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Mensagens

Trump e a comunicação social

Quando pensávamos que Trump não poderia descer mais baixo e depois ainda de ter deixado, precisamente neste espaço, umas linhas sobre as suas alarvices, não é que o Presidente dos EUA volta-nos a surpreender pela negativa através da colocação no habitual Twitter do próprio a agredir a CNN. Desta feita, não chega falar em simples alarvices. O caso é mais grave na medida em que existe um claro incitamento à violência contra a comunicação social, concretamente contra a CNN. Tudo ainda mais surreal quando é o Presidente dos EUA a colocar o referido vídeo. Trump, por diversas ocasiões, prestou-se à triste figura de atirar farpas à comunicação social, chegando a elegê-la como inimigo número um. Desde as famigeradas "fake news", passando pelo triste episódio em que o candidato Trump imitou, procurando ridicularizar, um jornalista com incapacidade física, foram muitos - demasiados - os episódios contra órgãos de comunicação social, não excluindo o recurso legal a cerceamentos à própr…

O silêncio de uns, as rezas de outros

É escusado tentar dourar a pílula, o que se passou em Tancos é inadmissível: o roubo de armamento numa base militar de um país da NATO é preocupante, desconfiando-se desde logo que se trata de um trabalho encomendado e que as armas já nem estarão em Portugal. Quem fez este assalto conhecia as vulnerabilidades que foram, inacreditavelmente, muitas. E nem tão-pouco há outra forma de dizer isto: o Estado falhou e falhou a todos os títulos numa das suas competências elementares: salvaguardar o seu armamento. Não sendo ainda possível aferir com todo o detalhe o que falhou, não será de excluir ainda assim da equação os incomensuráveis cortes que atravessaram todos serviços do Estado. Resta avaliar o peso desta variável na equação. Se por um lado, temos um Estado que falha; por outro temos uma oposição desesperada. Incapaz de fazer face aos bons resultados da actual solução política, designadamente no que diz respeito ao contexto económico, e incapazes de disfarçar o seu falhanço e a sua incomp…

As alarvices de Trump

Não há semana sem as alarvices de Donald Trump. A última semana ficou marcada pelo ataque do Presidente americano a dois apresentadores de televisão, tudo, claro está, através do twitter. Trump intitulou os apresentadores de “louco” e “burra como uma pedra”. Nada de novo, infelizmente. Mudam os visados e os adjectivos, parcamente, até porque o vocabulário daquele que é o Presidente americano mostra ser manifestamente reduzido. Todavia, estes episódios protagonizados por Trump são-lhe mais benéficas do que prejudiciais. Os grosseirismos do ocupante da Casa Branca permitem, desde logo, desviar as atenções do desastre que está a ser esta Administração. Permite desviar as atenções do amadorismo misturado com uma inusitada dose de mediocridade que carateriza o Presidente, mas também o resto da Administração. Por outro lado, as alarvices regulares permite acentuar as divisões que são excelentes para quem quer reinar. Os defensores de Trump continuam a sê-lo, apesar das alarvices e, talvez, g…

Não tenho discurso, mas não desisto

Não tenho ideias, o actual Governo juntamente com o resto da esquerda e, pior do que tudo, a própria realidade desmentem-me a toda a hora. O Diabo, que eu até podia muito bem venerar, não parece muito interessado em dar uma ajudinha. Talvez ande distraído ou coisa que o valha. E um dia a calamidade bateu-nos à porta. Sei bem que diz o bom senso que a situação, até pela sua gravidade, merece calma e seriedade - características, também sei, próprias dos grandes líderes. Mas eu não resisto e não posso esperar. Desta forma atiro com suicídios - que logo por azar não aconteceram - e faço a defesa do eucalipto, mostrando também desta forma como o Partido Socialista se encontra refém do Partido Ecologista os Verdes.  A primeira ideia - a dos suicídios - não terá sido a melhor das ideias, mas a culpa não foi minha. Passaram-me essa informação e eu acreditei. Caramba também não sou assim tão cínico que não acredite na palavra das pessoas! Mas ainda assim dou comigo a pensar: não terá havido mesm…

Culpas e desespero

De quem é a culpa? O que falhou? Quem falhou? São as perguntas que acabaram, como se era de prever, reféns do passa-culpas. Por um lado, aponta-se à Protecção Civil, um conjunto de falhas ao sistema de comunicações integrado, o famigerado SIRESP; outros relatórios apontam o dedo à Protecção Civil que terá levado demasiado tempo a accionar os mecanismos necessários para socorrer as populações. Outros ainda procuraram, e continuarão a fazê-lo, imputar responsabilidades políticas ao Governo em funções, talvez agora com menos recurso a presumíveis suicídios. Com efeito, as palavras levianas de Passos Coelho, quando afirmou conhecer situações de desespero que redundaram em suicídio para depois, perante a não confirmação, insistir, mas desta feita em tentativas de suicídio, podem ter o condão de deitar alguma água na fervura. Ou por outras palavras: as afirmações despropositadas e de mau gosto do antigo primeiro-ministro podem arrastar consigo uma certa contenção de tantos que se enfileirara…

Comunicação social

A desgraça que se abateu sobre o país serviu para mostrar a debilidade das florestas portuguesas, mas teve também o mérito de mostrar a verdadeira face da comunicação social. Em bom rigor não há novidade quer no que diz respeito ao primeiro assunto como ao segundo.  Depois de dias de exploração do assunto, não raras vezes recorrendo a formas pouco dignas de tratamento das notícias, é agora tempo dos fazedores de opinião afectos ao anterior governo fazerem das suas. Assim, aponta-se o dedo ao Executivo de António Costa, clamando-se pela demissão da ministra da Administração Interna. Assim, aproveita-se a tragédia para atacar o Governo: má preparação, incúria, opções políticas erradas - tudo terá começado e terminado com António Costa. Mesmo questões difíceis de abordar como o SIRESP - resultado da promiscuidade entre PSD e o famigerado BPN - são responsabilidade do actual governo. Ou seja esqueçamos, convenientemente, os bons resultados económicos, que tantas dores de cabeça têm dado a um…

Passos Coelho igual a si próprio

Aparentemente revoltado com o que se passou no país, o ex-primeiro-ministro enfatizou o falhanço do Estado, um falhanço que persiste, tanto mais que ele próprio teria conhecimento de suicídios "por falta de apoio psicológico em Pedrógão". É certo que imediatamente tanto o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande como o Presidente da Administração Regional de Saúde vieram a público negar qualquer suicídio, mas isso não afectará quem, num desespero indisfarçável, procura retirar dividendos da desgraça No entanto e como choveram críticas à precipitação de Passos Coelho, veio o Provedor da Santa Casa da Misericórdia dar o corpo ao manifesto, pedindo desculpas por ter induzido Passos em erro. E assim se esperaria que o infeliz assunto ficasse por aí: uma também infeliz sucessão de equívocos. Não ficou e Passos Coelho viu-se obrigado a pedir desculpa. A desculpa prende-se com a não confirmação da informação e não pelo abjecto aproveitamento político de uma desgraça sem precedentes.  …