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Mensagens

Sectarismo

O sectarismo está a tomar conta da política em vários países, alguns dos quais constituem uma verdadeira surpresa, como o caso dos EUA. E é graças também a esse sectarismo que Donald Trump chegou à presidência.
O sectarismo traduz-se no espírito de intolerância com partidos divididos por "raças", religião e situação sócio-económica. Paralelamente cresce a ideia, junto daqueles mais próximos do partido Republicano, que os brancos, cristãos, estão a perder força no tabuleiro político, forçando-os a uma reacção de apoio àqueles que propõe medidas, por muito obtusas que sejam, para mitigar ou reverter o actual estado de coisas. Um pouco na senda da famigerada frase "make America great again". Em contrapartida, o partido democrata é visto como agregador de minorias, cada vez menos minoritárias.
De resto, a presidência de Obama veio agravar esse sentimento de perda de importância e transferência de poder para as chamadas "minorias" não brancas e nã…

Um aliado de peso: as notícias falsas

Jair Messias Bolsonaro, bem colocado para vencer as eleições brasileiras, contou com um aliado de peso: as notícias falsas veiculadas pelas redes sociais, onde a vitimização e as teorias da conspiração fazem escola. Mais: segundo uma investigação do jornal Folha de São Paulo, várias empresas privadas, naturalmente apoiantes de Bolsonaro, pagaram a empresas de marketing para despejarem centenas de milhões de mensagens com propaganda anti-PT. O Whatsapp terá sido o veículo escolhido. Recorde-se que as empresas privadas não podem, à luz da lei brasileira, financiar candidatos políticos. Outro dado importante diz-nos que são os apoiantes de Bolsonaro são os que mais se informam via Whatsapp e 91 por cento dos brasileiros, em 2016 – ano do impeachment de Dilma – declarava informar-se pela internet, com 72 por cento a escolherem o Whatsapp ou o Facebook. E ainda recentemente um conjunto de investigadores brasileiros juntamente com uma agência de verificação de factos, chegou à conclusão de qu…

Um Orçamento sem oposição

O país já conhece o Orçamento de Estado 2018 e a oposição ainda não decidiu exactamente para que lado se virar. Todos repetem o mesmo: "orçamento eleitoralista" e obtusidades como aquela que postula que o OE 2018 faz lembrar os orçamentos do tempo de José Sócrates, não se percebendo exactamente se se referem ao período de tempo subsequente à crise de 2008 e em que a política europeia foi expansionista durante perto de um ano ou a outro período. Enfim, de qualquer modo for a comparação é absurda, não merecendo sequer qualquer comentário alongado. O Governo de António Costa, que contou mais ou menos com a participação dos parceiros desta solução, elaborou um documento que vem na linha dos anteriores: alguma, mas parca, reposição de rendimentos, designadamente com aumentos nas pensões e salários, mitigação da precariedade, muito longe ainda assim do que seria necessário, e algumas operações de cosmética que dão a impressão de investimento em áreas como a Saúde e Ed…

Tempo de união

Restam cada vez menos dúvidas: apenas a união daqueles que defendem a democracia pode impedir a ascensão ao poder de um fascista no Brasil e no regresso à ditadura. Apenas uma grande frente contra Bolsonaro poderá evitar uma verdadeira tragédia para o Brasil. Haverá quem ainda considere estas palavras exageradas e distantes da realidade, exactamente na mesma linha de tantos outros há largas décadas atrás na Europa e depois na América do Sul. Não há nada de exagerado nestas palavras e se sentimos a necessidade de as corrigir é porque as mesmas pecam por não descrever, com necessário rigor, o que está na calha.
Todavia, a incapacidade do neoliberalismo continuar a fornecer ilusões para esconder a realidade, a subsequente morte da esperança, o desencanto com as soluções oferecidas pelos políticos, o cristianismo evangélico que conta com a ignorância e com a miséria para aumentar o seu poder e regressar à idade das trevas , a corrupção endémica, mas apenas atribuída a um dos …

Passos Coelho: uma oportunidade perdida

Numa altura em que se exige que os democratas se insurjam contra as diferentes ameaças autoritárias, torna-se ainda mais evidente a importância de algumas palavras e de alguns gestos como a manutenção do apoio de Pedro Passos Coelho à candidatura à Câmara de Loures de André Ventura. Recorde-se que o inefável candidato pelo PSD à edilidade apostava num discurso racista contra um grupo étnico. Consequentemente, e nessa altura, tornou-se claro que Ventura era um populista em potência, para não dizer mais e ainda assim Pedro Passos Coelho manteve o seu apoio, pese embora o CDS, por exemplo, o tenha retirado. Ora, uma das formas dos democratas combaterem a ameaça autoritária, venha ela sob a forma de um populismo aparentemente inócuo ou sob a forma de fascismo mais difícil de disfarçar, é precisamente retirar toda e qualquer forma de apoio. De resto, Mussolini e Hitler contaram com o apoio de políticos ou partidos seus contemporâneos, com os resultados conhecidos. Por conseguin…

A morte das democracias

A democracia, o tal sistema a que nos habituámos, de tal maneira que nos esquecemos de lutar por ele, está em perigo de morrer e até em países europeus como a Hungria essa morte já foi consumada. Em tempos, as democracias morriam às mãos de golpes militares ou outros golpes de Estado, agora são os próprios cidadãos, através do seu voto, a viabilizar a escolha do autoritarismo que, no melhor dos casos, enfraquecerá o sistema democrático e, no pior, acabará por matar a própria democracia. A democracia morre assim às mãos de cidadãos descontentes e/ou desinteressados, executada por ditadores que usam caminhos democráticos a seu favor, transformando-os, dando-lhe o tão necessário cariz autoritário. Dissociar a evolução do capitalismo desta deriva autoritária pode ser um exercício precipitado. De resto, o capitalismo selvagem pejado de especulação, pai das desigualdades, movido exclusivamente pelo aumento do lucro e convenientemente disfarçado pela tecnologia e pelos seus encantos, dá origem …

Chega

André Ventura, vereador do PSD na Câmara de Loures, conhecido pelo seu discurso inflamado contra a comunidade cigana, vai renunciar ao mandato para criar um partido político, um tal de "Chega". Ora, aproveitando os ares dos tempos, Ventura prepara-se assim para evitar uma nova maioria de esquerda, propondo a proibição constitucional da eutanásia, a castração química de pedófilos, o regresso da prisão perpétua ou a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo.  A ascensão do fascismo e o sucesso de alguns movimentos ou figuras políticas dessa natureza dá força a quem recentemente procurou assaltar o poder no PSD e, perante o insucesso, resolve aproveitar o espírito dos tempos em que o fascismo voltou a ser opção para apresentar um novo partido que acabará, mais cedo ou mais tarde, de se aproximar desses ditos movimentos. E não vale a pena desvalorizar, mesmo a mais abjecta das propostas - aquelas que deveriam arrepiar qualquer ser humano - tem os seus seguido…