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Mensagens

4 partidos, 4 semanas. Resultado: novas eleições

4 partidos (CSU, conservadores sociais cristãos, CDU, partido conservador liderado por Angela Merkel, os liberais do FDP e Verdes), 4 semanas de negociações. Resultado: zero. Não há acordo e muito provavelmente a realização de novas eleições. Terá sido o FDP a fragilizar e inviabilizar o acordo conhecido por Jamaika (correspondência das cores dos partidos com a da bandeira daquele país). Contrariamente ao que se poderia esperar, as dificuldades não vieram dos Verdes, partido que tem vindo a virar à direita, rendendo-se aos encantos do neoliberalismo. Foi mesmo o FDP a colocar um ponto final na questão. Segundo a imprensa, existiram dois temas quentes na agenda de negociações: refugiados e clima, sendo que era neste último tema que os Verdes procuraram reclamar a sua agenda ecológica. Mas terá sido sobretudo a questão dos refugiados a colocar pressão numa ferida que parece cada vez mais aberta e cujas receitas para que se verifiquem melhorias não parece estarem ao alcance dos principais …

Angola: sinais promissores?

O afastamento dos filhos do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos das principais empresas do Estado, sobretudo da filha Isabel dos Santos da Sonagol, são, aparentemente, sinais promissores. Sinais de que João Lourenço, apontado como sucessor de Eduardo dos Santos no MPLA e dos destinos do país, quer mudar Angola. Se esses sinais podem significar uma verdadeira mudança já é, naturalmente, e para já, uma incógnita. O que é certo é que até ao momento João Lourenço fez mais de 60 exonerações, apelidado já de "exonerador implacável". Depois de 38 anos de poder e de uma guerra civil, José Eduardo dos Santos afastou-se da presidência, deixando os filhos em locais estratégicos dos negócios angolanos. Até às últimas semanas imperou a ideia de que João Lourenço mais não era do que a continuidade de Eduardo dos Santos e nem se sonharia com os afastamentos agora verificados. Porém, o novo Presidente angolano parece disposto a encetar verdadeiras mudanças, começando exactamente p…

A vontade política e os compromissos

A greve dos professores trouxe, uma vez mais, ao de cima as dificuldades que este ou qualquer outro Governo encontraria para corrigir esta e outras tantas injustiças. Todavia e contrariamente ao anterior Executivo, este tem na sua cartilha ideológica a vontade política de corrigir injustiças, pelo menos a vontade está lá, e a prova disso mesmo prende-se com a reposição de rendimentos que são apanágio do Governo de Costa, coadjuvado pelos partidos mais à esquerda. Esta é uma diferença fundamental: os recursos são parcos, os constrangimentos externos incomensuráveis, mas ideologicamente este Governo procura uma justa redistribuição de rendimentos, totalmente o contrário do que fazia o anterior governo.  Com efeito, o Governo de Passos e Portas deram um forte contributo para o alargamento do fosso entre quem mais tem e quem pouco ou nada tem, fomentando desigualdades e injustiças que fazem parte da cartilha que seguem, nunca se coibindo de promover divisões entre os cidadãos, com especial…

Um descaramento sem fim

Os partidos da direita, os que há muito perderam o rumo, procuram alcançar ganhos políticos com tudo o que cheire a tragédia. Foi assim com os incêndios e tem sido assim com os casos de legionella. A conversa assenta invariavelmente no mesmo pressuposto: o Governo PS, coadjuvado pelos partidos da "esquerda radical", não conseguem garantir as principais funções do Estado relacionadas com a segurança dos cidadãos.  Assim, e tendo em conta que não existe outra estratégia que não passe pelo aproveitamento da desgraça, PSD e CDS unem esforços e atiram na mesma direcção. Tudo isto seria muito bonito não fosse o caso destes partidos que agora estão na oposição terem levado um elevado número de cortes nas funções do Estado. Ora, ainda assim tanto um partido como o outro não se coíbem de apontar o dedo a este Governo como se a austeridade até à morte não estivesse ainda a colher vítimas, como continuará a fazê-lo, sobretudo em áreas como a saúde. Por outro lado, ao PS pode-se apontar o…

As contradições de um partido sem rumo

Já com o sentimento de orfandade a perpassar o partido, o líder da bancada parlamentar do PSD acusa o Governo de estar a falhar onde o Estado não pode falhar. Vem agora isto a propósito do surto de "legionella" no Hospital São Francisco Xavier. Esta acusação não é inédita e foi exaustivamente repetida aquando da questão dos incêndios, sobretudo depois do pai Passos Coelho ter cometido um monumental erro ao ter procurado aproveitar-se de suicídios que nunca existiram no rescaldo de Pedrogão Grande.  O argumento único repete-se assim e repetir-se-á sempre que for possível, até porque não há mais nenhum. No entanto, tudo se desmorona quando procuramos aprofundar o tema, designadamente os porquês. As respostas acabam invariavelmente por fazer ricochete. No caso dos incêndios e para além da questão dos eucaliptos fortemente promovidos pela ex-ministra da Agricultura, Assunção Cristas, fica também no ar o enorme desinvestimento na floresta, mais um que se inseria no contexto da au…

Trump: um ano

Com a mais baixa taxa de aprovação dos últimos 70 anos, a rondar os 37 %, Donald Trump cumpre o seu primeiro ano de mandato. Um ano que, a julgar pelos aspectos negativos, é sentido como uma década de provação. Um ano marcado por gaffes, fait-divers, palhaçadas e uma enorme prepotência conjugada por uma igual boçalidade; um ano marcado pela incapacidade em cumprir as mais emblemáticas promessas, designadamente o fim do Obamacare e o famigerado muro a separar os EUA do México; um ano marcado pelas estranhas relações entre a campanha de Trump e a Rússia, com graves suspeita de influência russa nas eleições americanas; um ano marcado pelo agravamento das divisões no seio da sociedade americana, com especial enfoque nas divisões raciais, e com o Presidente a fomentar essas mesmas divisões. Em suma, um ano em que não é possível destacar-se quaisquer aspectos positivos numa presidência que corre o sério risco de vir a ser considerada a pior de todos os tempos. Mas nada disto parece afectar o…

A política transformada em paródia

Páginas de jornais, tempo de antena em abundância cuja finalidade é retratar ou criticar a paródia em que se transformou a presidência americana. Trump em visita oficial ao Japão transforma-se em mais uma oportunidade de descrever as verdadeiras palhaçadas protagonizadas por aquele que é incrivelmente o Presidente americano. Todavia, essas páginas de jornais e tempo de antena e, claro está, críticas, vídeos, fotos, etc na internet, constituem uma monumental perda de tempo e, mais grave, acabam por dar um contributo decisivo para que se desviem as atenções do essencial - a política.  Reconheço que se torna irresistível não tecer uma crítica, não escrever umas frases ou publicar uns vídeos ou fotografias das peripécias de um Presidente que pensa poder dizer e fazer o que bem entende, tudo num contexto da mais abominável mediocridade. Ainda assim, a nossa incapacidade colectiva de não resistir a essa compreensível tentação, reduz consideravelmente o espaço para que se discutam as políticas…