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Mensagens

O que seria da democracia sem o tão-necessário pluralismo?

A questão em epígrafe deve ser colocada a Rui Rio, Presidente do PSD, que por ocasião da Universidade de Verão do partido afirmou que quem não está de acordo com o partido deve deixá-lo, isto, claro está, na melhor tradição estalinista.
O referido pluralismo, catalisador da própria democracia, é assim tratado com particular desprezo pelo líder do maior partido da oposição, sem quaisquer contemplações. De resto, Rio não é um novato na formulação de frases pouco amigas da democracia, já havia cometido as mesmas imprudências pouco democráticas por altura da sua presidência na Câmara do Porto, designadamente com ataques dirigidos à comunicação social com vista a cercear o campo de acção de alguns órgãos de comunicação social.
Agora quem não concorda "com o partido de forma estrutural", deve sair por ser a atitude mais "coerente", diz Rio com uma displicência que não deixa de ser inquietante. Em rigor, os partidos ditos democratas têm de praticar essa democr…

Um Presidente "amoral"

Apelidar Donald Trump de "amoral" não é propriamente o pior que se pode dizer do Presidente americano, sobretudo numa semana em que se noticiou o novo livro de Bob Woodward, jornalista que ficou conhecido pelas suas investigações sobre o escândalo "Watergate", e depois ainda de um alto funcionário da Casa Branca fazer um retrato - mais um - assustador do Presidente americano.
Se no livro de Woodward a Casa Branca é descrita, por quem lá trabalha, como estando em esgotamento nervoso, ficando claro que os próprios conselheiros de Trump escondem documentos para evitar uma tragédia e que enganam Trump, em nome da segurança nacional, o alto funcionário, num texto publicado no New York Times e sob anonimato, descreve um Presidente com colaboradores muito pouco colaborantes. Esses colaboradores estão aparentemente organizados e empenhados, à semelhança do que é descrito por Woodward, em evitar uma tragédia. As frases do alto funcionário são esclarecedoras: &q…

Cultura versus Educação

É incrível estar neste momento a escrever sobre a escolaridade obrigatória - a mesma consagrada na Lei n.º 85/2009, de 27 de Agosto, e que determina que crianças e jovens estarão na escola até concluírem essa escolaridade ou até perfazerem os 18 anos. Não será bem esse o entendimento de uma Juíza de Portalegre que perante a indicação da Comissão de Protecção de Jovens e Crianças e consequente acção do Ministério Público determinou que "caminhos diversos e igualmente recompensadores que não simplesmente a frequência da escolaridade até à maioridade" justificam um caso de abandono escolar.
Mais: segundo a Juíza em questão, a tradição de uma comunidade pode prevalecer sobre o direito à educação e à própria lei do país. A jovem prefere ficar em casa e ajudar a mãe e a Juíza corrobora, em conformidade com "o meio de pertença", até porque a jovem, segundo a mesma juíza, "já possuí competências ao desenvolvimento da sua actividade profissional".
É incr…

Que bom que é ser popularucho

Marques Mendes não nos habitou propriamente à elevação dos seus comentários políticos que se se encontram invariavelmente entalados entre a mediocridade e a coscuvilhice. Mas não deixa de ser surpreende ver o quão pode este famigerado comentador sucumbir ao comentário popularucho. Vem isto a propósito da proposta de Medina Carreira, Presidente da Câmara de Lisboa, que sugeriu uma redução considerável do preço dos passes sociais, recorrendo para isso ao Orçamento de Estado. Marques Mendes insurgiu-se contra a medida alegando que a mesma iria implicar que o contribuinte de Bragança estaria a pagar os passes sociais de quem vive na área metropolitana de Lisboa. A robustez desta argumentação nem tão-pouco soçobrou perante a voz esganiçada do famoso comentador. Ora, escusado será dizer que se abrimos essa caixa de Pandora, tudo, mas mesmo tudo, pode ser posto em causa. No entanto, o recurso à artimanha popularucha, sobretudo se disfarçada de revolta, colhe junto daqueles prontos…

O desinteresse pela cultura e uma perda incomensurável

O vice-director do Museu Nacional no Rio de Janeiro que sucumbiu a um incêndio responsabilizou a classe política pelo sucedido, designadamente pela sua falta de interesse e pela incúria. o Presidente Michel Temer lamentou e falou "em dia triste para todos os brasileiros". O certo é que 200 anos de História desapareceram assim, num ápice. Uma perda dolorosa e incomensurável. A comunicação social refere que o Museu ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro sofria cortes orçamentais há pelo menos três anos. A falta de apoio por parte do Estado parece assim difícil de refutar. O desinteresse por parte de uma classe política corrupta e pouco apologista de tudo o que cheire a cultura nem sequer participou nas comemorações dos 200 anos da instituição, adiantou o vice-director, Dias Duarte. Este é o caso talvez mais gritante de desprezo pela cultura, mas há mais e não estão naturalmente apenas confinados ao Brasil. Existe ainda um paradoxo interessante: por uma lado, a cultura…

Festa do Avante: livros non gratos

A Festa do Avante! está habituada às polémicas, a começar pelas listas de convidados conterem amiúde figuras da política internacional que não interessam nem ao diabo.
Este ano a Festa conta com nova polémica envolvendo o livro do músico e activista angolano Luaty Beirão, “Sou Eu Mais Livre, Então – Diário de um Preso Político Angolano, que, segundo a editora Bárbara Bulhosa foi excluído da feira do livro da Festa do Avante!.
O PCP acusou a editora do “mais primário anticomunismo”, pouco mais adiantando, sobretudo no que diz respeito à justificação dada para excluir o livro: o mesmo incomodaria os camaradas do MPLA que estarão presentes na Festa. Ao invés o partido preferiu chutar responsabilidades para a editora Página a Página que gere a feira.
Sobra um argumento para defender a existência de livros non gratos: o espaço é privado e o partido, perdão, a editora, fazem e escolhem aquilo que bem entenderem.
Todavia, o que o partido, perdão, a editora, não percebem é que fica a ideia indel…

As medidas anunciadas por Costa para trazer de volta quem emigrou

António Costa anunciou medidas que visam dar incentivos à vaga de emigração dos últimos anos, sobretudo dos anos sob jugo da troika. Os incentivos serão naturalmente de natureza fiscal e sabe-se também que as medida ainda estão a ser desenhadas, e por conseguinte não estão concluídas. No entanto, as vozes levantam-se, sobretudo daqueles que aparentemente representam comunidades de emigrantes no Reino Unido e em França e, claro está, as vozes baixinhas de uma oposição que foi governo precisamente nos anos de saída desses portugueses e cujo pequeno grande líder recomendou que saíssem da sua zona de conforto e encontrassem outra vida lá fora. O que dizem então essas vozes tão sapientes sobre medidas que ainda nem sequer estão fechadas? A SIC ouviu o director do “Lusojornal” para portugueses a viverem em França que defende que a medida é discriminatória, defendendo que não se percebe por que razão se ajuda uns e não outros. A resposta ainda assim é óbvia: a medida visa trazer de regresso qu…