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Mensagens

Dijsselbloem e a falta de vergonha

A falta de vergonha tem feito escola junto de uma classe política que, infelizmente, também se encontra à frente dos destinos da Europa. Dijsselbloem é um excelente exemplo da dita falta de vergonha. O ainda Presidente do Eurogrupo que, ao que tudo indica desempenhará essas funções até Janeiro de 2018, manifestou a sua intenção de se recandidatar.  Recorde-se que Dijsselbloem sofreu uma derrota clamorosa, através do seu partido, nas últimas eleições holandesas e, em consequência, deixará de ser ministro das Finanças. Todavia, as regras flexíveis do Eurogrupo permitem que o seu Presidente não tenha forçosamente de ser ministro das Finanças. Recorde-se também que Dijsselbloem voltou a manifestar os seus preconceitos contra a Europa do Sul, mas de forma mais brejeira do que é seu costume, facto que está a dar azo a pedidos de demissão de vários representantes políticos europeus. O que o Presidente do Eurogrupo e outros não querem perceber é que falsos socialistas e sociais-democratas estão …

Sobre a liberdade de expressão

A propósito da polémica envolvendo a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Jaime Nogueira Pinto e uma tal de "Nova Portugalidade", não posso deixar de escrever algumas linhas sobre o assunto, designadamente sobre os novos arautos da liberdade de expressão. Recorde-se que a propósito de uma "conferência" protagonizada exclusivamente por Jaime Nogueira e que contava com a organização da dita "Nova Portugalidade" caiu o Carmo e a Trindade a propósito de uma alegada tentativa de silenciar opiniões veiculadas por Jaime Nogueira Pinto. Percebeu-se mais tarde, pelo menos quem quis perceber, percebeu, que a história andou a milhas de distância de qualquer tentativa de silenciamento. No entanto desta história mal contada emergiu uma nova classe de arautos da liberdade de expressão, os mesmos que, paradoxalmente, defendem ideias de um passado que cerceou essa mesma liberdade de expressão. Existe paralelamente uma clara tentativa de cavalgar outros movimentos conota…

Dijsselbloem, rua!

O ainda Presidente do Eurogrupo – o mesmo cujo nome nos obriga a recorrer incessantemente à função copia e colar – e pertencente ao partido que sofreu a mais humilhante derrota nas eleições holandesas, acusou os Europeus do sul de gastarem o seu dinheiro em “copos e mulheres” e depois “pedirem ajuda”. As declarações feitas a um jornal alemão centram-se igualmente na alegada social-democracia de Dijsselbloem, onde a solidariedade se confunde com xenofobia, sexismo e imbecilidade. Contudo, importa lembrar que Dijsselbloem não está sozinho, tendo contado com a companhia de Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, já para não falar de Schaüble, ministro das Finanças alemão. Este alegre grupinho fez da austeridade uma espécie de texto sagrado no qual a culpa sempre recaiu sobre os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas – os tais que viveram acima das suas possibilidades, os tais que gastam tudo o que têm em copos e mulheres. Dijsselbloem, à semelhança dos restantes membros do alegre…

O melhor que pode fazer pela sua imagem

Durante algum tempo pensou-se que o melhor que se pode fazer pela imagem seria recorrer a serviços especializados nessa área que abrangem um espectro que vai do aspecto físico à postura, passando claro está pela retórica. Hoje sabe-se que o melhor que se pode fazer pela imagem é um encontro com Donald Trump, facto que só por si dispensa tudo e mais alguma coisa. A título de mero exemplo veja-se as maravilhas que um encontro com Trump fez por Ângela Merkel. Mesmo os mais críticos das políticas da Chanceler alemã rapidamente se colocaram ao seu lado naquele surreal encontro com o Presidente americano. Para além da já famigerada situação que envolve apertos de mão, Ângela Merkel acabou por contar com a compreensão do mundo inteiro, num encontro que fez maravilhas pela sua imagem, muito mais do que qualquer agência ou qualquer perito poderiam fazer.
Por cá, o melhor que poderia acontecer a Passos Coelho, por exemplo, seria precisamente um encontro com Trump. De resto, o ainda líder do PSD pr…

Ainda a Coreia do Norte

Em visita à Coreia do Sul, o Secretário de Estado americano Rex Tillerson,  afirmou que uma acção militar contra a Coreia do Norte é uma opção, acrescentando que a política assente na"paciência estratégica" chegou ao fim. Paralelamente, Tillerson defendeu a instalação do sistema de defesa anti-míssil na Coreia do Sul, facto que tem exasperado a China. Com estas afirmações assentes na ideia de que a Coreia do Norte insiste na tecnologia nuclear pode ser o prenúncio de um conflito militar tão desejado por Steve Bannon, uma das personagens mais influentes desta Administração. Com estas afirmações percebe-se que esse conflito pode muito bem ser uma realidade se a Coreia do Norte insistir nos testes que inquietam os países vizinhos e não só. Por outro lado, não é expectável que Kim Jon-un, líder da Coreia do Norte, passe subitamente a adoptar um comportamento mais consonante com o que Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão pretendem. Acresce ainda que é pouco provável à actual Admin…

As mensagens de Schaüble

Pese embora o ímpeto populista e de extrema-direita de alguns países europeus, representantes políticos como Schaüble, ministro das Finanças alemão, insiste na receita desastrosa que, em larga medida, nos trouxe até aqui. Schaüble deixou a sua mensagem, novamente a Portugal: "certifiquem-se de que não será necessário novo resgate". Ainda no mesmo tom paternalista, mas acéfalo, o ministro alemão acredita ainda que os bons resultados conseguidos por alguns países "devem-se à pressão" que os governos sofreram para atingir metas.  Schäuble faz parte de um conjunto de políticos que ainda não percebeu que os problemas da Europa estão muito longe dos resultados económicos de países periféricos e que estas afirmações, a par de outras, e de uma conduta persecutória, ajudou a fragilizar os partidos políticos tradicionais que hoje são vistos como incapazes de resolver os problemas dos cidadãos, abrindo assim espaço para que o populismo, o ódio, a intolerância medrem como no pas…

Eleições na Holanda: o mal já está feito

Geert Wilders, o líder do Partido da Liberdade, declaradamente xenófobo e anti-islâmico, não venceu as eleições na Holanda. Dir-se-ia que essa é razão suficiente para se respirar de alívio, no entanto, não creio que assim seja.  Na verdade, o mal já está feito e não estou certa que Wilders fique particularmente aborrecido por ter saído derrotado das eleições até porque o seu discurso colhe particularmente bem fora de uma governação que tão mal está a correr, por exemplo, a Donald Trump. Wilders teria dificuldades acrescidas num contexto em que a negociação faz parte do jogo político, jogo esse que o líder do Partido da Liberdade não saberia jogar. Com efeito, sem partidos para se coligar, desde logo Wilders teria poucas hipóteses de conseguir governar e mesmo se conseguisse vencer poderia sempre jogar a cartada da vitimização por mais ninguém estar interessado numa eventual coligação. Seja como for, repito, o mal está feito: Wilders cresceu, ganhou ainda mais notoriedade, e veio trazer à…