossíveis de cumprir ou até por se tratar de uma guerra pessoal da actual bastonária, mas sobretudo porque se trata de uma greve desumana. Recorde-se que o direito dos trabalhadores, no caso em apreço o direito à greve, inscreve-se numa matriz humanista que nada tem a ver com este desprezo manifestado por alguns em relação a esses mesmos princípios humanistas. Dito por outras palavras, quem se dispõe a passar por cima de tudo e de todos, colocando em causa a própria vida das pessoas, não pode estar à frente do que quer que seja, sobr…

E depois da Síria, ainda cheira a guerra fria

E depois da Síria, ainda cheira a guerra fria agora com a Venezuela entalada entre os EUA e a Rússia. Sendo certo que Maduro, que acabou ferido de morte também depois de perder apoios sobretudo entre países vizinhos, conta ainda com o apoio de países como a China, a Turquia e o México, parece ser a Rússia a tomar uma posição mais visível. Do outro lado, os EUA, com Trump a declarar o seu apoio a Guiadó (quase) ainda antes do mesmo avançar para a auto-proclamação de Presidente. E será também esse apoio americano, na pessoa de Trump, a inviabilizar a mudança de posição das próprias forças armadas venezuelanas. De resto, não se está a ver os militares venezuelanos, com o peso de todo a personalidade de Símon Bolívar sobre as instituições militares, a abandonar Maduro para abraçar Guiadó e Trump. Depois do banho de sangue na Síria, o mundo voltou a sentir o cheiro a guerra fria, desta feita com clara vantagem para a Rússia - factor que fortaleceu consideravelmente a posição do próprio Puti…

Venezuela: De que lado?

A questão central, no que diz respeito ao poder presidencial venezuelano, passou a ser de que lado nos encontramos, se do lado de Maduro, se do lado do auto-proclamado Presidente Guaidó. A questão, por muito redutora que possa ser, passou a ser essa, com acusações de partidos como o PSD e o CDS aos partidos mais à esquerda. O PS está naturalmente do lado do Governo e do lado de Guaidó, tanto mais que entrou no rol de países a reconhecer o auto-proclamado Presidente. Acaba por ser o Bloco de Esquerda, pela voz de Marisa Matias, a colocar algum bom senso na questão, afirmando estar o Bloco do lado de António Guterres e das Nações Unidas, ou seja ao lado de ninguém, nem do ditador, nem do auto-proclamado Presidente Guaidó, desprovido de qualquer legitimidade. De resto, parece claro e a democracia assim o dita, que só existe uma solução para o problema venezuelano: eleições presidenciais. Ninguém clama que este será um compromisso fácil de aceitar, mas ficarmos de um lado ou de outro em nad…

O mais beato dos beatos

O Presidente da República enquadra-se nos mais beatos dos beatos e daí não viria mal ao mundo, ou pelo menos a Portugal, se Marcelo Rebelo de Sousa não misturasse alhos com bugalhos, leia-se, beatice com a República laica, naturalmente.
A última pérola prende-se com a excitação de Marcelo relativamente à vinda do Papa a Portugal e a frase que postula que ele - Marcelo - recandidata-se ao cargo por se quem melhor pode desempenhar a tarefa de receber o Papa. Para além da frase denotar uma megalomania do Presidente mostra também a referida excitação que Marcelo não consegue conter nem em nome do Laicismo. É evidente também que num país constituído por número significativo de outros beatos, a frase, a promessa e o axioma causam impacto particularmente positivo.
Lamentavelmente, Marcelo encontra-se imune a quaisquer críticas que belisquem este seu modo de ser que confunde as funções de mais alto magistrado da nação com a de beato. E seja como for, essa recandidatura, prometida …