O
ainda líder do PSD, Pedro Passos Coelho, vem manifestando uma
inusitada atracção por números: antes dos números do desemprego
haviam sido os números de vítimas mortais de Pedrogão, tudo em
escassos dias, sendo certo que o antigo primeiro-ministro optou por
deixar aos seus apaniguados a tarefa de entrar em discussões
surreais e abjectas. Mas a obsessão com os números está lá. Agora
o PSD, desta feita através do seu líder, continua não só com a
referida obsessão como com os delírios. Então não é que a
redução significativa do desemprego, recuando para níveis de 2008,
se deve ao PSD e não ao Executivo que está há quase dois anos em
funções. O
actual primeiro-ministro recordou as palavras do líder do PSD que
davam conta dos perigos de um aumento do salário mínimo,
correlacionando esse aumento com a subida do desemprego. António
Costa recordou ainda outro fascínio de Passos Coelho: a emigração.
Assunto sobre o qual já se disse e escreveu o suficiente. Não
deixa pois de ser curioso assistir …
Para a construção de uma sociedade justa e funcional é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: a protecção do ambiente, o bem-estar social com a necessária eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. No entanto, estamos a falhar clamorosamente o primeiro objectivo, o que faz com tudo o resto seja inexoravelmente sem importância.