Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O gozo que isto lhes dá

A aplicação de sanções, por muito desprovida de sentido, por muito injusta que seja e por toda a falta de coerência, dá gozo a algumas criaturas que continuam, inexplicavelmente a deambular pela política. O que torna tudo ainda mais curioso é que essas sanções recaem sobre anos em que foram os mesmos que agora rejubilam (o mais discretamente possível) a estar à frente dos destinos do país. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque rejeitam as suas responsabilidades, acusando o actual Governo de não ter feito o suficiente para evitar a aplicação de sanções. Risível, patético e até triste são adjectivos apropriados. Passos Coelho e Maria Luís ainda alimentam a esperança de voltar ao poder, com uma ajudinha da Europa, se possível. Cavaco Silva, por sua vez, dá uma prova de vida no Conselho de Estado, manifestando a sua compreensão pelas ditas sanções. Afinal de contas, é importante cumprir as regras europeias. Não se ouviu uma palavra do antigo Presidente quando as mesmas regras foram desresp…

Ainda sobre os seres rastejantes

O projecto europeu, embelezado ao longo dos anos, reconheço, tem ainda assim sido crucial para garantir paz e coesão social na Europa. Todavia, o mesmo projecto europeu está nas mãos de seres rastejantes, de carácter unidimensional e cinzentos, todos ao serviço de uma Alemanha que procura garantir a sua hegemonia ao mesmo tempo que salva a sua banca. A Europa está condenada, mostra-se decadente, mas os ditos seres rastejantes, néscios munidos de diplomas iguais a tantos outros, não dão importância aos sinais de decadência. Importa agradar a dois senhores: A Alemanha e a alta finança que tem sobrevivido, sem no entanto aprender com os seus erros, graças precisamente a seres rastejantes.  È evidente que o resultado não podia ser pior: descrédito dos eleitos que sucumbiram aos encantos dos mercados; desconfiança generalizada em relação aos não-eleitos que deturpam o quanto podem o próprio conceito de democracia e enfraquecimento do projecto europeu, naturalmente indissociável da democracia…

A hora das sanções

Com o fogo no rabo, Alemanha e responsáveis pelas decadentes instituições europeias preparam-se para aplicar sanções, ou pelo menos perpetuarem a possibilidade de castigos. Hoje, aparentemente, é mais um dia de ameaças, a ver vamos se essas ameaças, raspanetes e fins se transformam em qualquer coisa mais substancial. Mesmo que, por hipótese, Alemanha e decadentes instituições europeias se fiquem pelas ameaças, pelo costumeiro tom de superioridade e por aquela espécie de sadismo de que se revestem as almas mais medíocres, restará apenas mais um sinal de uma Europa sem rumo. Nem com o terramoto causado pelo Brexit os medíocres tiveram o bom senso de agir em conformidade, ou seja, actuar de acordo com a rebelião das águas, procurando não fazer mais ondas. Não. Pelo contrário, entre ameaças de um segundo resgate proferidas pelo ministro das Finanças alemão, e a possibilidade de sanções, a UE caminha alegremente para o precipício. Sendo certo que até lá chegar o governo alemão já ajudou, e m…

Sobre os seres rastejantes

Não há muito a dizer sobre seres rastejantes. Afinal de contas são seres que rastejam pela vida. Uns vingam na política, outros no "mundo dos negócios", outros ainda transitam, com particular sucesso, entre um mundo e outro. Mas são apenas seres que rastejam pela vida. Estranhamente e apesar das óbvias limitações destas criaturas, existe quem lhes conceda uma importância que eles naturalmente não deveriam possuir. E tudo se torna ainda mais estranho quando um destes seres é escolhido para representar outros seres que, aparentemente, possuem coluna vertebral. Compreende-se que as ditas criaturas rastejantess tenham importância para o cinema, designadamente para a ficção-científica de série B, em que se tornaram particularmente famosos depois de atacarem seres humanos indefesos em casas-de-banho; porém, torna-se mais difícil compreender o sucesso destas criaturas na vida real. Compreende-se que as ditas criaturas viscosas sejam retratadas no cinema, sobretudo em filmes de série …

Aplicação de sanções

A Alemanha parece querer liderar um grupo de países que defende a aplicação draconiana das regras comunitárias, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento das metas do défice. Juntamente com Holanda e Finlândia, a Alemanha defende que não deve existir qualquer excepção, contrariamente a países como a França e a Itália que defendem precisamente o contrário. A Comissão manifesta o seu acordo com a Alemanha. "As regras são para cumprir" parecem ser as palavras que soam bem às opiniões públicas dos países acima referidos, a começar precisamente pela Alemanha. Paralelamente, existe uma certa tendência para se misturar o que não tem qualquer relação: crise dos refugiados com metas de défice. Sinais de uma Europa claramente à deriva. É também claro que os problemas do Deutsche Bank, postos a nu pelo FMI que considera que os mesmos constituem o maior risco à estabilidade mundial, não podem ser dissociados da inflexibilidade alemã. Não será por mero acaso que de cada vez que o minist…

Uma estratégia

As instituições europeias, fortemente germanizadas, insistem na questão das sanções, que serão aplicadas aos países "incumpridores", mais concretamente a Portugal e Espanha. A postura das instituições torna-se particularmente chocante depois das convulsões na Europa, sobretudo depois do Brexit. De resto, questiona-se como existe tanta preocupação com umas décimas de défice e tanta complacência com tudo o que enfraquece a própria UE. Todavia e apesar da estranheza que tudo isto nos causa, creio existir uma estratégia bem pensada. Com efeito, não há muito a perder, sobretudo no que toca aos Estados-membros mais relevantes, e se, em última instância, alguns Estados-membros saírem da UE, deixam espaço para os mais ricos poderem fazer um clube mais restrito. De resto, os mercados periféricos já foram mais apetecíveis. Por conseguinte, o enfraquecimento e subsequente saída de alguns Estados-membros poderá ser um mal que até vem por bem. E pelo caminho os países resgatados continuar…

Os ingleses devem estar loucos

Sem a mítica garrafa de coca-cola que caíra misteriosamente dos céus e que dá o mote ao filme "Os Deuses devem estar loucos", os ingleses mostram que a incredulidade nunca se esgota, nem quando nos parece que já vimos um pouco de tudo. Existiram duas figuras no Reino Unido que lutaram pela vitória do Brexit: Nigel Farage do partido nacionalista UKIP e Boris Johnson do partido Conservador, ambos fizeram de tudo - menos delinear uma estratégia para o caso do Brexit ganhar - para que o Reino Unido deixasse definitivamente a União  Europeia. E agora que esse objectivo se concretizou, ambos afastam-se: um, Boris Johnson, desistindo de se candidatar à liderança do partido conservador; o outro, Farage, deixando a liderança do UKIP. Assim, torna-se difícil acreditar que existe um clima de normalidade na política britânica. Pelo contrário, e a julgar pelos últimos acontecimentos, a cobardia e a irresponsabilidade vão fazendo escola no Reino Unido. Farage, por exemplo, alega querer vol…