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Mensagens

Polónia: ataque ao Estado de Direito

O Partido de extrema-direita polaco "Partido da Lei e da Justiça" desferiu um golpe potencialmente fatal no sistema de justiça do país, fragilizando o Estado de Direito e por inerência a própria democracia. Não precisou de muito tempo para proceder a esse ataque e nem tão-pouco recorreu-se a algum golpe de génio, apenas a elaboração de uma lei, feita à medida, com vista a afastar alguns juízes do Supremo Tribunal da Polónia. Resultado: saída forçada de 27 juízes do supremo, considerados pelo partido que governa o país, como sendo comunistas.
A perseguição e limpeza que visam o afastamento de um determinado conjunto de juízes e que resultam no enfraquecimento do Estado de Direito terá consequências externas, de resto a Polónia entra assim em rota de colisão com a própria UE.
Na verdade, esse desrespeito pelas regras europeias não trará grandes dissabores a um Governo que olha para a Administração Trump como algo de muito mais apetecível do que a democracia europei…

O maior desafio da Europa

Há uns escassos quatro anos atrás dir-se-ia que o maior desafio da União Europeia seria a crise económica. Hoje dir-se-á que o maior desafio da Europa é a questão das migrações.
É evidente que o problema económico não desapareceu, encontrando-se apenas adormecido, à espera que uma nova crise financeira o acorde. Quanto à problemática das migrações, a UE está apenas a pagar a factura de ter contribuído para a instabilidade de Estados como a Síria e a Líbia, assim como paga também a factura de ter apostado durante décadas numa política de integração acéfala e desregulada, tratando os imigrantes com um misto de paternalismo e permissividade, criando amiúde desigualdades na forma de tratamento entre cidadãos. O resultado, como não podia deixar de ser, está à vista: endurecimento das políticas migratórias, a criação e leis cujo o alvo é especifica e unicamente os imigrantes e toda uma deriva xenófoba.
Nem a propósito, o New York Times (NYT) ofereceu aos seus leitores uma report…

Israel: Luta pela hegemonia

Herdeiro do Sionismo, o Governo israelita reforçou durante o passado fim-de-semana posições junto à fronteira setentrional com a Síria. A pretexto do incremento da luta entre o regime de Bashar al-Assad e as forças rebeldes, Israel mostra uma força mais musculada, intensificando deste modo – e na realidade – a sua luta pela hegemonia na região. Recorde-se que o Sionismo aventado no parágrafo anterior diz respeito ao principal movimento a dar origem ao Estado hebraico, defendendo o direito do povo judeu a regressar à Terra Santa e preconizando a necessidade imperiosa de garantir a sobrevivência desse Estado como forma de sobrevivência dos próprios judeus que, durante séculos, haviam sido perseguidos. Na senda desse Sionismo e junto aos Montes Golã – territórios roubados precisamente ao Estado Sírio durante a guerra dos seis dias – o Estado hebraico mostra a sua força, tendo ainda o despudor de evocar razões humanitárias para ajudar a justificar as movimentações militares. E mais: perante …

A Alemanha e os consensos

Depois de se ter dedicado ao desenvolvimento de exercícios de superioridade e subsequente humilhação, a mesma Alemanha liderada por Angela Merkel pede agora consensos entre os vários Estados-membros da UE, designadamente sobre imigração e moeda única. Depois de se ter dedicado a esses referidos exercícios, Merkel muda o disco e pede que entre Estados-membros, alguns dos quais com uma orientação política fascista e xenófoba, cheguem a entendimentos, depois da própria Alemanha, orientada por Merkel e pelo seu inefável ministro das Finanças Shau ble, ter dado o maior contributo na História da UE para esfrangalhar a UE. De resto, importa não separar essa postura alemã, que resultou num claro enfraquecimento do projecto europeu, da deriva extremista que está a tomar conta de alguns países europeus. A forma como se lidou com a questão grega foi o prenúncio da divisão. Vir agora pedir união cheira a lata desmesurada.

Eleições na Turquia

O resultado das eleições de domingo na Turquia são esclarecedoras: Erdogan, Presidente turco, foi reeleito logo à primeira volta e o seu partido, o APK, conseguiu uma maioria no Parlamento. Excelentes notícias para Erdogan e para o seu partido, o mesmo não será verdade para os turcos e seguramente não o será para a Europa e para o mundo. Na prática estes resultados permitirão concretizar as medidas preconizadas em 2017 e que se traduzem num reforço dos poderes presidenciais e num subsequente enfraquecimento dos poderes do Parlamento. Erdogan tem agora mais instrumentos para consolidar o seu poder que se tornará ainda mais autoritários e de portas abertas para a continuação do processo de islamização que já dura há largas décadas, uma islamização com contornos turcos, mas que não deixa de o ser. A Turquia com o seu modelo de Ataturk que aos olhos ocidentais representa um modelo promissor, desde logo pelo apregoado carácter secular, nunca andou verdadeiramente próxima da dem…

A desorientação europeia e o recrudescimento do fascismo

Não há como negar: a UE, transformada que está numa torre de Babel em que ninguém se entende, é o palco ideal para o recrudescimento do fascismo. Entre acusações mútuas, o facto é que perante a inexistência de políticas comuns e consensos em torno de questões sensíveis como o acolhimento de refugiados, sobra o discurso populista e xenófobo. Em suma, o discurso do medo que a Europa já tinha mais do que obrigação de conhecer. Na verdade a UE esteve demasiado tempo empenhada em castigar os Estados-membros considerados pouco cumpridores das regras económicas draconianas, designadamente aqueles que fazem parte da Zona Euro. Entrementes, o eurocepticismo ganhou proporções nunca vistas, fazendo com que o que resta do projecto europeu não passe de uma anedota velha e esgotada.  No espaço vazio deixado por aqueles considerados políticos convencionais, regressou o populismo em todo o seu esplendor. Tudo, claro está, perante a inépcia das instituições europeias. Agora os tais "in…

A cacofonia do PSD

A última semana ofereceu-nos mais um sinal de um PSD desorientado e entregue a uma particularmente audível cacofonia. E no meio da confusão está precisamente o recentemente eleito líder Rui Rio. Por um lado verificou-se falta de sintonia no que diz respeito à posição do partido sobre a luta dos professores. Por outro, essa falta de sintonia ainda é mais visível relativamente ao que deve o PSD fazer se os partidos de esquerda falharem um entendimento quanto ao próximo Orçamento de Estado. Finalmente, a posição da bancada parlamentar do PSD relativamente à questão dos combustíveis foi outro pomo de discórdia, com Rui Rio visivelmente desagradado com a votação da redução do imposto sobre os combustíveis. Depois deste contexto, torna-se por demais evidente que Rui Rio está longe de ser o líder mais ou menos consensual que o partido necessitava. De resto, anda meio-mundo preocupado com a saúde e futuro da “geringonça”, esquecendo-se de olhar para o estado de saúde do maior partido da oposição…