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Mensagens

Uma semana repleta de peripécias

Podemos considerar que a última semana foi repleta de peripécias: o livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos", o regresso de Sócrates e por aqui ficamos... é suficientemente profuso; é suficientemente negativo. Sobre o primeiro pouco posso dizer, desde logo pela manifesta dificuldade em abrir o livro, o que, no meu caso, é situação inaudita. Talvez ainda o faça por imperativos da própria crítica: não a posso fazer sem conhecimento de causa. Contrariamente a outros que aceitam convites de apresentação sem fazerem ideia do que vão apresentar. Todavia, e por aquilo que já se conhece do livro, a coscuvilhice é a prata da casa, provocando um desconforto generalizado. Paralelamente, comparar a mera coscuvilhice a casos como o "wikileaks" é, no mínimo, risível. E depois José Sócrates, apenas dizer que depois do que se passou nos últimos anos, o país não precisa de um regresso de José Sócrates. Agora inicia-se uma nova semana. A ver vamos se com menos peripécias como…

Afinal a sarjeta não é o lugar mais recomendável

Passos Coelho que afirmava não ser pessoa de voltar atrás na palavra e "dar o dito pelo não dito", afinal fez precisamente o contrário do que apregoou, pedindo ao ilustre autor do livro "Eu e os Políticos" que o desobrigasse. A editora, outrora conceituada, considera que nem sequer estão reunidas as condições para haver alguma apresentação. Assim, Passos Coelho livra-se de uma tarefa que nada abonaria a seu favor. Até porque é facilmente compreensível que a sarjeta não é o lugar mais recomendável, sobretudo para quem ainda anseia pelo cargo de primeiro-ministro. Mas este retrocesso não se justifica com a natureza ignóbil do livro em questão, mas sim com esta curiosa "desobrigação". É evidente que a polémica que se estava a instalar terá obrigado Passos Coelho a rever a sua posição, embora nunca venha a admitir que a sua associação a um livro que pretende chafurdar na vida de vivos e de mortos não fosse a melhor opção.  Seja como for, ficou a intenção e a ide…

Espalhar o medo e a mentira

A comunicação social está repleta de seres cuja única função parece ser espalhar o medo e a mentira, sobretudo desde que o Governo PS, apoiado por BE, PCP e Verdes, tomou posse. Tudo terá piorado quando começou a ser visível a viabilidade desta solução política. Primeiro acenaram-nos com as trevas que BE e PCP trariam consigo; depois avisaram-nos que os resultados económicos seriam desastrosos; agora alertam-nos para o facto deste Governo estar a ser apoiado por forças anticapitalistas que estão a envidar todos os esforços para instaurar uma espécie de ditadura socialista. Pega-se num discurso de Mariana Mortágua, deturpando essas palavras e acusa-se a deputada do BE de querer "atacar as poupanças dos portugueses", quando na verdade o discurso tinha como alvo aquele famigerado 1 % acumulador de capital. Os mais ricos, portanto, mas tudo visto como um ataque ao capitalismo. A continuar assim não faltará muito tempo para o dia do juízo final e o PS apoia tudo. É claro que não há…

O caminho termina na sarjeta

Acontece frequentemente a quem perde o norte - acabar o seu caminho na sarjeta. Só assim se explica qualquer associação a um livro que pretende vender histórias íntimas de políticos, mesmo daqueles que faleceram. Já ouvimos falar de jornalismo de sarjeta e sabemos que existem livros que se enquadram igualmente nessa categoria. Sabemos também que existe quem faça do desrespeito pelo outro e, amiúde pelo próprio, uma forma de ganhar notoriedade. Porém quando vemos um político terminar o seu caminho na sarjeta - um político que em tempos pediu contenção e respeito à comunicação social precisamente para salvaguardar a sua vida privada - torna-se difícil esconder o incómodo. Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e alguém que visivelmente não está confortável no lugar de líder do maior partido da oposição, é, indiscutivelmente, livre de fazer o que entender. No entanto, ao associar-se ao livro de António José Saraiva que vive do desrespeito pela intimidade do outro, alinha pela mesma cartil…

Há uma diferença

Em rigor, há muitas diferenças a registar entre o actual Governo e o anterior, mas existe uma que merece destaque: o alvo da austeridade. Contrariamente ao anterior Governo que fez dos mais pobres e da classe média o seu alvo, o actual Governo prefere apontar para outras direcções - as dos que mais têm. Bom exemplo é a intenção do Executivo, coadjuvado por Bloco de Esquerda, de criar um imposto para proprietários com património de elevado valor. Concretamente, aqueles que possuem património acima de 500 mil euros. Este imposto será independente do já conhecido IMI. Imposto sobre o património de luxo. Paralelamente, não é sério dissociar desta discussão aquilo que já foi devolvido precisamente aos mais pobres e à classe média no OE2016. A austeridade tem muito que se lhe diga e a chamada para os "sacrifícios" está a contemplar outros nomes que não os do costume.  Haverá sempre quem considere este imposto injusto, designadamente quem se encontra na situação de ter de o pagar, no…

Resgate. Quem falou em resgate?

Subitamente a comunicação social (em Portugal e não só) decidiu falar em novo resgate. O mote poderá ter sido dado por Robert Skidelsky, conhecido na área da história da economia, que, por paragens lusas, referiu a necessidade de um segundo resgate para Portugal. Na verdade, o mote poderia ter sido dado por qualquer um, tal é a vontade que a comunicação social manifesta na mera possibilidade de um acontecimento prejudicial ao Governo, como seria o caso de um novo resgate. O PSD anda há demasiado tempo pelas ruas da amargura. Preso a um líder incapaz de viver na oposição, à espera de um hipotético Diabo, o PSD regozija com um segundo resgate que enfraqueceria a actual solução política e provocaria novo período eleitoral. Esta seria a solução ideal para um partido à deriva que espera pelas autárquicas para se livrar do actual líder. Para a sobrevivência política de Passos Coelho um eventual resgate seria ouro sobre azul, permitindo uma nova esperança para um líder acabado.  Assim voltaria…

Assim se define um partido

A polémica causada por Jean-Claude Juncker, sem particular razão de ser, não passou ao lado do PSD. Se já se desconfiava que os mais elementares princípios éticos andavam ausentes da Rua de São Caetano, agora ainda ficamos com mais certezas. Apregoa-se a ideia de que existe mais vida para além da política e que quem por lá andou tem precisamente a necessidade de refazer a sua vida, nem que seja numa instituição como a Goldman Sachs. É também evidente que Durão Barroso, com os seus privilégios de ex-Presidente da Comissão, poderia facilitar a vida ao partido de pertence. O que não é admissível, pelo menos na óptica de Luís Montenegro, deputado do PSD, é que Juncker se meta no assunto. Montenegro chega a afirmar que se trata de "um espectáculo que não abona a favor da Europa", ao contrário do que se tem passado com as doses cavalares de austeridade que deliciaram o partido.
É fácil esquecer que a democracia pertence ao povo e não aos oportunistas que se passam por representantes …