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Mensagens

O que faz falta é um Alberto João em cada esquina

Rui Rio anda perto da frase em epígrafe quando nos questiona se "já alguma vez imaginámos se em vez de um, houvesse quatro ou cinco Alberto João por esse país fora?".
Os ares da Madeira provocaram uma acentuada excitação em Rui Rio, ao ponto de este não caber em si de felicidade de cada vez que tocava no nome de Alberto João Jardim. Não poupou elogios e foi ainda mais longe, sugerindo o paraíso na terra, ou melhor cinco ou seis Albertos por "esse país fora". Rui Rio aparece na liderança do PSD rodeado de uma aparente tibieza que esconde a sua veia populista à qual não será estranha um conjunto de  formas endurecidas de actuação, chocando naturalmente com as boas práticas democráticas. De resto, recorde-se a relação pouco democrática de Rio com a comunicação social, enquanto Presidente da Câmara do Porto. Quem faz a apologia do caudilho multiplicado por cinco ou seis dificilmente terá futuro na democracia. Percebe-se que a vida tem andado difícil para Rio…

Um conselho à direita: não deixem passar esta oportunidade

Conselho aos dois partidos de direita: não deixem passar esta oportunidade que Ricardo Robles proporciona, desde logo porque são tão parcas as oportunidades que desperdiçar esta, mesmo sendo uma mão cheia de nada, constituiria um erro. É certo que a história parecia incomensuravelmente melhor do que acaba por ser. Quando a sexta-feira amanheceu com a promessa de finalmente se poder atacar os partidos de esquerda, sobretudo aquele partido porventura mais exasperante, contestatário, sempre a lutar por uma outra sociedade, criou-se um mundo de expectativas. Depois vieram os desmentidos do próprio Robles: afinal nenhuma injustiça havia sido praticada pelo vereador bloquista, designadamente contra os arrendatários. Sobra a tese da especulação imobiliária e para que essa tese seja de facto consistente, vamos esquecer o facto de se tratar de um imóvel com dois proprietários, o que implica avanços e recuos e tentativas de se chegar aos tão difíceis consensos. Esqueçamos isso, evite-se tocar ne…

A extraordinária ascensão da extrema-direita na Europa

O crescimento da extrema-direita na Europa, berço do fascismo, não causa propriamente espanto. Países como a Polónia, a Hungria, República Checa já sucumbiram à mesma e outros seguem o mesmo caminho ou estão prestes a chegar ao mesmo destino. É neste contexto que o sinistro Steve Bannon se propõe construir uma fundação para a promoção de movimentos eurocépticos de extrema-direita, com sede em Bruxelas. O movimento, ou movimentos, terá como objectivo central o controlo efectivo de fronteiras, um pouco na senda do que se passa nos EUA e que acontece na Europa, mesmo desrespeitando as regras comunitárias, como já sucede em alguns casos. Steve Bannon não vê mais do que uma oportunidade de expansão dessa extrema-direita no seio da Europa. De resto, os falhanços da UE na resolução das questões que se prendem com migrações, as participações de Estados-membros na instabilidade criada em algumas zonas do planeta e a mais gritante inépcia no que toca a lidar com o Presidente america…

E se a geringonça não acabar?

E se, após as próximas legislativas, tudo se mantiver mais ou menos na mesma, ou seja, e se a geringonça continuar? Pasme-se! E se aquela mescla de esquerda que tantos profetizaram que acabaria cedo e da pior forma possível, não se extinguir nas próximas eleições? O que será da direita desorientada?
Os portugueses, a julgar pelas sondagens, preferem esta solução; o Presidente da República quer esta solução porque os portugueses querem esta solução e porque António Costa não brilha o suficiente para o ofuscar; a direita não quer esta solução, mas também não sabe muito bem o que quer.
O CDS, raiando o populismo mais poucochinho, sempre que pode, quer uma fatia de poder, mas não sabe nem como nem com quem. O PSD está dividido entre os poucos que seguem o actual Presidente e os muitos que ainda choram o desaparecimento do grande Passos Coelho.
Ora, nestas circunstâncias, a tese que postula a necessidade de uma nova (velha) geringonça ganha força. E embora aquilo que uniu a esq…

Fim de Trump: será desta?

O Partido Republicano terá acordado e se deparado com o horror que é Donald Trump, tudo a propósito daquela cimeira em Helsínquia em que todos ficaram com a ideia que Trump deve muito a Putin, Presidente russo. Porquê e o quê? Não há certezas. A tal dívida estará muito provavelmente ligada a negócios entre Trump com oligarcas russo para financiar, no passado, negócios do agora Presidente americano. Os bancos convencionais viraram as costas a Trump e este socorreu-se de oligarcas russos que tinham vantagem neste e noutros negócios, designadamente operações de lavagem de dinheiro. De igual modo, parece difícil de argumentar contra a tese que vem na sequência do que acima foi explando e que dá conta da ingerência da Rússia nas eleições americanas com prejuízo evidente de Hillary Clinton e vantagem óbvia de Donald Trump. Perante isto e, sobretudo, perante a triste figura de ver o Presidente americano corroborar tudo o que Putin tem afirmado, desacreditando os próprios serviços de informação …

Quão baixo pode descer a política

Donald Trump é a prova viva que um político pode descer sem quaisquer limites. E o paradoxo reside no facto de terem sido os descontentes, visceralmente afastados da política e dos políticos a votarem em Trump - um homem fora do sistema, dizia-se, mas que na verdade está a destruir o que resta do tal sistema. O triste espectáculo proporcionado pelo Presidente americano, para gáudio de Putin, caiu mal quer entre democratas, quer entre os próprios republicanos. E quando se esperaria que o pior já tivesse passado, Trump veio dar o dito pelo não dito, alegando que se tinha enganado quando denegriu os seus próprios serviços secretos, elogiando a Rússia e o Presidente russo. Para tal chegou ao ridículo de invocar uma "dupla negativa". Na verdade nunca se havia visto algo assim, tão degradante e tão surreal - um Presidente americano a desacreditar, perante quem é acusado de ter ingerido nas eleições americanas - os seus próprios serviços de informação, sorrindo e dando …

Quando não é possível acordar de um pesadelo

Quando não é possível acordar de um pesadelo resta-nos a angústia que nos perpassa de uma ponta à outra. Será provavelmente isto que muitos sentiram quando ouviram Trump admitir a hipótese de se recandidatar. A mera ideia e a simples possibilidade é avassaladora. Esta possibilidade de se recandidatar vem mais ou menos na mesma altura em que Trump afirma que a UE, a par da China, é um dos maiores inimigos  económicos dos EUA. Por muito que a arte da retórica nos tenha, eventualmente, abençoado, torna-se particularmente difícil escrever sobre a reedição deste inferno que temos vivido. Os EUA, sob a égide de Donald Trump, são hoje menos potência do que aquele néscio julga. E apesar desse retrocesso não seria de admirar que Trump voltasse a vencer as eleições, premiando-se a boçalidade mais abjecta. Mais cinco anos de intransigência, da tal boçalidade, do obscurantismo, de preconceitos e de um retrocesso indiscutível não será, obviamente, benéfico para ninguém, mas servirá  de …