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Mensagens

As ninharias de Schäuble

Os assuntos nacionais, não querendo mostrar desprezo pelos mesmos, parecem, neste momento, uma brincadeira de crianças. Mesmo a novela TSU. É que neste preciso momento só dá Trump, por todas as piores razões imagináveis. Por falar em brincadeiras, o que dizer das novas exigências da Alemanha no sentido de pressionar Portugal a adoptar mais medidas de austeridade, com o objectivo de baixar o défice? No Eurogrupo vinga a preocupação com a dívida portuguesa. Esta gente não existe.  Ora, com o mundo em crescente convulsão, com as tomadas de decisão vertiginosas pelo novo Presidente americano, com a diminuição da própria Europa em função de Trump e da ascensão de Putin, a Europa, designadamente o Sr. Schäuble, manifesta preocupação com Portugal. Esta gente não existe. Enquanto estas incautas almas se dedicam a minudências, do outro lado do Atlântico Trump tomou as seguintes decisões e admitiu adoptar as seguintes posições: Limitações à entrada de muçulmanos no país com o objectivo de combater …

EUA: democracia ou oligarquia?

A frase de Lincoln "government of the people, by the people, for the people" ainda se aplicará nos EUA? Ou será que um pequeno grupo de oligarcas tem conseguido enfraquecer a democracia, instalando a tão desejada concentração de poder nas mãos de poucos? Qualquer análise do assunto produzirá resultados pouco animadores e, pior, qualquer projecção de futuro apresentará cenários (muito prováveis de se concretizarem) ainda menos animadores, agora com Trump à frente dos destinos do país. Curiosamente, Trump apresentou-se como sendo um homem fora do sistema - político, presume-se -, no entanto, Trump respira o sistema, ele é parte significativa do sistema. Nada de bom à vista, portanto, bem pelo contrário. A influência, através do dinheiro, das doações e dos lobbies, que um pequeno grupo de pessoas tem quer na escolha, quer no desempenho do Presidente dos Estados Unidos, congressistas, senadores e até juízes do supremo aniquila a democracia, transformando-a no exercício do poder por…

Brincar com o fogo

Não será difícil perceber que nos próximos anos Trump irá brincar demasiadas vezes com o fogo, aliás, essas brincadeiras serão, como já está a ser, a marca da sua Administração. Poucos dias depois da tomada de posse, esta Administração fez saber ser sua intenção mudar a embaixada americana em Israel para Jerusalém que, como se sabe, é uma cidade dividida e disputada desde 1948. Ainda antes de tomar posse, Donald Trump já tinha informado ser favorável à construção de novos colonatos, à revelia das próprias Nações Unidas.  O resultado destes novos posicionamentos é preocupante, senão vejamos: o Médio-Oriente tem sido assolado por guerras e focos de instabilidade de que Síria e Iraque (e Afeganistão, se falarmos no grande Médio-Oriente) são exemplos. A região israelo-palestiniana tem, por seu lado, passado por um período de relativa acalmia - dentro daquilo que é possível na região. Ora, Trump decide, também neste particular, brincar com o fogo. De resto, o que o Médio-Oriente mais precisa…

Entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa

Tratou-se de uma entrevista que se centrou nas questões nacionais, ignorando, infelizmente, as questões externas. Ainda assim, o mais importante da entrevista prende-se com a ideia da estabilidade. Marcelo Rebelo de Sousa foi muito claro: a estabilidade quer do governo, quer da oposição, são de uma importância indiscutível para o Presidente da República. Na curta entrevista percebeu-se claramente que Marcelo está longe de querer colocar dificuldades à actual solução política, pelo contrário, segundo o mesmo o Governo e o líder da oposição devem durar uma legislatura. Passos Coelho até poderia ficar satisfeito aquilo que parece ser um desejo do Presidente - que se mantenha como líder da oposição até ao final da legislatura. Contudo, Marcelo foi também muito claro no que diz respeito às suas intenções em relação ao actual Executivo, ao excluir qualquer foco de instabilidade. O que resulta na manutenção da actual configuração política: O Governo do PS, coadjuvado por PCP, BE e Verdes, e Pa…

E já começou

No dia subsequente à tomada de posse Donald Trump começa o vasto processo de retrocesso civilizacional que tem entre mãos. Desde logo assinou o fim do Obama Care e concluiu com a assinatura de mais um retrocesso sem paralelo nas políticas ambientais. Já começou a demonstração mais surrealista de egocentrismo e ignorância de que existe memória. Coadjuvado por néscios como o próprio Trump (Sean Spicer, secretário da comunicação, é um bom exemplo), assistimos à estratégia própria de quem pretende enveredar por um caminho ditatorial, transformando a comunicação social (exceptuando a Fox News e outros média nada fidedignos) no inimigo número um. “os jornalistas são os seres humanos mais desonestos à face da terra”, isto foi dito pelo Presidente dos EUA. Já começou, e começa onde era expectável que começasse: na comunicação social, primeiro hostilizando-a; depois procurando formas de controlar uma comunicação social que, pelo sim pelo não, já se encontrará descredibilizada e fragilizada. Par…

O princípio do fim

Certo. Talvez seja exagero anunciar o princípio do fim, apesar deste princípio ter como protagonista Donald Trump. Talvez ele nem chegue a ocupar o lugar durante os quatro anos, com tanto potencial em matéria de escândalos, irregularidades, ilegalidades e afins. Talvez. Seja como for, a realidade é esta e dói de cada vez que pensamos nela: Donald Trump é, a partir de hoje, o Presidente dos Estados Unidos da América. Entre sentimentos de asco e incredulidade, os factos são estes e teremos - tarefas que não serão exclusivas dos americanos - de saber lidar com este Presidente.  Com Obama era fácil, o máximo, ou o pior que poderia acontecer - e até certo ponto aconteceu - era a desilusão. Com Trump o pior pode acontecer, simplesmente o pior poder acontecer. E seguramente acontecerá. Desde as mudanças previstas na famigerada ordem mundial, passando pelo fim das políticas de Obama sem a existência de alternativas, culminando na personalidade megalómana que raia o amiúde o execrável. Pelo cami…

Calcanhar de Aquiles

Não será difícil encontrar razões para elogiar a solução governativa encabeçada pelo PS, mesmo com algumas contrariedades que, contas feitas, são normais até nas coligações, quanto mais numa solução engenhosa como aquela encontrada por PS, BE, PCP e Verdes. Desde logo a filosofia subjacente à solução política merece os mais rasgados elogios, refiro-me naturalmente à tentativa de repor salários e pensões, acabando assim com os cortes acéfalos protagonizados pelo aziado Passos Coelho e pelo seu séquito. Contudo, existe um calcanhar de Aquiles nesta solução, sobretudo no que diz respeito ao próprio PS: a comunicação. O PS falha na comunicação, designadamente no que diz respeito a medidas a serem tomadas e no combate a uma direita que destila azedume, incapaz de se livrar da mediocridade. Esta questão torna-se mais premente quando se percebe que a comunicação e o combate político, mesmo estando o PS no Governo, são essenciais para a prossecução das políticas. Exceptuando João Galamba, um do…