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Mensagens

Incêndios e a reportagem da TVI

A TVI, num exemplo perfeito do que deve ser o jornalismo de investigação, mostrou ao país os responsáveis pelo incomensurável incêndio que devorou o Pinhal de Leiria e como esse incêndio foi premeditado. A reportagem da TVI mostra uma multiplicidade de madeireiros reunidos numa cave de um restaurante a congeminarem o incêndio que devastou o Pinhal de Leiria, num registo próprio de uma qualquer máfia. Por um lado, o Ministério Público parece mais interessado em despejar na comunicação social vídeos dos interrogatórios de José Sócrates do que em investigar e levar à justiça os verdadeiros responsáveis pelos incêndios que assolaram o país no ano de 2017. Por outro lado, não se encontra justificação para que esta reportagem tenha feito tão pouco eco nos restantes órgãos de comunicação social. Fica a ideia de que é mais agradável apontar o Governo como grande responsável pelos incêndios do que trazer à luz do dia os verdadeiros criminosos. Vale mais explorar a tese que postula a ideia de q…

Quanto mais se foge...

Marcelo Rebelo de Sousa, em visita oficial a Espanha, procurou fugir da polémica em torno da questão catalã, chegando a referir que não se deve falar "do que se passa em casa do irmão". O Presidente julgava ser possível fugir de uma das questões mais prementes na Europa. Saiu-lhe o tiro pela culatra: nas Cortes Generales, os deputados independentistas cantaram "Grândola", deixando Marcelo sem reacção. O Presidente português falou, os parlamentares ouviram e no fim do discurso cantaram "Grândola, Vila Morena". Marcelo ouviu. Este episódio é paradigmático da impossibilidade de se fugir a determinados assuntos. Com efeito, a causa independentista pode ter sofrido duros golpes, mas nem por isso se extinguiu. Muito pelo contrário. O Presidente da República agiu em conformidade com a acção das instituições europeias: assobiam para o lado, procuram fugir à questão ou agem como se a questão nem sequer existisse. O tiro sai sempre pela culatra, como Marcelo, o homem …

Estar bem com Deus e com o Diabo

António Costa tem jogado bem as suas cartas, mais à esquerda, bem entendido. Nova carta se apresentou depois do congresso do PSD e depois da saída de Passos Coelho. Essa nova carta é, claro está, Rui Rio - uma carta sorridente e aparentemente aprazível, mais do que o seu antecessor Passos Coelho. Costa que até agora tem sido um brilhante estratega parece estar a perder qualidades, designadamente quando considera ser possível estar bem com Deus e com o Diabo, pegando nas palavras de Jerónimo de Sousa. Deste modo, o primeiro-ministro deixa Mário Centeno mostrar toda a sua inflexibilidade em relação ao défice - talvez para fazer boa figura no Eurogrupo - e senta-se com a tal carta sorridente - Rui Rio - para a aprovação de medidas. Os partidos à esquerda do PS vão suportando estoicamente os devaneios do PS. Mas até quando? Costa engana-se quando pensa que pode estar bem com Deus e com o Diabo; Costa engana-se redondamente se está a fazer fé num resultado brilhante nas próximas legislativas, …

Uma mudança para a qual ainda não há nome

Uns chamam-lhe nova guerra fria, outros centram-se apenas na questão síria e apelidam a nova situação de justa guerra contra o regime de Bashar al-Assad, ou qualquer coisa semelhante.  Na verdade a Síria é apenas a antecâmara para uma mudança de paradigma geoestratégico: de um lado a Rússia e a China e do outro EUA, França e Inglaterra (e uma UE amorfa e seguidista). São estes dois blocos a imporem uma mudança nos equilíbrios de poder com um dos blocos a tomar, mais recentemente, a dianteira nos ataques ao outro bloco. Por um lado assiste-se a um ataque económico à China perpetrado pelos EUA (erro estratégico contestado até por muitos republicanos); por outro lado, o mesmo bloco ataca os interesses russos, primeiro com o caso Skripal e depois com o ataque cirúrgico à Síria mexendo com interesses russos, tudo precipitado e sem provas contundentes. De igual modo, por um lado procura-se enfraquecer a China, ameaça ao poderio económico americano, por outro existe uma clara tentativa de isol…

O que dizem do Presidente

James Comey, ex-director do FBI escreveu um livro em que comparou Donald Trump, Presidente dos EUA, a um chefe da máfia “desligado da realidade”. Sendo certo que Comey foi afastado precisamente por Donald Trump e que por isso poderia muito bem estar apenas a vingar-se do Presidente, não deixa também de ser verdade que Comey é apenas mais um a juntar-se a uma longa lista de personalidades que conheceram ou que até trabalharam com Trump a fazer considerações de semelhante natureza. Voltando ao antigo director do FBI, no livro “A Higher Loyaty – Truth, Lie and Leadership”, descreve o Presidente como um “incêndio florestal”, o “chefe no controlo total, os juramentos de lealdade”. A mundi-visão de nós-contra-eles”; “...a mentira sobre todas as coisas, grandes e pequenas, ao serviço de um qualquer código de lealdade que coloca a organização acima da moralidade e da verdade”. Comey vai ainda mais longe afirmando que “o país está a pagar um preço alto. Este Presidente é anti-ético e está deslig…

A quem interessa uma guerra?

Depois da expulsão de diplomatas russos a pretexto de uma história muito mal contada envolvendo veneno e espiões russos em solo britânico, é agora a vez de, após a utilização de armas químicas na Síria cuja responsabilidade é atribuída a Bashar al-Assad, voltar a azedar as relações entre EUA (com França e Inglaterra) e Rússia, maior aliado do regime sírio. O inefável Presidente Trump fala em mísseis que vão a caminho da Síria, Macron, Presidente Francês, põe mais lenha na fogueira e May, aquela espécie de primeiro-ministra britânica, está inexoravelmente ao lado dos EUA dando os seus contributos para aumentar a acrimónia com a Rússia.  A quem interessa a guerra? Aos três protagonistas acima indicados. Trump, investigado em casa, encontra na guerra a maior forma de desviar as atenções, paralelamente, a guerra é qualquer coisa que parece causar acentuada excitação no Presidente americano; Macron quer ser o líder francês a recuperar espaço e importância para uma França decadente há longa…

Os compromissos externos

O actual Executivo, coadjuvado pelos partidos à esquerda do PS, representa uma incomensurável evolução sobretudo se compararmos com o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Os exemplos são abundantes: a cessação de cortes nas pensões e salários, na reposição de rendimentos, na cessação de cortes nos pilares do Estado Social, na filosofia que repudia que a culpa da situação difícil pertence a cada um de nós, sabe-se lá porquê.  Todavia, existem falhas, algumas delas clamorosas como é o caso da mais abjecta falta de condições para as crianças com doença oncológica no S. João no Porto. Injustificável dir-se-á, e no entanto é com facilidade que encontramos a razão que subjaz à tal falta de condições: os compromissos externos, o serviço da dívida, a Zona Euro, tudo a mesma coisa. E tal como já se disse neste mesmo espaço, contrariamente ao que se promove como ideia de futuro, os pilares do Estado Social continuarão a ruir, desta feita às mãos da esquerda, tudo em nome dos compromissos ext…