Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

E o culpado é...

Paulo Núncio. Contrariamente à cerimónia dos óscares, aqui não há engano: Paulo Núncio deu o corpo ao manifesto e assim se espera que o assunto seja encerrado. E aqueles que anseiam por mais esclarecimentos podem esperar sentados, apesar da tímida disponibilidade revelada pela ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Embora Paulo Núncio tenha dado o corpo ao manifesto, assumindo a culpa, as Finanças, o sistema informático e o Diabo a sete serão os verdadeiros culpados. Paulo Núncio assumiu a culpa política, esperando-se deste modo que, à parte de um conjunto louvável de intenções, o assunto morra, até porque há outros assuntos na calha, envolvendo todos eles sms e o ministro das Finanças. Passos Coelho e a sua ministra das Finanças, a tal dos swaps, a mesma que não acerta uma para caixa, mas sem jamais perder a compostura, remetem-se ao silêncio e deixam que outros repitam até à exaustão a necessidade de esclarecer este assunto. A ex-ministra diz-se disponível para esclarecer, …

Claustrofobia democrática

Em nada serve à democracia cair-se em exageros. PSD e CDS, arredados que andam do poder, caem amiúde neste erro de exagerar e colocar em causa o bom funcionamento do Parlamento e da democracia. É claro que o desespero leva-nos invariavelmente ao exagero.  A questão das sms e a importância desmedida dada às mesmas continua na agenda dos partidos que outrora, e em má hora, governaram este país. Ora, a azia, perdão, claustrofobia democrática de que fala Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do PSD, pode muito estar relacionada com o facto de se utilizarem comissões de inquérito para fins para as quais as mesmas não foram criadas. Na verdade, PSD e CDS pretenderam dar outro fim à comissão de inquérito, cuja finalidade nada tinha a ver com a troca de correspondência ou sms entre o ministro das Finanças e ex-Presidente da Caixa Geral de Depósitos. Tudo culminou com a demissão do Presidente da mesma comissão de inquérito, também ele ilustre membro do PSD. Agora, pretende-se utilizar a …

PSD e o fim de uma liderança

É arriscado afirmar o fim de uma liderança política e, como todo o exercício de futurologia, este pode muito bem cair em saco roto. Mas os sinais de tibieza da ainda liderança do PSD são mais do que evidentes. E mais: os sinais de desespero de Passos Coelho e dos seus acólitos revelam-se a cada dia que passa. Tudo começou com o inesperado entendimento das esquerdas e a incapacidade da direita congeminar alianças com o PS. Em rigor, Passos Coelho nunca recuperou verdadeiramente do facto de ter vencido as eleições, mas, por culpa própria, não ter sido capaz de formar maioria. Depois esperou-se ansiosamente pela chegada do Diabo, tomasse ele a forma das instituições europeias, ou de um hipotético desaire da economia portuguesa ou ainda de um desentendimento entre as esquerdas. O Diabo não chegou e o Presidente da República agiu mais vezes como anjo da guarda do Governo do que eventualmente se esperaria - tudo em nome da estabilidade, claro está. Mais recentemente, Passos Coelho viu nova opo…

Trump e o seu estilo de vida

Depois de um mês trágico para a democracia americana, sabe-se agora que os passeios de Trump já custaram mais do que Obama gastou durante todo um ano, ou seja mais de 10 milhões de dólares. Trata-se de dinheiro gasto em três fins-de-semana mais os custos associados à segurança. Fala-se de um estilo de vida "inusitadamente elaborado". Dir-se-ia que a democracia tem custos, mas nem esses custos podem ser tão elevados (um mês desde a tomada de posse), nem Trump faz o que quer que seja pela democracia, bem pelo contrário. Entre alguns dos detalhes deliciosos foi conhecida a despesa do Estado de Nova Iorque para proteger a Trump Tower (onde vive a primeira-dama e um filho): 500 mil dólares por dia. Haverá sempre quem considere esta notícia mais um ataque à Administração Trump e, por cá, também existem os que consideram que Trump é uma vítima da comunicação social, do poder económico, do poder político, do "establishment". Os ataques à democracia, os ataques aos direitos h…

10 mil milhões

Entre 2011 e 2014 o país conheceu uma formidável fuga de capitais com destino a offshores: 10 mil milhões comunicados pelas instituições financeiras, mas que contaram com um conveniente fechar de olhos das Finanças. Importa lembrar que todos os anos os bancos prestam informações sobre transferências de dinheiro ao fisco, mas por alguma razão que importa agora deslindar, essas transferências contaram com o desprezo das Finanças, ao contrário do que dita a lei. As "omissões" foram detectadas pelo Ministério das Finanças entre finais de 2015 e princípio de 2016. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, pretende que se apure o que se passou. Recorde-se também que estes foram os anos de austeridade imposta por Passos Coelho que trocou, temporariamente, essa sua estranha obsessão pelas famigeradas SMS trocadas entre o actual ministro das Finanças e o ex- Administrador da Caixa Geral de Depósitos. Passos Coelho e os seus ministros das Finanças, enquanto pediam sacr…

Será a destituição uma miragem?

A presidência americana transformou-se numa farsa, amiúde com contornos trágico-cómicos. Exemplos não faltam, a um ritmo diário. Todavia, existem razões para equacionar a possibilidade de destituição do Presidente americano, até porque o mesmo já terá violado por inúmeras vezes a constituição americana. Segundo Robert Reich, Trump fê-lo quando baniu sete países (de maioria muçulmana), abrindo a excepção a cristãos, violando a 1ª Emenda que versa sobre o livre exercício religioso. Voltou a fazê-lo quando elegeu a comunicação social como o principal inimigo do povo, violando novamente a 1ª Emenda. Não satisfeito, desferiu novo ataque, desta feita sobre a 14ª Emenda, ao incitar à violência contra americanos de origem mexicana, de origem muçulmana ou de origem Africana. E muito provavelmente terá violado o artigo III, cláusula 3.ª - traição contra os EUA, ao ter conhecimento ou até mesmo ao ter participado nas investidas russas para o eleger.  Entretanto, o Comité dos Serviços Secretos do Se…

Instabilidade na Era Trump

A eleição de Trump e sobretudo a sua tomada de posse têm tido consequências inusitadas. Um bom exemplo é o facto de vários psiquiatras e psicólogos terem vindo a terreiro falar da mais alta figura da nação - numa iniciativa sem precedentes. Aqueles que não se coíbem de alertar para a instabilidade do novo Presidente americano afirmam que este é um megalómano, com tendência para distorcer a realidade, manifestando invariavelmente uma rejeição absoluta de opiniões que divergem da sua e que desencadeiam reacções de raiva, desprovido de qualquer empatia. Tudo isto se agrava com os exercícios de poder. Em suma, trata-se de alguém que não reúne as condições necessárias para ser Presidente. Na verdade, tudo o que é dito por psiquiatras e psicólogos é demasiado evidente para nos ter escapado. Em pouco menos de um mês, o mundo já assistiu à manifestação de exercícios e megalomania, distorção da realidade, reacções de raiva, incapacidade de empatia, tudo misturado com um também assustador amadori…