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Mensagens

Agora é sempre uma tempestade num copo de água

O passado recente é indelevelmente marcado por incomensuráveis aumentos de impostos, cortes injustos em salários e pensões, aumento das desigualdades, não cumprimento das metas orquestradas com Bruxelas e orçamentos retificativos atrás de orçamentos retificativos, sem que se fizesse uma tempestade que, no caso em apreço, não seria propriamente num copo de água, mas talvez num garrafão de cinco litros. Dizia-se que era inevitável; acrescentava-se que o país era o culpado e tinha de pagar pelos seus erros; alegava-se que o responsável político pela desgraça – o único – era José Sócrates e que Pedro Passos Coelho tinha a ingrata tarefa de endireitar o país. Entre mitos e mentiras clamorosas tudo passou mais ou menos incólume. Agora, com António Costa, suportado pelos partidos de esquerda, é sempre uma tempestade num copo de água. Falta entregar um documento, o que implica de imediato a presunção de que o Governo está a esconder alguma coisa. Bruxelas pede esclarecimentos, o que significa …

O país está melhor

O país está melhor por uma singela razão: durante mais de quatro anos fomos massacrados pelo anterior Executivo e quando escrevo “fomos” refiro-me à esmagadora maioria da população portuguesa: trabalhadores, pensionistas, desempregados. Batemos no fundo e qualquer espécie de recuperação é vista como grandiosa. Mas o país está sobretudo melhor do ponto de vista psicológico. Durante quatro anos andámos encolhidos à espera de mais uma investida do governo. Andámos encolhidos dentro e fora de portas. Hoje, pese embora a recuperação de salários e pensões seja de facto tímida, estamos paulatinamente a nos erguer. E não fosse por esperarmos uma investida, desta feita não do Governo, mas das instâncias europeias, da banca ou de uma nova crise e a recuperação seria mais significativa. O Governo, apoiado pelos restantes partidos da esquerda, faz o que pode. Poderia fazer mais? Provavelmente, mas essa discussão será sempre subjectiva. Seja como for, a reposição de parte de salários e pensões, incl…

Há fumo branco em Espanha

Avizinha-se um final para a crise política que assola o país vizinho há longos meses. Sem Pedro Sanchez, o PSOE prepara-se para se abster na investidura do novo governo de Mariano Rajoy. Segundo a comunicação social, Espanha já terá governo no final da semana. Esta abstenção do PSOE, que, tudo indica, viabilizará o governo do PP de Rajoy, é mais um sinal de desnorte do partido socialista espanhol. Incapaz de encontrar uma solução com outros partidos de esquerda – partidos como o Podemos não terão facilitado a tarefa, diga-se em abono da verdade -, o PSOE está agora numa posição de viabilizar o PP, sem no entanto fazer parte de uma solução política. Há fumo branco em Espanha no sentido de se ter conseguido chegar a uma aprovação no Parlamento que permite um governo em plenas funções. Todavia a história é negra para o partido socialista espanhol que, à semelhança de outros partidos socialistas europeus, vê o seu espaço de manobra e poder diminuírem a cada dia que passa, muito por culpa d…

Tomada de Mossul

Recordemos que Mossul, cidade iraquiana, é o bastião do Daesh, berço do auto-proclamado Califado e onde se julga estar Abdul Al-Baghdadi, também auto-proclamado Califa. Mossul é uma das cidades a estar na origem do Califado. A queda de Mossul e consequente expulsão e eliminação de membros do Daesh é uma inevitabilidade e, aparentemente, uma boa notícia. De um modo geral, o Daesh tem vindo a sofrer duros reveses: perda de território, diminuição de receitas, sobretudo daquelas que resultam da venda de petróleo. Existe, inclusivamente, o reconhecimento por parte da liderança do Daesh que a perda do Iraque e da Síria (Califado) será mesmo uma inevitabilidade. O que pode resultar desta claro enfraquecimento? É aqui que tudo se complica. Com efeito, a intensificação de ataques terroristas, mais concretamente no Ocidente, é uma possibilidade real e que deve ser levada em conta. Deste modo, e na óptica de muitos apoiantes do Daesh, a Jihad prossegue. O palco de combate deixa de ser a Síria e o …

O reality show aproxima-se do fim

A campanha para as eleições presidenciais americanas aproxima-se do fim. Aquilo em que se transformou a democracia americana, com figuras próprias de qualquer reality show vazio, redundará na vitória da candidata manifestamente menos má - Hillary Clinton.  Donald Trump, por sua vez, desperdiçou, no debate de ontem, a derradeira oportunidade de fazer frente a Hillary Clinton. Todos apostam numa vitória de Clinton. Eu não sou excepção. De resto, já se sabia que Trump tinha e mantém uma dificuldade aparentemente inultrapassável: não consegue conquistar mais eleitores para além daqueles que desde os primeiros tempos se mantiveram na sua esfera de influência. De um modo geral, esse conjunto de eleitores não chegam, mesmo nos chamados Estados swing - Estados não comprometidos com o Partido Democrata ou com o Partido Republicano - não é certo que Trump consiga conquistá-los. Depois de uma campanha que entra para a história política dos EUA como a mais vergonhosa, Trump deixa, no entanto, uma que…

O último combate

Resta pouco, muito pouco, para comentar, mesmo sem que o último debate entre Hillary Clinton e Donald Trump tenha iniciado. Talvez a palavra "debate" mereça ser substituída por "combate", tendo em consideração a acrimónia, a violência verbal e a boçalidade que caracterizou os anteriores debates e toda a postura de Donald Trump. Daqui por umas horas tem início o último debate. Todos receiam o pior, ninguém sabe se Trump se submete ou não a um teste de drogas, depois de ter acusado Clinton de ter estado sob a influência de estupefacientes no anterior debate. Discute-se tudo, menos política. A política americana bateu no fundo e mesmo que Trump não vença as eleições, já abriu um precedente e, sobretudo, abriu a porta que nos permite ver uma democracia apodrecida. muito longe dos ideias dos pais fundadores tão queridos aos americanos. Trump contribuiu para que seja visível uma sociedade dividida, ainda muito longe de ultrapassar as questões raciais, próxima, muito próxim…

Um orçamento de esquerda?

Mário Centeno acredita que sim, Catarina Martins afirma que não. Eu, humildemente, julgo que que Catarina tem razão, mas que também creio que a porta-voz do Bloco de Esquerda sabe que este é o Orçamento possível e que, em qualquer caso, está a anos luz dos orçamentos e orçamentos rectificativos com o cunho da governação de Passos Coelho. De resto, continua a ser o ainda líder do PSD a cimentar as relações entre as esquerdas. Quanto mais Passos Coelho insiste, mais Bloco, PCP e Verdes estarão próximos da governação de António Costa. É evidente que cada partido esforça-se por não perder a sua identidade. Uma excessiva proximidade pode ser contraproducente e os líderes dos vários partidos têm clara noção disso mesmo. No entanto, e a julgar pelas sondagens, PCP, Verdes e BE continuam a manter o seu eleitorado, verificando-se inclusivamente algumas subidas nas intenções de voto. No que diz respeito ao OE2017 parece tudo dito. Com uma maior ou menor discussão, sobretudo na especialidade, o orç…