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Mensagens

O que vai acontecer ao que resta de Passos Coelho?

Passos Coelho está acabado politicamente e, pior de tudo, quase ninguém está a dar por isso, excepto os seus apaniguados. O congresso marcado para este mês ditará o fim oficial de Passos Coelho, sem lágrimas. Resta uma orfandade que terá votado no adversário do presidente eleito do partido, Rui Rio, saindo também desse particular no papel de derrotados. O seu futuro político é particularmente difícil e existe até quem já se tenha apercebido das dificuldades que se avizinham, como parece ser o caso de Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar que, não se revendo na "estratégia de Rui Rio", abandona o cargo. Na calha poderá estar também o próprio presidente do grupo parlamentar Hugo Soares, embora Carlos Abreu Amorim considere que a saída do líder do grupo parlamentar não acontecerá. Carlos Abreu Amorim, a par de outros órfãos de Passos Coelho, apoiaram Pedro Santana Lopes que consideravam ser o candidato mais indicado para continuar a trabalho de neoliberalismo…

Para onde vai a esquerda II

Perante o claro falhanço das políticas neoliberais em 2008 que se transformaram na norma nos últimos trinta anos, a esquerda voltou a ter uma oportunidade para recrudescer e, sobretudo, para recuperar a sua identidade. Aparentemente essa oportunidade terá sido desperdiçada, pelo menos seria esse o pensamento dominante e o que se depreende dos resultados eleitorais um pouco por toda a Europa. Contudo, surge uma solução governativa de esquerda onde menos se esperava: em Portugal, país fortemente atingido pelas receitas neoliberais que procuram curar os males também eles neoliberais. Essa solução política embora não constitua uma ruptura com as ditas políticas neoliberais, procurando antes um caminho alternativo cujos resultados são, ainda assim, francamente positivos. A solução política cozinhada pelo PS liderado por António Costa, pelo PCP, Bloco de Esquerda e Verdes é indiscutivelmente uma esperança para a esquerda europeia, provavelmente a única esperança, desde logo por se tratar de u…

Para onde vai a esquerda?

O acordo na Alemanha entre conservadores da CDU de Merkel e sociais-democratas de Schultz para um governo de coligação pode servir de mote para uma discussão sobre o rumo que o que resta da esquerda tem vindo a adoptar na Europa.  Existe uma estratégia adoptada por vários partidos de esquerda que se resume a uma aproximação excessiva à direita, ao ponto de já nem sequer fingirem que são partidos de esquerda, facto que resultou no enfraquecimento e quase desaparecimento de vários partidos de esquerda, designadamente socialistas e sociais-democratas. Nas coligações como aquela que se repete na Alemanha, assiste-se sobretudo ao esvaziamento dos partidos de esquerda, transformados em excrescências com utilidade irregular - servem para formar maiorias que permitam governar, acabando mesmo por anuir na prossecução de políticas verdadeiramente de direita. A esquerda moderada vai-se tornado irrelevante, muito por culpa própria: aproximação e confusão com a direita, incapacidade de adoptarem u…

Nova doutrina nuclear

Donald Trump não cessa de nos surpreender pelas piores razões, naturalmente. Assim, é anunciado um investimento na produção de bombas nucleares com menor potência, como forma de fazer face à Rússia, num contexto de recrudescimento dos perigos nucleares. Uma espécie de regresso aos anos 50 e 60, mas com bombas mais pequenas, mas ainda assim capazes de dizimar entre 70 mil a 100 mil pessoas. E esta doutrina nada tem que ver com as constantes suspeições a envolver Trump e os russos, com favorecimento do primeiro nas últimas eleições. Nada disto serve para desviar atenções. De resto, existe mesmo um relatório americano que dá conta da expansão nuclear russa, pelo menos desde 2010. É por demais evidente que os russos nunca ajudariam Trump a vencer as eleições. Nunca. Um absurdo. "Fake News". Democratas com mau perder. Seja como for, sendo ou não esta uma tentativa de apontar armas à Rússia com o objectivo de limpar a imagem de uma Administração sem pés nem cabeça, o facto é que o…

Uma notícia esperada

A notícia que dá conta de que as alterações climáticas estão a dar um forte contributo para secar a Cidade do Cabo, na África do Sul, não será propriamente uma novidade que espanta o mundo. Nem tão-pouco o facto de existir uma metrópole a ficar sem água - amanhã e não daqui a cinquenta anos - não pode deixar o mundo de boca aberta. Todos sabemos que o impacto das alterações climáticas é real e está já a sentir-se. Haverá quem ignore esta realidade e outros, por razões sobretudo económicas, procurem descredibilizar quem chama a atenção para estes factos, mas a realidade impera e abate-se já sobre nós. É certo que os problemas de água da Cidade do Cabo não são apenas consequência das alterações climáticas, já que a incapacidade de resposta política e falta de organização política terão dado os respectivos contributos, o que não invalida ou enfraquece o impacto da seca - facto que se prolonga por três anos. E segundo vários especialistas essa seca não só se transformará na normalidade com…

Centeno cai nas malhas de um não-assunto

Uma comunicação social decadente, um Ministro que tem dado nas vistas pelas melhores razões, o desespero de uma certa direita e uma Justiça que parece não se querer livrar do descrédito que a ensombra. A receita para um não-assunto se transformar no assunto do dia, da semana e do mês. Refiro-me ao não-caso envolvendo o ministro das Finanças e bilhetes para um jogo do Benfica, alegadamente no sentido de Mário Centeno favorecer pessoas ligadas ao Benfica através de uma isenção em sede de IMI. E nem o facto de Centeno não lidar directamente com estes assuntos impediu e impede a comunicação social de se aproveitar, mesmo sabendo que têm uma mão cheira de nada. À comunicação social decadente juntam-se alguns políticos que levantam a voz se alguém comprar uma barra de chocolate com dinheiros públicos, mas remetem-se ao silêncio no que diz respeito à grande corrupção, aos paraísos fiscais, chegando a promover uma desregulação sem pudor que resulta em prejuízos incomensuráveis para os contribu…

Primeiro discurso do Estado da União

Donald Trump fez o seu primeiro discurso do Estado da União. Altivo, cheio de si próprio e alheio ao facto de ter as mais baixas taxas de popularidade de que há memória, Trump decidiu proclamar um "novo momento americano", facto difícil de refutar: os EUA atravessam um momento novo, diferente, pior. O Presidente americano não se coibiu de proferir um quantidade inusitada de auto-elogios. Aparentemente, e segundo Trump, a economia americana só vai bem graças ao seu trabalho que começou há pouco mais de um ano. De resto e já que estamos numa de reclamar responsabilidades, importa dizer que, a julgar pelas palavras de Trump, a vitória contra o Daesh no Iraque e na Síria deve-se, evidentemente, a Donald Trump. Dito por outras palavras, o discurso do Estado da União foi mais uma oportunidade para o Presidente americano mostrar o seu vazio e egocentrismo. Assim como se tratou de uma nova oportunidade para se perceber como Trump contribui para a desunião, mesmo que tenha afirmado que…