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Mensagens

Sancionar ou não sancionar, eis a questão?

Em bom rigor, a questão nem sequer se devia colocar, sobretudo depois da vitória do Brexit para que muito contribuiu a arrogância das instituições europeias que, espante-se!, continua a fazer o seu caminho, alegremente. Segundo o jornal francês, Le Monde, a Comissão Europeia recomenda a aplicação de sanções a Portugal e Espanha. Pelos vistos, França ficará de fora, pelas razões evocadas pelo Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker: "A França é a França". Nós somos o resto. Obviamente. O Bloco de Esquerda avançou com a questão do referendo europeu em Portugal, caso as sanções avancem. Reconheço o eventual carácter extemporâneo da proposta - logo após a vitória do Brexit - mas a proposta visa combater esta postura de arrogância, medo e chantagem que tem sido o apanágio da UE e das instituições da Zona Euro. Sancionar ou não sancionar? Depois do Brexit e da subsequente instabilidade que existe na UE, o bom senso recomendaria a não aplicação de sanções, sobretudo quand…

A confusão do costume

O resultado das eleições em Espanha não permitem que o país saia da confusão do costume, embora das eleições apresentem algumas diferenças que podem, no essencial, ser decisivas: o aumento de deputados do Partido Popular, vencedor das eleições; a manutenção do PSOE como segunda força política, embora perdendo deputados, quando as sondagens davam o partido como terceira força política; e a manutenção, mais coisa, menos coisa, dos partidos Podemos (coligados) e Ciudadanos.  O resultado das eleições, que se traduz num reforço do bipartidarismo, também é indissociável do comportamento dos partidos depois das últimas eleições, designadamente dos partidos de esquerda, com PSOE e Podemos em guerra aberta, ao invés de procurarem soluções. O resultado destas eleições pode ser um PP a governar, apesar dos inúmeros escândalos de corrupção, talvez com o beneplácito do PSOE, o que a verificar-se corresponderá a um enfraquecimento da já anódina liderança de Pedro Sánchez. A ver vamos. A inexistência …

Eu europeísta me confesso

Estou convicta que ser europeísta é, antes de mais, ser democrata. Eu europeísta me confesso. Estou há muito tempo zangada com a União Europeia, precisamente por ter traído o projecto europeu, mas acredito, ainda acredito, que esse projecto é o garante de paz e coesão social. Aliás, não consigo imaginar a Europa sem esse projecto. Eu europeísta me confesso. Agora é tempo e insistir ainda mais no aprofundamento da democracia na Europa. Não é tempo para desistir. Caso contrário, serão as forças que se escondem atrás das democracias, mas sem perfilharem as suas orientações, que vão continuar a ganhar terreno, cavalgando na ideia de que a UE é um alvo a abater. É também desta forma que, apontado mais um inimigo, esses partidos escondem os vazio das suas propostas, invariavelmente apoiadas no ódio. Eu europeísta me confesso. O problema não está exclusivamente na UE, muito menos estará no projecto europeu, mas sim naqueles que o traem e no neoliberalismo transversal.
Há largos anos que me si…

Brexit. E agora?

Os britânicos escolheram a saída da UE, o que, bem vistas as coisas, não surpreende: uma longa tradição eurocéptica, factores que pesam sempre nestas equações como o caso da imigração e a germanização da Europa justificam a vitória do Brexit.
Por um lado, as migrações, a crise dos refugiados, a incapacidade da UE em lidar com estas questões, terão seguramente pesado na decisão dos britânicos que, pese embora, tenham beneficiado de um regime de excepção, manifestamente favorável, consideram que a permanência não se justifica. Tudo misturado com o já habitual nacionalismo. Neste particular, acredito que os preconceitos e a demagogia terão tido o seu peso.
Por outro lado, também me parece que os britânicos não querem fazer parte de uma Europa dominada pela Alemanha. Se o eurocepticismo foi sempre relevante no Reino Unido, mais será numa Europa germanizada. E atrás dos britânicos virão outros com a mesma recusa. Com efeito, compreende-se uma a relutância em viver numa Europa o…

As razões da saída

Importa deixar claro que independentemente da decisão do povo britânico, deve imperar o respeito pelo caminho escolhido. Dito isto, façamos o seguinte exercício: pensar sobre as razões que justificam a saída, ou que, pelo menos, fundamentam a posição daqueles que querem ver a UE pelas costas. As questões que se prendem com dinheiro britânico que entra no orçamento europeu não são suficientemente fortes, embora manifestamente mistificadas. A burocracia das instituições europeias não devem chocar os britânicos, tanto que justifique a saída. A preponderância da Alemanha nas decisões europeias já, por outro lado, poderá contribuir para um mal-estar que se estende a outros Estados-membros. Mas será a imigração a pesar fortemente na decisão do "brexit", mesmo sabendo que a saída da UE está longe de significar um eterno fechar de fronteiras. A livre circulação de pessoas, os imigrantes e os refugiados representam argumentos decisivos na hora de escolher a saída ou a permanência. Est…

A saída não é a solução

Uma eventual saída do Reino Unido da UE não é a solução quer para os problemas do próprio Reino Unido, quer para as dificuldades que a UE atravessa, sobretudo quando os cenários políticos que se avizinham são assustadores: Boris Johnson do Partido Conservador inglês que, na eventualidade de chegar ao poder, arrastará o Reino Unido para mais receitas neoliberais, ou o nacionalismo crescente em vários Estados-membros da UE. Neste contexto, a existência de um Reino Unido fora da União - ainda mais - só contribuirá para o enfraquecimento da UE, ao mesmo tempo em que os próprios britânicos assistirão ao agudizar das suas próprias dificuldades.  A saída do Reino Unido pode significar a abertura de uma caixa de Pandora que resultará na própria desintegração europeia. É evidente que esta União Europeia não serve os interesses dos seus cidadãos, demasiado rendida que está ao neoliberalismo. É evidente que a UE encontra-se enfraquecida como nunca esteve. Todavia, abdicar inexoravelmente do projec…

Com ou sem “brexit”

Independentemente do resultado do referendo da próxima quinta-feira, o Reino Unido mostra-se dividido. Evidentemente uma vitória da permanência do Reino Unido permitirá, sobretudo à própria UE, respirar de alívio. E importa não esquecer que o Reino Unido é um Estado-membro da UE que mantém um regime de excepção perante os restantes Estados-membros, com as famigeradas options-out.
A trágica morte da deputada trabalhista, Jo Cox, seguramente contribuirá para uma recuperação da permanência na UE.
No entanto, e como já é patente nas declarações dos responsáveis pelas instituições europeias, não se prevê que a Europa retire as ilações necessárias do mal-estar existente no Reino Unido, mas também noutros Estados-membros - um mal-estar sobejamente aproveitado por partidos nacionalistas. Ainda durante a semana passada, o Presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, mostrava-se entusiasmado perante a possibilidade da aplicação de sanções a Portugal. Há escassas semanas o Presidente da Comissão Europe…