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Mensagens

IMI: Uma tempestade num copo de água

Em plena silly season e depois de um período manifestamente difícil para uma oposição desnorteada, a comunicação social, despida de assuntos, faz uma tempestade num copo de água em torno do IMI. Desde logo, o principal critério das notícias veiculadas não é o rigor. Propagou-se a ideia de que este Governo pretende taxar a localização, disposição solar ou vista, como se esses critérios fossem uma inovação do actual Executivo. Não é assim. Os referidos critérios já existem e fazem parte do IMI. O que passa a existir é uma variação mais alargada que na prática podem aumentar o valor associado ao imóvel em 20 por cento, como podem reduzi-lo em 10 por cento. Podemos naturalmente discordar da medida, o que não se justifica é tanta celeuma e tanta ausência de rigor nas notícias que abordam o tema. É também evidente que os comentadores de serviço, descredibilizados por se terem associado à tecnocracia de Bruxelas e à mediocridade do anterior Governo, procuram avidamente assuntos que lhes permita…

O Diabo anda por aí, ainda

Desenganem-se aqueles que consideram que o Diabo, conceito medieval, havia morrido há séculos. Aparentemente ele continua bem vivo, não no imaginário colectivo, mas na imaginação de algumas criaturas que pululam pelo mundo da política. Primeiro foi Passos Coelho que, à imagem de um qualquer profeta da desgraça de trazer por casa, anunciou que o Diabo chegaria em Setembro. Porventura algumas crianças, recordando precisamente que o mês de Setembro é o mês de regresso às aulas e altura de rever aquele professor(a) de que ninguém gosta, acabem por dar razão a Passos Coelho - o Diabo chega mesmo em Setembro. Agora foi a vez de Donald Trump considerar que Bernie Sanders, ao aliar-se a Hillary Clinton, fez "um pacto com o Diabo". Bernie Sanders, por inerência, seria uma espécie de Fausto e Hillary como Mefistófeles, o Diabo, isto se Trump tivesse lido o "Fausto". Confesso que há tempos que ando em pulgas para fazer uma qualquer analogia entre o inefável Trump e o anterior pr…

Se as ideias ainda tivessem importância

Se, em política, as ideias ainda tivessem importância, Donald Trump não teria a mais pequena possibilidade de vencer as próximas eleições presidenciais. Se a existência de qualquer estrutura de pensamento tivesse relevância, Trump nem sequer seria nomeado pelo Partido Republicano, ou por qualquer outro partido. Infelizmente, como se vê, basta a irracionalidade e o preconceito que, de mãos dadas, fazem a festa num contexto em que a inanidade é rainha.  Hillary Clinton, por sua vez, e pressionada por Bernie Sanders, propõe o aumento do salário mínimo, fazer frente a Wall Street, designadamente no justo pagamento de impostos de modo a financiar programas sociais, promete lutar pela igualdade salarial entre homens e mulheres, a par do fim das propinas a estudantes de baixos rendimentos. Este é um programa de esquerda; estas são medidas de esquerda; Hillary fala ao país do seu ideário e parte do país simplesmente não quer saber e talvez até se assuste quando confrontado com qualquer coisa re…

Trump: um pesadelo que se poderá tornar realidade

Ainda há escassos dias, estas páginas andavam acompanhadas por um optimismo relativamente às eleições presidenciais americanas, sobretudo depois de uma sondagem do New York Times avançar com 76 por cento de probabilidade de Hillary vencer as presidenciais. Todavia, e depois da convenção republicana ter chegado ao fim, outras sondagens – uma multiplicidade – avançam ou com uma luta renhida ou mesmo com a vitória de Donald Trump. Na verdade, poucos acreditavam que Trump conseguisse ultrapassar os adversários do próprio Partido Republicano, mas o inefável Trump conseguiu; até há bem pouco tempo poucos acreditariam que Trump pudesse mesmo chegar à Presidência americana e agora as sondagens parecem querer ir nesse sentido. Continuo, apesar de tudo, a acreditar que Hillary Clinton conseguirá a eleição, mas para isso precisa de conquistar sobretudo os americanos que tem maior propensão para não votarem, o que manifestamente não está a acontecer. E terá que o conseguir nos próximos meses.
Ora Tr…

Patética mudança de discurso

Primeiro as sanções, na óptica do PSD e de comentadores de pacotilha ao seu serviço, mais não eram do que uma forma de punir o actual Governo pela trajectória escolhida, embora esta ainda esteja a dar os primeiros frutos. Assim sendo, as punições recairiam sobre o que ainda não aconteceu, sobre o futuro - um futuro pejado de conceitos mediavais como o Diabo que, alegadamente, chega em Setembro. Depois, quando a sanção virou zero, o mesmo PSD e comentadores seus acólitos, mudaram radicalmente o discurso - afinal, a ausência de punição é paradigmática do bom trabalho desempenhado pelo anterior Governo, numa súbita viragem e regresso ao passado. É claro que nada disto tem sentido. Por um lado terá existido uma conjuntura de factores que inviabilizaram a abertura de precedente com a aplicação de sanções aos Estados "incumpridores". Desde logo, Shaüble terá intercedido a favor da sanção zero. Porquê? Por causa de Espanha: um castigo infligido ao Estado espanhol seria um castigo a …

Sanção zero. E agora?

Preocupados com a aplicação de castigos a países mais ou menos periféricos e apesar da Europa se confrontar com problemas de dimensão incomensurável, comparativamente, os líderes das instituições europeias ameaçaram e ameaçaram e voltaram a ameaçar Portugal e Espanha. Mas afinal não há multa. E não deverá existir cortes nos fundos estruturais, pelo menos por uma questão de coerência. Já no passado recente assistimos a exercícios de perfeita humilhação da Grécia - transformada num problema de grandes dimensões -, ao mesmo tempo que se minimizava as verdadeiras ameaças à estabilidade da Europa. Depois do Brexit, algo pode ter mudado. Repito: pode. No caso das sanções aplicadas a Portugal, escusado será argumentar o que quer que seja. O caso era simplesmente ridículo, para além de injusto. Por mais de cem vezes não se cumpriram as regras, sem que com isso recaíssem sobre os "incumpridores" qualquer punição. 
Esta é sobretudo uma má notícia para Passos Coelho: primeiro por ter acus…

Afinal...

O défice foi reduzido em 971 milhões de euros no primeiro semestre, ou seja a execução orçamental está a correr manifestamente bem. Contrariamente a outros tempos, a notícia não teve o destaque que seguramente merecia e quando se abordou a questão na comunicação social das duas uma: ou se desvia a atenção para outras questões, tantas vezes sem qualquer ligação directa, ou se procurou desvalorizar o feito recorrendo a conjecturas que redundam invariavelmente numa maquilhagem das contas. Provas disso? Nenhumas. Todavia, vivemos tempos em que a retórica anda sozinha depois de ter abandonado a dialéctica. Basta dizer, não é necessário fundamentar. É evidente que a boa execução orçamental torna a questão das sanções ainda mais ridícula; é evidente que a boa execução orçamental deixa Passos Coelho ainda mais isolado; é evidente que a comunicação social preferia notícias de pendor mais apocalíptico. 
A realidade por vezes é uma chatice. Afinal, contra tudo e contra todos, a "geringonça&qu…