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Mensagens

Moção de censura

Já são perto de 30, mas quem está a contar? E apenas uma resultou na queda de um Governo - o de Cavaco Silva, não se tendo perdido, verdadeiramente, nada. Agora é a vez do CDS, a reboque da tragédia dos incêndios, procurando vender uma explicação simplista, apanágio da demagogia: a responsabilidade dos incêndios e da tragédia que os mesmos causaram são responsabilidade do Governo de António Costa, desde logo porque em quatro meses - desde Pedrogão - não se fez o que em quatro décadas não se tem feito. Assunção Cristas, líder do partido desde a saída do famigerado Paulo Portas, tem-se sentido bem. Com um PSD apagado e em transição, o CDS procura crescer, mas apenas em número de votantes, porque em matéria de maturidade política o que se tem visto sob esta liderança deixa muito a desejar: demagogia barata, ausência de ideias e de projectos e um simplismo hediondo. Afinal de contas, e em muitos casos, tem sido precisamente essa a receita para ganhar eleições.
Apoiado por um PSD à procura d…

PSD: Clarificação ideológica

Considerado um "catch all party", o partido que pretende chegar a todos, numa tradução particularmente livre, o PSD prepara-se para uma nova liderança, sendo que um dos candidatos - Pedro Santana Lopes - promete uma clarificação do partido. Não se sabe se essa será uma clarificação também ela de natureza ideológica, mas se for, em que espaço ideológico ficará o PSD? Continuará na senda do neoliberalismo, caminho percorrido, com especial, prazer por Pedro Passos Coelho? E o que será feito dos herdeiros do ainda Presidente do partido? Rui Rio, aparentemente, ainda terá a social-democracia na cabeça, o mesmo não se passará com Pedro Santana Lopes que dificilmente resistirá ao populismo que lhe é inerente e, consequentemente, apelará ao séquito de Passos Coelho com as políticas de centro-direita, a resvalar para o misto de neoliberalismo e mediocridade a que Passos Coelho nos habitou. Pese embora um certo falhanço do neoliberalismo na Europa, a verdade é que ele, um pouco menos vi…

Artigo 155

Aí está o famigerado artigo 155 da Constituição espanhola, finalmente evocado por Mariano Rajoy. Quer isto dizer que se suspende a autonomia da região da Catalunha e governa-se a partir de Madrid. Ora e apesar das pretensas ilegalidades cometidas pela Generalitat e profusamente evocadas por Rajoy, a verdade é que a aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola pressupõe o enfraquecimento da democracia, não serão os representantes eleitos para governar a região a tomar decisões, mas sim o poder central. Indiscutivelmente assiste-se a uma perda de soberania. O resultado da suspensão da autonomia anula também qualquer espécie de diálogo e espera-se assim uma maior pressão por parte dos independentistas. Espera-se em consequência, uma declaração formal e inequívoca de independência. Está em jogo a autonomia, a monarquia, e agora, mais do que nunca, a própria legítimas aspirações democráticas dos Catalães. Rajoy espera dobrar os independentistas, através, num primeiro momento, da repressão…

"Enquanto fui ministra não houve uma tragédia de grandes proporções"... isso e pode ser que chova. Rezemos.

Percebe-se que Assunção Cristas se sente galvanizada com os resultados obtidos em Lisboa; compreende-se que Cristas se sinta satisfeita por ninguém falar de Paulo Portas; compreende-se ainda que a líder do CDS encontre particular felicidade no facto de, perante o quase vazio de poder no PSD e face ao enfraquecimento do maior partido de direita, o seu próprio partido tenha vindo a sentir um novo alento. Mas não resistir a tanta demagogia sobretudo em tempos difíceis não a engrandece como a ex-ministra da Agricultura e afins poderá pensar. Enquanto foi ministra o seu Governo aplicou cortes nas florestas e incrementou a plantação de eucalipto com as consequências que todos conhecemos, e nos intervalos rezava para que chovesse. Agora, emproada na bancada da oposição, sente que vale tudo para deitar o Governo abaixo e sente sobretudo que este seria o melhor momento para que isso acontecesse: tem do seu lado os resultados positivos das autárquicas, a par de um PSD em gestão, à espera de um no…

Demissões

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, demitiu-se e Costa aceitou, consequência directa da intervenção do Presidente da República que num discurso repleto de "recados", passou ao lado do essencial: a necessidade de todos os agentes políticos e da sociedade no seu conjunto encontrarem caminhos para minimizar os efeitos de um clima que, por muito que por aí se apregoe, já não é o que era, para além de caminhos para combater todos os que de forma mais ou menos deliberada têm responsabilidades pela destruição da floresta. No dia seguinte a mais uma tragédia que resulta de incêndios, não parece haver ponderação suficiente para que se investigue, a fundo, a razão para o que aconteceu naquele fatídico dia, e muito menos haverá tempo para esperar pelas conclusões das investigações. Não podemos honestamente considerar que a existência de mais de 500 ignições entra num contexto de normalidade, nem podemos acreditar que este ou qualquer outro Estado têm meios pa…

Responsabilidade política

Ora aí está uma conjugação de palavras que dará pano para mangas, pelo menos enquanto a comunicação social assim o desejar. Depois de mais uma tragédia fruto dos incêndios, vozes se levantam, nos partidos de direita e na comunicação social, clamando por responsabilização do Governo, que se consubstanciará na demissão da ministra e quem sabe do próprio primeiro-ministro. O problema é sempre político, embora seja também cultural. O problema é político, desde logo porque é competência do Estado salvaguardar a segurança dos seus cidadãos e, no que toca a incêndios, o Estado falhou, como tem falhado nas últimas décadas. O que as alterações climáticas têm vindo a produzir tornou esses falhanços tragicamente mais evidentes. E o Estado falha sobretudo na divulgação de informação e na fiscalização. Nem tão-pouco olha com a atenção devida para os negócios que por aí proliferam à custa da florestaqueimada.
Por outro lado, são conhecidos as más práticas na floresta. A título de exemplo e segundo o…

Catalunha ainda sem solução

Recorde-se que o Governo espanhol tinha dado um ultimato a Puigdemont, presidente do Governo da Catalunha: tinha até segunda-feira, às 10h, para clarificar a questão da independência, sempre com a ameaça da suspensão da autonomia como pano de fundo. Ontem esse prazo chegou ao fim, e o Governo espanhol decidiu dar até à próxima quinta-feira, data em que Puigdemont deve fazer não só a clarificação como explicar ao Governo central como vai repor a legalidade. Puigdemont, por sua vez, enviou carta a Rajoy propondo a abertura ao diálogo, sem no entanto fazer qualquer clarificação quanto à questão da independência, apontando, ao invés, para um prazo de dois meses para que sejam encetadas conversações. O que se depreende destes novos prazos é que ambos os lados parecem dispostos apenas a ganhar tempo, sobretudo a Generalitat de Puigdemont. Com efeito, nem mesmo o Governo espanhol se mostrou assim tão empenhado em evocar o famigerado artigo 155 da Constituição e subsequente suspensão da autonomi…