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Mensagens

Um sonho adiado. Talvez

Quinta-feira, dia de eleições na Catalunha, depois das semanas conturbadas que culminaram com a saída do país de Puigdemont e com a aplicação do famigerado artigo 155 que permite ao Governo espanhol tomar conta da região. As sondagens valem o que valem - frase gasta, mas que contém em si um fundo de verdade. Ainda assim, tudo parece indicar que o sonho independentista não passará disso mesmo de um sonho. A razão que se prende com essa hipotética derrota dos independentistas não passa, como muitos gostariam, pela a súbita fama da líder dos Ciutadans (Cidadãos) - amada pela comunicação social e que surge nas sondagens bem posicionada, sobretudo numa das últimas sondagens em que fica em primeiro lugar, tecnicamente empatada com a Esquerda Republicana Catalã. A razão, ou conjunto de razões, prende-se antes com o velho e conhecido medo, medo de sair de Espanha e medo de sair da União Europeia; medo de mergulhar no desconhecido; designadamente medo das consequências da independência. Perant…

Alabama

Foram necessários 25 anos para o Alabama eleger um democrata. Foi na semana passada que Doug James, candidato pelo partido democrata, conseguiu bater o republicano Roy Moore por 1,5 pontos percentuais. Moore, importa lembrar, tem vindo a ser acusado de assédio e abuso sexual de menores, mantendo apesar de tudo isso o apoio de Donald Trump. As acusações a Moore são graves e estão muito longe de serem inverosímeis, e ainda assim o candidato ultra-conservador quase conquistou o lugar. E para que tudo fique mais claro, lembrar também que no Alabama, Trump conseguiu ficar mais de 20 porcento à frente de Hillary Clinton. Alguns democratas vêem a eleição de Doug James como promissora - uma espécie de pronúncio para o que aí vêm em 2018, com a consolidação da ideia de que talvez seja possível conquistar ambas as câmaras nas intercalares. Paralelamente, este resultado também está a ser visto como um sinal de que Trump e parte do partido republicano talvez tenham ainda menos força do que se pens…

PS: Confusões

Carlos César, Presidente do PS, em entrevista ao Público, afirma não "querer ser confundido com uma pessoa do Bloco de Esquerda ou do PCP", amenizando a frase com a ideia de que é do PS (uma evidência) e que quer manter a sua identidade, salientando as diferenças. Em suma Carlos César não quer confusões. Muito provavelmente também ninguém no Bloco ou no PCP anseiam por ser confundidos com pessoas do PS.  Todavia e pese embora a frase possa soar, em larga medida, inócua, fica um ligeiro rasto de uma outra ideia: a da existência de pessoas - já que estamos numa de pessoas - pobres e mal-agradecidas. Por outro lado, não é de descartar a possibilidade de também existir quem sinta saudades de um bloco central, onde os interesses confluem. Convém, no entanto, não esquecer que esses ditos blocos centrais têm contribuído fortemente para a ruína dos partidos socialistas um pouco por toda a Europa, com a respectiva alienação da natureza ideológica de esquerda dos ditos partidos socialis…

Quando o jornalista é o protagonista 

A TVI apresentou uma reportagem sobre uma importante instituição de solidariedade social - a Raríssimas - o que resultou no afastamento da sua Presidente e na queda de um secretário de Estado. A reportagem em si revela um panorama desolador do ponto de vista moral e é importante no âmbito do próprio jornalismo de investigação, particularmente pobre em Portugal. No entanto, a jornalista Ana Leal preferiu percorrer o caminho inquisitorial, designadamente na entrevista que fez ao secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, envolvido no caso. Ao invés de procurar esclarecimentos, a jornalista optou por se transformar em inquisidora, socorrendo-se exageradamente de pretensas provas que se traduzem no "diz que disse", fazendo insinuações maliciosas, tudo num tom inquisitorial. Ana Leal transformou-se na protagonista, cujo papel é o pior papel que um jornalista pode desempenhar: o de inquisidor. Não se pretende com esta crítica ilibar o secretário de Estado de responsabilidades, i…

Ainda Jerusalém

Quando crítico o reconhecimento de Jerusalém, feito pelo inefável Trump, como sendo capital de Israel não o faço com a intenção de defender a tese que postula que essa cidade deve ser a capital da Palestina que, diga-se de passagem, nem tem reconhecimento como Estado por parte de Israel. A cidade de Jerusalém não pode ser considerada a capital do que quer que seja. No âmbito das reivindicações, como escolhemos fundamentar a tese de que Jerusalém pertence a um ou a outro povo? Qual dos livros escolhemos para fundamentar a quem pertence Jerusalém? A Bíblia, designadamente o Antigo Testamento, mais concretamente o Pentateuco, mais concretamente a história da Terra Prometida - Canãa, prometida a Abraão e aos seus descendentes? Ou preferimos basear a nossa tese na história do Rei David, o mesmo que venceu o gigante Golias? Ou opta-se ainda pela versão do Corão, a história que indica que o Profeta ascendeu ao paraíso a partir de Jerusalém? Qual tem mais validade? E Cristo não tem voto na ma…

O que é que falta perceber?

Quando o mundo inteiro se insurge contra a manifestação de Donald Trump de passar a embaixada de Israel para Jerusalém não se está a colocar de um lado ou de outro, mas a deitar as mãos à cabeça tendo em conta a violência que pode recrudescer numa zona já por si periclitante. Ainda assim há quem não compreenda a razão que leva tantos a deitarem as ditas mãos à cabeça. Jerusalém é um eterno palco de violência, embora paradoxalmente considerada terra sagrada para as três religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islão. Sendo certo que na verdade a cidade seja controlada por Israel ao arrepio das Nações Unidas, a resolução do problema nunca pode passar por declarar a cidade de Israel, como não poderia passar por declarar a cidade da Palestina ou do Vaticano. A solução tem que passar pelo crivo de ambas as partes e não por qualquer declaração unilateral.  Assim, vemos o isolacionismo - novamente dos EUA - com a embaixadora americana nas Nações Unidas a proferir frases que devem fazê-l…

O que move Donald Trump?

O que move Donald Trump? Para além do seu ego? A última peripécia pode lançar o Médio Oriente e não só para o caos – o reconhecimento de Jerusalém capital de Israel não é apenas uma afronta, mas um retrocesso sem precedentes, num contexto já por si particularmente difícil. E então? O que move Trump? No caso concreto de Jerusalém, há várias possibilidades: agradar à facção mais extrema do Partido Republicano; agradar a grupos de pressão judaicos; agradar a uma indústria do armamento que vê novas possibilidades de negócio se abrirem com este disparate; tentativa de mostrar ao seu séquito que está empenhado em cumprir promessas – esta última hipótese é promissora na precisa medida em que qualquer idiota com um grande ego necessita do reconhecimento de outros idiotas. No entanto e apesar destas hipóteses, o que leva Trump a procurar o isolamento dos EUA, nesta questão em particular, como no caso do Acordo de Paris e de praticamente todas as medidas anunciadas? A resposta pode muito bem ser i…