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Mensagens

Um mundo mais instável

Todos anseiam pelo fim de 2016, mas não estou tão certa assim que outros tantos, no sentido diametralmente oposto, anseiem pelo início de 2017.  O ano que agora se aproxima do fim não deixará saudades, pelo menos a avaliar pelas conjunturas internacionais. Senão vejamos: - A UE mostra-se incapaz de recuperar o que quer que seja do projecto europeu, mantendo-se longe dos cidadãos, entregue a políticos medíocres e a tecnocratas acéfalos. A crise dos refugiados apenas veio tornar mais visível as debilidades europeias e a quase total ausência de coesão. A Zona Euro, por sua vez, mantém-se à tona da água com a ajuda preciosa do BCE, sem que alguém arrisque qualquer espécie de viabilidade para a mesma. - O Brexit, para além de ter contribuído para o aumento da instabilidade no seio da Europa, traz consigo todo um mundo de incertezas e revela que por muito pouco os cidadãos fazem escolhas com o claro objectivo de mostrar o seu desagrado relativamente a questões colaterais e que nada tem a ver c…

Uma presidência activa, mas sensata

Por altura de balanços, importa também relembrar o ano de presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. À parte de uma certa tendência populista, o facto é que se trata do dia (Marcelo) em oposição à noite mais taciturna (Cavaco Silva). Para todos os efeitos práticos, este ano de Marcelo tem tido o condão de trazer estabilidade política, sendo essencial para a viabilidade da solução de esquerda encabeçada por António Costa. Contrariamente ao seu antecessor, Marce lo prefere trabalhar com o Governo em funções, colocando, pelo menos para já e pelo menos até uma mais do que provável reeleição, as questões partidárias de lado. Para tal conta com um primeiro-ministro que partilha consigo um optimismo contrastante com o cinzentismo de Passos Coelho - apostado em diabos e outras entidades esotéricas. Passos Coelho aliás já demonstrou não encaixar no estilo adoptado pelo Presidente da República que, a par das suas provocações esporádicas mas decisivas na cada vez menos salutar relação entre Marcelo e…

A gerigonça é afinal um exemplo para o mundo

Com o final do ano a aproximar-se vertiginosamente é altura de balanços. Comecemos, pois, pela famigerada geringonça. No final de 2015, a solução política encabeçada por António Costa suscitava uma multiplicidade de dúvidas. Poucos tinham certezas quanto à viabilidade de uma solução que incluía Partido Socialista, Partido Comunista, Bloco de Esquerda e Partido Ecologistas “Os Verdes”. Hoje, poucos são aqueles que têm dúvidas quanto à viabilidade desta solução, designadamente para a actual legislatura. Apesar das dificuldades emergentes de diferenças, particularmente ideológicas, entre os diferentes partidos (o aumento do salário mínimo à custa de uma redução da TSU constitui claramente um desafio), a famigerada geringonça vai fazendo o seu caminho, contrariamente a uma oposição medíocre e enfraquecida. Enquanto Passos Coelho tem o seu destino traçado – o esquecimento -, António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa continuam, apesar das dificuldades, a traçar o caminho que ficará n…

A importância do petróleo

A RTP prestou serviço público digno desse nome ao elaborar uma peça explicativa sobre a origem doconflito na Síria, convidando para o efeito dois comentadores que completaram, com o objectivo informativo, a peça, tudo muito distante do que a comunicação social costuma regurgitar – cacofonia, tudo menos informação. Nesse referido programa é explicado que subjacente ao conflito na Síria está, naturalmente, a questão energética, designadamente o petróleo e o seu controlo. Bashar al-Assad passou a ser inimigo do Ocidente e ainda mais de países como Arábia Saudita, Qatar ou Turquia depois de ter anunciado a sua intenção de fazer da Síria uma plataforma energética, através também da construção de um oleoduto que passaria por países como o Irão, Iraque, Chipre e Grécia. De um modo geral, o líder sírio passou a ser um pária quando decidiu, contrariamente à sua ideia inicial, passar o referido oleoduto por países xiitas, em detrimento dos sunitas. Subsequentemente apareceram os apoios a grupos d…

Erros do passado, consequências no presente

Um diplomata assassinado pelas costas diante de câmaras de televisão. Um camião atropela indiscriminada e propositadamente seres humanos em plena época natalícia. O mundo fica novamente horrorizado. Na Síria a morte está presente em todo o lado, todos os dias. As maiores potências dividem-se ou para apoiar uns ou para apoiar outros, de forma mais ou menos tácita. Os erros do passado têm, naturalmente, consequências no presente. Os erros de julgamento, a que o petróleo não é alheio, e que fez de ditadores seculares os verdadeiros inimigos enquanto se subestimava a ameaça do fundamentalismo religioso - um fundamentalismo que mata o espírito crítico e como tal não aceita a democracia que se pretendia implementar nessas regiões; um fundamentalismo que mistura tudo: religião, política, economia, direito; um fundamentalismo que se espalha sem controlo. Os EUA apostaram desde cedo numa política hegemónica que se traduziu amiúde na mais obscena ingerência - veja-se o caso da América Central e Am…

Por momentos

Por momentos o terrorismo, o fundamentalismo religioso e o famigerado Daesh e associados deixaram de parecer tão maus quanto isso. A julgar pelo que se lê e se ouve na comunicação social apenas Bashar al-Assad, os russos e os iranianos são os maus da fita. Por momentos, o terrorismo passou a ser designado por "rebeldes", alheados do pior que se passa em Alepo - responsabilidade exclusiva de Bashar al-Assad. É certo que Assad não é outra coisa que não um déspota que, quando ameaçado, revela toda a sua prepotência, manifestando mesmo um indisfarçável desprezo pela vida dos concidadãos. Mas também é certo que os tais "rebeldes" muitos deles com ligações ao Daesh (mesmo entre os apelidados de moderados não se podem ignorar algumas simpatias) foram apoiados, inclusivamente do ponto de vista militar, por países como os EUA e países europeus. Enquanto se diabolizava o Daesh para consumo interno, apoiava-se simultaneamente grupos sunitas com ligações a esse mesmo Daesh ou à …

Um homem sem nada para dizer

Passos Coelho é, e provavelmente sempre terá sido, um homem sem nada para dizer. Hoje essa inexorável ausência de ideias é escamoteada com tentativas de elaborar frases desprovidas de sentido e, como tal, aparentemente enigmáticas. Primeiro foi o diabo que chegaria em Setembro, hoje Passos Coelho afirma que não proferiu a referida frase com qualquer objectivo derrotista. Aliás, a frase que lhe correu manifestamente mal, foi interpretada erradamente pela comunicação social. Agora Passos Coelho, novamente sem nada de concreto para dizer, decidiu fazer alusões natalícias, desta feita com recurso aos três Reis Magos. E novamente a frase, desprovida de sentido, parece cair no registo enigmático. Nada disso, Passos Coelho simplesmente não tem, como nunca teve nada para dizer. Como recurso, elabora afirmações subjectivas, anódinas e amiúde despidas de sentido. A vida corre mal a Passos Coelho, num contexto de geringonça funcional com o apoio do Presidente da República, sem os habituais obstácul…