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Mensagens

Publicidade enganosa

O CDS acusou o Governo de publicidade enganosa. Trata-se de mais um caso em que os centristas acusam os outros de características que, afinal, lhes pertencem. E veio isto a propósito da discussão no Parlamento sobre Educação. Assim, Cristas e seus apaniguados passaram o tempo a acusar o Governo de desinvestir na Educação, culminando aqueles discursos brilhantes com a frase "publicidade enganosa". À esquerda muitos mostraram-se incapazes de conter os risos. Publicidade enganosa. Falou quem pertenceu a um Governo de irrevogáveis e medíocres que diziam estar a tapar o buraco aberto por José Sócrates, procurando sempre ir mais longe do que era imposto e, ainda assim, garantindo, com aquele ar sério, que estavam a salvaguardar os serviços públicos. Pelo caminho aproveitaram o contexto para proceder a privatizações e outras negociatas. Mais uma vez Cristas e os seus apaniguados escorregam nas suas próprias contradições e fazem-no como se estivesse a dançar artisticamente. A public…

Vender a alma ao Diabo

Manuela Ferreira Leite,  incapaz de esconder a excitação pela eleição de Rui Rio, sublinhou a possibilidade do seu partido poder "vender a alma ao Diabo" com o intuito de afastar o PS e a esquerda do poder. "Da mesma forma que o Bloco de Esquerda e o PCP têm vendido a alma ao Diabo, exclusivamente com o objectivo de pôr a direita na rua, acho que ao PSD lhe fica muito bem se vender a alma ao Diabo para pôr a esquerda na rua". Ora, depois de tanta sapiência aliada a uma loquacidade inaudita, coloca-se a seguinte questão: como é que Manuela Ferreira Leite vê o Diabo vender a alma (se é que a tem) a outro Diabo? Será esta uma nova versão da lenda de Fausto, uma versão desencantada lá para os lados da São Caetano? Compreende-se o entusiasmo de todos aqueles que abominaram os anos de Pedro Passos Coelho, precisamente agora que ainda líder do PSD se prepara para fazer parte do passado e depois do seu séquito apoiar o candidato derrotado, Pedro Santana Lopes. Compreende-s…

Alguém está a preparar a despedida?

Pedro Passos Coelho que já tinha avançado que sairia da liderança do PSD, volta a partir corações, desta feita com o anúncio de que abandonará também o Parlamento. Resta saber se já haverá quem esteja a preparar a despedida. Pesaroso com o facto de não ter chegado a um segundo mandato, isto porque a democracia funciona, o ainda líder do PSD mostrou-se invariavelmente incapaz de ultrapassar a sua condição: líder do PSD e deputado. Depois de ter contribuído decisivamente para a vinda da troika - facto convenientemente esquecido -, Passos Coelho escolheu o pior dos caminhos: uma austeridade que postulou sacrifícios incomensuráveis para trabalhadores e pensionistas e o recrudescimento de potenciais negócios, numa espécie de eldorado para as empresas e suspeitos do costume. Agora confrontado com a dura realidade (fora do Governo e na sombra dos sucessos do actual Executivo) Passos Coelho sai de cena, uma verdadeira inevitabilidade, sem no entanto fechar definitivamente a porta da política,…

Eleições no PSD

As eleições no PSD, tendo em conta os candidatos, resultam em muito pouco, ou seja quase nada. Rui Rio venceu sem surpresa as eleições. De resto, as sondagens indicavam invariavelmente a vitória do ex-Presidente da Câmara do Porto. E o que é que Rui Rio trará de novo ao partido? A ideia de um bloco central volta a ganhar força, dando particular ânimo aos negócios, ficando no entanto por se saber se a outra parte alguma vez estará disponível para voltar a dançar o tango com o PSD. Esta é a grande diferença que Rui Rio acarreta, sobretudo quando Passos Coelho e Santana Lopes recusaram essa possibilidade. Internamente, a vida dos órfãos de Passos Coelho complica-se. Contrariamente a Santana Lopes, Rio começou, ainda antes de se saber o resultado das eleições, a enviar recados para o partido, designadamente depois de Relvas ter falado. Recorde-se que Passos Coelho era pai e Relvas mãe – ultimamente ausente, mas ainda assim mãe. No cômputo geral, estas são as novidades que Rio traz. Porém, a…

Trump - o rei que transforma tudo em merda

Quem esperava o Rei Midas desengane-se, aparentemente o melhor que os americanos conseguiram arranjar foi alguém que orgulhosamente transforma tudo o que toca em merda - o Rei Trump, não num contexto mitológico, mas num pesadelo sem precedentes.  Vem isto a propósito de mais um exemplo do que acima foi explanado e desta vez num episódio que inclui a palavra "merda", ou melhor "países de merda" (shitholes), mais concretamente: "Porque razão temos todos estas pessoas de países de merda a virem para aqui?". O Presidente americano referia-se a países como o Haiti, Salvador e países africanos, dando igualmente conta da sua preferência por noruegueses. A frase, acompanhada por outras pérolas como "para que é que queremos haitianos aqui?" ou "Para que é que queremos estas pessoas de África aqui?", foi proferida numa reunião na Casa Branca, na qual dois senadores apresentaram ao Presidente um projecto de lei migratório para a concessão de visto…

PSD: um debate decisivo

Seria suposto tratar-se de um debate decisivo aquele que teve lugar nos estúdios da TVI, no dia 10. Não terá sido o caso, tratou-se, ao invés, de um debate que nada acrescentou porque nada existe a acrescentar, existe apenas vazio de conteúdo, de ideias, de projectos, de futuro com ambos candidatos presos ao passado por não terem qualquer espécie de futuro para oferecer. Santana Lopes cola-se o mais que pode a Passos Coelho (está a contar com a orfandade do ainda Presidente do partido para ganhar as eleições) procurando escamotear um passado pejado de falhanços, não se livrando, por muito que tente, de uma certa aura de chico-espertismo.  Rui Rio quer parecer sério, credível, em inexorável oposição ao seu adversário, posicionado menos à direita, mas resta também o vazio que partilha com Santana, a par de uma certa artificialidade. Rio tenta sobretudo parecer mais sério do que Santana, o que, sejamos realistas, não é particularmente difícil. Ambos querem ter a orfandade de Passos Coelh…

Desinvestimento na Saúde

Depois de anos de desinvestimento no Sistema Nacional de Saúde, por imposição externa e por se tratar de uma área particularmente apetecível para os negócios, o actual governo socialista, apoiado pelos partidos à sua esquerda, não tem vindo a repor o que foi retirado. O resultado não pode propriamente surpreender: listas de espera que continuam a ser um problema, quer para consultas, quer para intervenções cirúrgicas; serviços de urgência atolados, mais ainda no pico da gripe; displicência no que diz respeito a determinadas áreas da saúde, designadamente na saúde mental; incapacidade de resposta a doenças prolongadas e cuidados paliativos. É também neste contexto que surgem imagens de serviços de urgência repletos de gente em agonia ou até de recepções de hospitais onde são despejados doentes.  No entanto, e apesar de importância das imagens sobretudo para um debate que já deveria ter acontecido, desenganem-se aqueles que consideram serem estes actos louváveis, sem quaisquer objectivo…