Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Um Homem não muda o mundo

Vivemos tempos em que um Homem continua a não ser suficiente para mudar o mundo, mas em que um imbecil pode mesmo conseguir a proeza de mudar o mundo, para pior - incomensuravelmente pior. Ficámos com a ideia de que um imbecil pode mesmo dar cabo do planeta com Donald Trump, agora, e para ajudar a reforçar a nossa tese, junta-se Jair Bolsonaro. Trump, mais que não seja por ter obrigado os EUA a sair do Acordo de Paris, fragilizando-o desse modo, demonstrou como um único imbecil pode mesmo dar cabo do planeta. Os graves incêndios na Califórnia vêm lembrar os efeitos das alterações climáticas, mas não a Trump. Seja como for, agora junta-se outro, Jair Bolsonoro que venceu as eleições presidenciais brasileiras e que, entre uma multiplicidade de asneiras, prometeu sacar a riqueza que jaz por debaixo dos pés dos indígenas. E se os últimos anos já haviam sido marcados pelos cortes nos apoios aos povos indígenas e pela proliferação legislativa com o objectivo de abrir as portas …

A arrogância de quem errou

O erro, o engano, a falta e a culpa costumam vir acompanhadas pelo arrependimento e, porventura, por pedidos de desculpa. Nada disso aconteceu no caso da deputada Emília Cerqueira que, após o visionamento de imagens da Assembleia da República, viu-se obrigada a vir a terreiro admitir que utilizou “inadvertidamente” a password do deputado José Silvano – o tal que que aparentava ter o dom da ubiquidade: o dom de estar em vários sítios ao mesmo tempo. Podemos caracterizar este caso de diversas formas, mas dificilmente conseguiremos escapar à arrogância que marca os protagonistas: desde o próprio deputado José Silvano que sempre agiu como se não devesse cavaco a quem quer que fosse; passando naturalmente pela deputada que, depois de apanhada em flagrante delito, admitiu ter utilizado a dita password, validando subsequentemente as presenças do deputado ausente, mas sempre num tom de extrema arrogância; passando pelo próprio líder do partido que, em tom de gozo e num gesto de desrespeito par…

Quando um candidato chulo, evangélico e morto vence umas eleições

Aconteceu nos EUA e diz muito sobre o panorama político americano. Acresce que para além de chulo, evangélico e morto, Dennis Hof é (era)  Republicano e inspirou-se em Trump para entrar na política, apresentando-se como um "chulo americano". Apesar de estar morto desde o mês passado, Dennis Hof bateu a adversária democrata por mais de 7.000 votos.
De resto, o que dizer de manchetes de jornais como:

"Dead brothel owner wins state assembly seat" - CNN

"A brothel-owning, evangelical christian-backed republican candidate who died last month win race for the Nevada State Legislature."

É evidente que não será o morto a ocupar o lugar, mas outro republicano.

Para completar o quadro dizer apenas que enquanto Trump escreveu o famigerado "Art of The Deal", Dennis Hof tirou da cartola um sugestivo "The Art of The Pimp". E assim vai a política americana.

No referendo à sua presidência, Trump falhou

As eleições de meio de mandato, as chamadas "midterm elections", que funcionam como eleições legislativas, era consideradas o primeiro grande referendo à Administração Trump. Assim sendo, e com a reconquista da Câmara dos Representantes por parte os democratas, Trump chumbou, apesar de ainda ter vindo gritar vitória para o Twitter, em mais um gesto que deixa várias questões no ar acerca da saúde mental do Presidente dos EUA.
Depois de largos anos nas mãos dos republicanos, que mantêm ainda assim o domínio do Senado, é agora a vez dos democratas. Esta mudança significa más notícias para Trump que se habituou a ter todo o Congresso sob domínio do GOP.
Esta mudança significa que Trump contará com um obstáculo às suas políticas tantas vezes acéfalas e tantas outras perigosas. Sempre que necessitar do apoio de ambas as casas contará com mais do que certas rejeições de uma delas. Como exemplo dessa dificuldade, tem-se falado da famigerada questão do muro que agora se t…

Merkel e o seu contributo para a consolidação da democracia europeia

Angela Merkel, considerada agora como liderando o grupo de grandes arautos da Europa democrática, anunciou o seu abandono do seu partido, CDU. Ainda não tendo abandonado quer o partido, quer o próprio cargo de chanceler que, ao que tudo indica, é mesmo para levar até ao fim, já há quem lamente a saída da maior figura democrata da Europa recente. Para a construção dessa imagem muito tem contribuído uma inacreditável falta de memória ou, uma incapacidade de relacionar as decisões tomadas, sobretudo na esfera económica, e um afastamento cada vez mais notório dos cidadãos relativamente aos políticos e aos partidos convencionais.  Merkel e o seu governo, liderando uma Europa que continua a ser acéfala, humilharam Estados-membros da UE, empurrando-os ainda mais para a miséria, depois de anos e anos a despejarem nesses mercados o que se produzia na Alemanha, dando um forte contributo para o endividamento dos países que mais tarde viriam a ser alvo da humilhação. Ora, neste contexto co…

O novo normal

Caímos, e muitos de nós sem sequer se dar conta, numa nova normalidade, num normal marcado pelo niilismo; numa nova normalidade que nega a moral e, em última análise, a verdade. Neste contexto de nova normalidade, a indiferença de uns e o ódio de outros permitem que o Presidente dos EUA, Donald Trump, a propósito daqueles que procuram entrar em solo americano, dê carta branca aos militares para disparar sobre quem atirar uma pedra, transformando e deturpando a realidade que postula a força e eficácia de uma arma versus a tibieza com muito menor eficácia da pedra. A vida cessa de ser o valor supremo. E todos aceitam esta nova normalidade. Apenas neste contexto é que se compreende que a eleição de Bolsonaro seja considerada o novo normal, isto apesar dos retrocessos civilizacionais prometidos. Apenas neste contexto do novo normal é que se percebe a escolha de Sérgio Moro, juiz que se alimentou do prazer de prender Lula, para novo super ministro da Justiça e das policias – um forte contr…

Os tempos do homem-massa

No anos trinta do século passado Ortega y Gasset alertou para os perigos da sociedade de massas e para o homem-massa e começou por chamar a atenção para o paradoxo do homem-massa rejeitar a oportunidade única de viver plenamente em tempos livres da tirania, marcados pelas promessas da tecnologia e pela democratização da política, com realidades até então pouco consolidadas como a liberdade. O filósofo espanhol caracteriza o homem-massa da altura como sendo alguém que rejeita os valores intelectuais e espirituais, recusa a verdade, abraçando o egocentrismo e o materialismo; o homem-massa rejeita a opinião do outro e tem aversão a qualquer coisa remotamente semelhante ao espírito crítico; conforma-se; o homem-massa não tem particular predilecção pelo belo ou até pela cultura; rejeita a diferença e ele próprio não aceita ser diferente das massas; subjuga-se, no tempo de Ortega y Gasset à comunicação social, hoje também e sobretudo às redes sociais; o homem-massa não pensa ne…