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Mensagens

Passos Coelho critica o discurso dúplice do Governo

Sem nada para dizer, Passos Coelho insiste em proferir o já habitual rol de vacuidades que amiúde lhe rebentam na cara. Rebentavam - pretérito imperfeito. Na verdade, hoje já ninguém escuta ou sequer olha para o ainda líder do PSD. Ainda assim, Passos Coelho não desiste. Desta feita acusou o Governo e os partidos que o suportam no parlamento de terem um discurso dúplice em relação à União Europeia. A crítica faz sentido sobretudo vinda de alguém que, na mais inexorável e exasperante ausência de espírito crítico, bajulou até à exaustão os líderes europeus, mais concretamente os responsáveis políticos alemães. Passos Coelho, no alto da sua sapiência, não concebe que se possa criticar o contexto a que se pertence; Passos Coelho, nos píncaros da sua sagacidade, não percebe que o espírito crítico faz parte do pluralismo democrático e que, na ausência do mesmo, resta o vazio e a bajulação, como foi o seu propósito durante mais de quatro anos. Se o PCP sempre foi crítico da UE e da Zona Euro, …

Arábia saudita e os direitos das mulheres

Parece anedota, mas a Arábia Saudita integrará a Comissão dos Direitos das Mulheres das Nações Unidas. Já em 2015, na ONU, o mesmo país tinha encabeçado um painel dos direitos humanos. Não é anedota, não é falta de noção, são os petrodólares a ditar as regras, por muito ridículas que estas possam ser. Nunca será demais recordar que o reino da Arábia Saudita trata as mulheres de forma ignóbil. Por ali, onde reina o petróleo e a compra de armas às potências mundiais, as mulheres não podem conduzir, nadar, fazer exercício em público. Não podem casar ou sair do país sem autorização masculina - as mulheres têm um guardião masculino. Têm acesso condicionado a universidades, transportes públicos, bancos, etc, já para não falar em direitos essenciais como o voto (apenas podem votar em eleições locais). Tudo sob vigilância apertada da Mutaween (polícia religiosa). Por ali, onde reina o petróleo e a compra de armas aos EUA, França ou Reino Unido, as mulheres são tratadas abaixo de cão. A UN WAT…

Os perigos da extrema-direita não desaparecem

Com o resultado eleitoral em França, no passado domingo, e com a mais do que provável vitória do candidato nem-nem (nem de esquerda, nem de direita), dito de centro, pró-europeu e que, embora se encontre fora dos partidos políticos que dominaram a cena política francesa partilha com eles a mesma natureza, os perigos da extrema-direita não desaparecem. Marine Le Pen dificilmente conseguirá vencer a segunda volta das presidenciais, mas deixa uma semente que com facilidade germinará na eventualidade do falhanço de Macron e Macron tem tudo para falhar: ex-banqueiro, neoliberal não assumido, Macron não será capaz de resistir a mais desregulação laboral, menos Estado Social, enfim, mais receita desastrosa que tem contribuído para o afastamento dos cidadãos relativamente aos políticos convencionais - os que têm dominado a cena política nas últimas décadas; os mesmos que abdicaram da ideologia em nome do mercado, os mesmo que se vangloriam com a morte dessa ideologia, rendidos aos encantos dos…

Nem de direita, nem de esquerda

Em França venceu o candidato nem-nem, o candidato que se vangloria de não estar nem à direita, nem à esquerda, facto que redunda amiúde na direita neoliberal. Terá de disputar agora as eleições com a inefável Marine Le Pen. E porquê Macron? O candidato nem-nem é indiscutivelmente o homem preferido pelos negócios e subsequentemente pela comunicação social. Ex-banqueiro, envolvido com a fina flor dos negócios franceses, Macron é adorado. Tanto mais que foi escolhido pela comunicação social que o vendeu como sendo o único candidato capaz de vencer Marine Le Pen. A Europa que não muda também respira de alívio. Por enquanto. E os outros candidatos? Fillion, embora interessante sob o ponto de vista dos negócios, viu-se irremediavelmente comprometido depois de escândalos de corrupção demasiado evidentes; escândalos esses que arruinaram as suas hipóteses. Hamon, o candidato socialista, mais socialista do que muitos e sobretudo mais do que Hollande, não teve tempo para mostrar essa sua natureza …

Em nome da revolução

Em nome da revolução (bolivariana) valerá a pena sacrificar um povo, o seu povo? Vale. Sob o regime autoritário/chavista de Maduro vale e assim vai a Venezuela com o povo - em nome de quem foi feita a revolução  - privado dos bens mais essenciais, em fuga, reprimido ou até morto em manifestações.  19 de Abril marcou o 207º aniversário da revolução de 1810 que deu à Venezuela a sua independência, data também marcada por protestos, pela repressão da Guarda Nacional Bolivariana e pela morte de dois civis e de um militar. Recorde-se que há escassas semanas atrás o Supremo Tribunal assumiu as funções de um Parlamento eleito democraticamente e, embora a medida tenha sido revertida, as palavras que ecoam na cabeça de muitos venezuelanos não se dissiparam e a sensação da golpe de Estado permanece presente. Por outro lado, importa lembrar que ainda durante esta semana Nicólas Maduro anunciou a sua intenção de aumentar em 500 mil os membros da milícia bolivariana, armando todos eles. E a entrega …

Eleições no Reino Unido

Depois do famigerado Brexit que contou com a demissão de David Cameron, Theresa May ficou incumbida de dirigir um processo de saída que ninguém sabe muito bem como culminará. A primeira-ministra britânica afirma agora pretender a convocação de eleições com vista a eleger "um governo forte, com um mandato claro para negociar a saída do Reino Unido da UE". Aparentemente May procura um reforço de legitimidade para dar continuidade a um processo que se avizinha difícil e cujo desfecho é, como se disse, imprevisível. Seguramente também procura ganhar tempo. Com a aprovação do parlamento britânico, as eleições terão assim lugar um Junho, três anos antes do que seria previsto. Segundo alguns analistas May estará a aproveitar as sondagens que lhe dão a maioria das intenções de voto, havendo quem arrisque profetizar que este é o caminho escolhido para uma saída dura, o "hard" Brexit.
A primeira-ministra britânica navega em águas desconhecidas e, na verdade, compreende-se esta …

Uma Europa cada vez mais isolada

Depois de passarem anos a acusar os países "intervencionados" de serem responsáveis todo o mal do mundo, os principais responsáveis europeus tardam em mudar a estratégia, preferindo apostar no erro, enquanto a Europa, mais concretamente a UE, vai ficado progressivamente mais isolada. Primeiro foi a crise do sector financeiro rapidamente transformada em crise das dívidas soberanas; depois o Brexit; para complicar os EUA escolheram Trump para a presidência e agora a Turquia vira regime autoritário declarado, afastando-se também ela da Europa.  Sem capacidade de se unir, com protagonistas medíocres como o inefável Presidente do Eurogrupo que apenas fomentam as divisões da forma mais abjecta, deixando a indelével impressão que almejam uma Europa minimalista composta por países do centro e norte da Europa, o projecto europeu passou para o domínio da fantasia.
Hoje temos uma Europa desunida, com personagens não sufragadas e medíocres, sem o Reino Unido, sem poder contar com o aliado …