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Mensagens

O populismo de Trump e o não cumprimento das promessas

Aparentemente não é homem para cumprir parte das suas promessas, na melhor tradição do populismo. Será assim no que diz respeito a uma hipotética prisão de Hillary Clinton, a quem agora não deseja mal, e assim será no que diz respeito às alterações climáticas, primeiro anunciadas com farsa congeminada pela China, mas agora aparentemente uma realidade para ser levada a sério. O grande problema de Trump nem é tanto a mudança de opinião, de resto, Trump não é o único a mudar de opinião quando chega ao poder. O problema de recém eleito Presidente americano prende-se com os seus apoiantes e até com quem o próprio escolheu para o coadjuvar – tudo gente com opiniões extremistas, seja sobre o clima, seja sobre questões raciais, seja até sobre política externa. Este é o maior problema de Trump. Toda essa gente, de racistas assumidos passando por ignorantes que alimentam a ideia de que não existem alterações climáticas ou que lucram com essa ideia, já está a cobrar as promessas de Trump; toda es…

O pior dos regressos ao passado

A notícia que dá conta da intenção do novo Presidente americano, Donald Trump, criar um registo nacional de todos os muçulmanos, a confirmar-se, remete-nos para um passado tristemente familiar. O nosso afastamento colectivo da História e a subsequente ignorância constituem perigos que não podem continuar a ser menosprezados. Se conhecermos a História podemos fazer paralelismos entre passado e presente, evitando cometer os mesmos erros. Se conhecermos os primórdios do nazismo e o que o nazismo foi a mera possibilidade de se criar um registo de um determinado grupo étnico ou religioso causa-nos uma imediata repugnância e consequente rejeição. Se for a ignorância a reinar, o preconceito espalha-se a um ritmo alucinante. Deixamos que o pior aconteça, quer fruto do preconceito, quer como resultado da inacção. Esperemos que a notícia não tenha correspondência com a realidade, porque se tiver então os nossos piores receios confirmam-se.

Boas notícias de Lisboa

A crítica apoiada num constante cepticismo resvala amiúde para o niilismo que redunda invariavelmente na ideia de que tudo é negativo e nada vale a pena. Esse niilismo leva-nos a considerar que nada faz sentido e, como não se pode falar de niilismo sem falar em Nietzsche, socorro-me de uma ideia sua: o perigo inerente à ideia de que nada faz sentido. Vem isto a propósito de algumas boas notícias, que vão para além dos bons indicadores económicos da economia portuguesa ou da mudança de atitude - mais positiva - das instituições europeias, designadamente as boas políticas que a Câmara de Lisboa pretende pôr em prática no que diz respeito aos transportes públicos. Deste modo, Fernando Medina anunciou um reforço dos transportes públicos na cidade de Lisboa, sobretudo no que diz respeito à Carris, que se traduz num aumento significativo de autocarros, utilizando as receitas de multas e estacionamento para esse efeito e no alargamento da facilidade de acesso dos mais jovens e dos mais velhos. …

O tempo de Hillary acabou

O tempo de Hillary Clinton acabou. Em rigor, com a eleição de Trump, não será despropositado dizer que o tempo de democratas como Hillary e, até certo ponto Obama, acabou. Essa é uma das lições a retirar da inesperada vitória eleitoral de Donald Trump. Ou o Partido Democrata muda e nessa mudança tem forçosamente de incluir uma nova liderança, coadjuvada por novos elementos, com propostas diferentes que vão ao encontro dos cidadãos e, sobretudo, distanciado do poder económico, ou políticos como Trump continuarão a ser uma realidade. A única forma de combater este populismo de extrema-direita ou neofascismo passa pelo fortalecimento da esquerda, ciente de que não pode deixar cair a sua luta contra as injustiças fruto do capitalismo selvagem, nem a defesa dos direitos humanos – central ao seu ideário. Tudo num contexto de distanciamento da habitual promiscuidade entre poder político e poder económico. Não há outro caminho. É indiscutível que nesta nova equação, os políticos que têm dominad…

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

À medida que o tempo passa, e apesar de gradualmente se conhecerem as escolhas de Donald Trump, existe uma tendência inquietante para subestimar a escolha do Republicano para liderar os destinos da maior potência económica e militar do mundo, Deste modo, aligeirando a ameaça, baixa-se a guarda, permitindo que o inconcebível venha mesmo a acontecer. Acordaremos, como de resto é costume, tarde demais. Por ora, dizemos, em forma de consolo, que Trump exagerou para chegar à presidência e que, uma vez lá chegado, tudo seria diametralmente diferente, mais suave. Na verdade, ainda é prematuro avaliar a concretização das medidas prometidas em campanha eleitoral, embora o que já se saiba – da boca do Presidente – seja verdadeiramente perturbador: muro, Obamacare, políticas sobre o aborto. No entanto, as escolhas do Presidente Trump, de tão surreais, levam-nos para outra dimensão, caracterizada pelo retrocesso social, pela intolerância e pelo fanatismo. E não se trata apenas de um conjunto de con…

Donald Trump e o ideário de esquerda

Há um Donald Trump para além da boçalidade, xenofobia, misoginia e intolerância; existe um Donald Trump que, embora de forma simplista, atacou aquilo que parte da esquerda ataca: a desregulação, o desemprego, os bancos, os mercados financeiros, os acordos internacionais repletos de mais desregulação, a OMC, etc. Bandeiras da esquerda, mas não do Partido Democrata, assim como não são bandeiras de boa parte de partidos socialistas europeus que apoiam de forma mais ou menos frontal o neoliberalismo. Os que são prejudicados pela globalização, pelo menos em parte significativa, olharam com bons olhos para o discurso simplista de Trump, embora o mesmo tenha contradições evidentes, designadamente em matéria fiscal, sendo simultaneamente desprovido de conteúdo - frases soltas e acusações que produziram o efeito desejado. A esquerda americana, mal representada pelo Partido Democrata de Hillary Clinton, foi absolutamente ultrapassada pelo populismo de Trump que disse o que muitos quiseram ouvir, …

As boas notícias de uns são as más notícias de outros

O PIB português cresceu 1,6% no terceiro trimestre (melhor crescimento da Zona Euro) superando todas as expectativas e para melhorar ou piorar, consoante a perspectiva, não há cortes ou suspensão nos fundos estruturais. Assim se percebe que o PS mais os perigosos partidos da esquerda radical não deram cabo do país, muito pelo contrário.  As boas notícias de uns, mesmo sendo boas notícias para o país, são ainda assim más notícias para uma oposição em que reina a mediocridade. Desorientados, PSD e CDS percebem que o tal Diabo almejado, afinal, não há meio de chegar. No caso do PSD, tudo se complica com a liderança de Pedro Passos Coelho ameaçada com uma possível candidatura de Rui Rio. Muito se jogará no próximo período eleitoral. Mas para já, as coisas não estão famosas para os partidos da oposição.  Recorde-se que os ditos partidos da oposição, sobretudo o PSD, apoiou a sua estratégia na perspectiva de que tudo vai correr mal ao governo português, contando com o ovo no cu da galinha (leia…