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Mensagens

Sem oposição

António Costa não tem razões de queixa, na precisa medida em que consegue governar amiúde longe da esquerda e ainda assim conservar os acordos com os partidos à sua esquerda e no outro lado do espectro político simplesmente não existe oposição, sobretudo no que toca ao PSD. O CDS é uma perfeita nulidade e o PSD não sossega enquanto não se livrar da actual liderança. De resto, Luís Montenegro ataca a liderança e nas distritais tudo se faz para convocar um conselho nacional extraordinário. Já se sabia que Rio estava a prazo, mas o que não se sabia é que o prazo é manifestamente curto, ao ponto do actual Presidente nem chegar às próximas legislativas. Rio representa um partido que já não existe, o que por lá prolifera são acólitos de Passos Coelho, munidos da sua cartilha neoliberal de pacotilha. Aquela gente não descansa enquanto não assistir ao regresso da tal cartilha que tão bem casa com a mediocridade reinante.

Entretanto, perde a democracia que conta sempre com partidos que governam e…

Um Presidente para todas as ocasiões

Não haverá registo de um Presidente da República telefonar para um programa de televisão - depois de interromper uma reunião - com a finalidade, única e exclusiva, de dar os parabéns à apresentadora. A partir de 7 de Janeiro de 2019 passa a existir esse registo, com Marcelo Rebelo de Sousa a ser o autor do telefonema. Qual é o propósito disto? Há quem relacione com a saída da apresentadora do canal, envolto em polémica depois da presença de Mário Machado e há quem chame à colação a amizade entre os protagonistas da peripécia. Isto seria apenas um fait-divers não se tratasse do Presidente da República. Não se pretende com isto inferir que o Presidente deva ser uma figura cinzenta e apagada como foi o seu antecessor que só rejubilava perante uma oportunidade de mostrar a sua perversidade. No entanto, as acções do Presidente têm invariavelmente uma leitura política e são fortemente escrutinadas. Um Presidente pode mostrar-se pronto para todas as ocasiões, mas não pode estar em todas as oc…

Se o crime cabe na liberdade de expressão...

A propósito do convite da TVI de um criminoso, racista e fascista, não forçosamente por esta ordem, algumas vozes gritam "liberdade de expressão" e "politicamente correcto". Se o crime cabe no conceito de liberdade expressão, então o que é que não cabe? Racismo, homofobia e fascismo não são admitidos pela lei, importa lembrar o óbvio. O canal de televisão, na pessoa do seu director de informação e do apresentador do programa, defende o convite enquadrando-o no aparentemente espaço infinito da liberdade de expressão. A defesa não só é desesperada como perigosa. O reconhecimento do erro e um pedido de desculpas, com destaque para aqueles que foram vítimas do criminoso em questão, colocaria um ponto final sobre o assunto. Mas não é isso que a TVI quer, certo? Afinal de contas, até má publicidade não deixa de ser publicidade e, pelo menos para alguns, esta nem sequer é má publicidade, desde logo "porque nem só a extrema-esquerda tem direito a tempo de antena",…

Quem precisa de um Bolsonaro?

A mera interrogação, hoje, provoca espanto, para não dizer mais, mas talvez no futuro venha a fazer sentido. Jair Bolsonaro deixará um rasto de destruição enquanto servirá como exemplo da pior escolha que se pode fazer em democracia. É certo, contudo, que os Bolsonaros deste mundo resultarão na destruição das democracias e até das sociedades que, equivocadas no que diz respeito à solução para os seus problemas, escolhem contra si próprias. E quão irónico será se o Brasil se juntar à Venezuela no grupo dos Estados falhados do continente Sul Americano? Depois da Venezuela ter sido precisamente argumento pró-Bolsonaro, transformada no grande bicho papão. Uma triste ironia, mas ainda assim uma ironia. Naturalmente. De resto, desengane-se quem julga que Bolsonaro e a mediocridade que o rodeia erradicarão a corrupção (à velha – com actuais ministros, como Onyx Lorenzoni, Ministro-Chefe da Casa Civil acusado de receber subornos para campanhas eleitorais – juntar-se-á a nova) ou as desigualdade…

Que confusão!

Que confusão que vai na cabeça de Manuel Luís Goucha. Desde já, jamais me passaria pela cabeça a possibilidade de escrever umas linhas evocando Manuel Luís Goucha, sem ofensa para a pessoa em questão. Por outro lado, jamais me passou pela cabeça que um canal de televisão convidasse Mário Machado, entre outras coisas, condenado por um homicídio, motivado pelo racismo, entre uma multiplicidade de outros crimes ignóbeis. Mas foi isso que aconteceu num programa da manhã da TVI conduzido por Manuel Luís Goucha.
E como se isso não fosse suficientemente inquietante, eis que o apresentador de programas matinais da TVI procura justificar o injustificável, espalhando-se ao comprido numa incomensurável confusão. Talvez fosse pertinente apresentá-lo ao já por aqui enunciado paradoxo da tolerância de Karl Popper que postula que a tolerância ilimitada - tão do agrado de democratas como Goucha - provoca o enfraquecimento e desaparecimento da própria tolerância. Popper afirma que não pod…

Irmão? Só se for seu

Bolsonaro, irmão? Nem no meu pior pesadelo. Mas foi deste modo que o recém-empossado Presidente brasileiro foi classificado pelo Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, que ainda acrescentou que "entre irmãos o que há a dizer diz-se rápido como se diz em família.", concluindo dizendo que "a reunião foi muito boa", Reunir-se com quem cospe nos Direitos Humanos já é pouco abonatório para Marcelo e, por inerência, para Portugal, mas enfim, compreende-se levando em consideração os laços que unem os países, agora apelidar um ditador assumido de irmão é ir longe de mais, caindo num exercício de bajulação barata sem hipótese de resultar, o dito Bolsonaro quer-se deitar com o Donald (Trump) e com o Benjamim (Netanyahu), não há espaço na cama para Marcelo. Por outro lado, com que cara é que o Presidente Marcelo pede seriedade e credibilidade aos políticos portugueses e bajula um dos maiores populistas à face da terra, ainda para mais um dos tais que não esconde …

A tomada de posse de um ditador

A frase em epígrafe provoca uma compreensível dificuldade de assimilação, desde logo porque não é todos os dias que um ditador assume os destinos de um país como o Brasil. Acresce que associamos, geralmente, uma tomada de posse a alguém que se prepara para proteger e consolidar a democracia, o que não acontecerá e não sou eu que o digo, é o tal de Bolsonaro, agora Presidente do Brasil, que nunca fez questão de esconder.  A maioria escolheu este caminho e muitos afirmarão que cabe ao resto a aceitação. Ora, não será bem assim. Desde logo, a democracia, a tal que é bicho estranho para fascistas em potência, abraça o pluralismo e não o caminho único e a aceitação de qualquer porcaria. Por outro lado, importa ter presente o paradoxo da tolerância de Karl Popper postula que a tolerância ilimitada cria um paradoxo porque degenera no fim da própria tolerância. Popper defendia que se a tolerância for ilimitada, ao ponto de abranger os intolerantes,a tolerância será destruída. Nas palavras do f…