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Mensagens

Estado Social

É por demais evidente que parte dos contratos de associação celebrados com o Estado desafiam qualquer concepção de Estado Social. Havendo oferta pública, não se verifica a necessidade de contratar serviços privados. Elementar? Sim, mas não para todos, isto porque o Estado Social tem muito que se lhe diga e os negócios são sempre os negócios. A intenção do Governo apoiar a escola pública, com medidas justas como a reposição de apoio especializado a crianças com incapacidades permanentes, apoio nos livros escolares e mais apoio para alunos com dificuldades de aprendizagem, é absolutamente essencial e enquadra-se no conceito de Estado Social. Reconheça-se ou não, a sociedade portuguesa apresenta sinais evidentes de egoísmo. Os negócios sobrepõem-se a tudo o resto e um egoísmo mais generalizado ajuda à festa. Talvez por esta razão exista quem não entenda que o Governo está a fazer é da mais elementar justiça.
A instrumentalização de crianças diz muito do carácter daqueles que defendem os seu…

Jornalismo, ou nem por isso

No país em que se procura avidamente o consenso, há um que já se terá instalado: o jornalismo em Portugal (e não só) anda pelas ruas da amargura. Dir-se-á que  internet estará a dar o seu contributo para a crise do jornalismo, o que poderá ser em parte verdade. Todavia, a existência de uma promiscuidade que já não é latente entre jornalistas e poder político seguramente contribui para o agudizar da crise do sector. Vem isto a propósito da notícia da revista Sábado, dando conta de um alegado "crime" cometido pelo ministro da Educação, Tiago Brandão  Rodrigues, sim, o mesmo que está debaixo de fogo por ter posto em causa interesses tão queridos da direita portuguesa. Ora, a revista Sábado acusa o ministro de burlas com bolsa de estudo com base no depoimento de um ex-professor do agora ministro.  Pouco parece interessar que o ministro e a academia em peso tenham refutado as acusações, o mal está feito e terá novo impacto num jornalismo sem crédito, rigor ou isenção. O objectivo d…

Pedro Passos Coelho cansa

Escrever sobre Pedro Passos Coelho cansa. O próprio Pedro Passos Coelho cansa. Cansa por todas as razões que têm sido explanadas aqui, mas sobretudo pelo desconforto manifestado no papel de líder do maior partido da oposição, e pelo facto de se tratar de alguém que ainda não percebeu que o seu tempo acabou. Escrever sobre o anterior primeiro-ministro cansa, mas o facto é que Passos Coelho insiste em dar razões para que o teclado continue a debitar palavras sobre uma figura desgastada, em fim de vida política. Isolado, acossado e desgastado, não atira a toalha ao chão, o que seria um virtude se Passos Coelho ainda tivesse alguma coisa para oferecer ao país. Objectivamente não tem. A sua receita falhou, a forma de estar na política, invariavelmente ocupado na tarefa de fechar portas ao invés de procurar o diálogo, esgotou-se. António Costa está a mostrar que é possível fazer muito diferente daquilo que Passos Coelho fez.
Parte do PSD continua com Passos Coelho e estará até surgir a alterna…

As causas da direita

Desprovida de ideias que não brotem da cartilha neoliberal ou assim-assim, a direita portuguesa encontrou nos contratos de associação com escolas privadas uma causa. Infelizmente para a dita direita - PSD de Passos Coelho e CDS de Assunção Cristas (faz de conta) - essa é uma causa que não é partilhada pela maioria dos portugueses que simplesmente não compreendem a duplicação de ofertas e os gastos excessivos do Estado com escolas privadas quando existe oferta pública. Passos Coelho e Cristas poderiam ter escolhido outras causas: a luta contra o desemprego, o combate as desigualdades, por exemplo. Pelo menos podiam fingir que essas eram batalhas a ser travadas. Não, preferiram escolher uma causa que não colhe na opinião da maior parte dos cidadãos. Contrariamente ao que o bom senso ditaria, Passos Coelho, Cristas e coisas similares insistem nesta batalha. As razões começam também elas a ser evidentes: os interesses são muitos e é por esses interesses que a direita luta - interesses que, …

Quando o colectivo anda ausente

Em Portugal vive-se pouco o colectivo, talvez o hermetismo e a consequente asfixia provocada por décadas de autoritarismo, expliquem a pouca vivência dos portugueses no colectivo. A excepção é o futebol. As grandes manifestações de colectivo nascem dos clubes de futebol. Não existe aqui nenhuma crítica implícita, mas apenas a constatação de um facto. A amplificação em torno deste exercício  é fundamentado pela escassez de exercícios onde colectivo prepondere. No futebol, designadamente por altura da consagração de um campeão, assistimos a um sentimento mais forte de união entre aqueles que partilham as mesmas preferências em matéria de clube de futebol. Um sentimento que, infelizmente, anda ausente durante o resto do ano; ausente noutras situações. Há identificação, há a partilha de objectivos, predomina um entendimento ao alcance de todos e existe a consolidação do espírito de pertença, no qual todos parece contarem. Contrariamente a outros domínios onde impera a exclusão e um cresce…

O Brasil está melhor?

Dilma fora de cena e Michel Temer, que dificilmente seria escolhido pelos Brasileiros, está agora à frente dos destinos do país. O mesmo país que se escandalizou perante a possibilidade de um Lula da Silva, alegadamente corrupto, ministro de Dilma Rousseff, mas que não parece se inquietar com a presença de tanta gente suspeita de corrupção junto de Temer, ele próprio longe de ser impoluto. Não, o Brasil não está melhor e não está melhor pelas razões acima invocadas, mas sobretudo por se encontrar longe de uma democracia consolidada. Dir-se-á que tudo aconteceu num contexto de licitude. Sim, mas nem tudo o que é lícito é honesto e não ouvir a voz do povo, em democracia, não é honesto. No Brasil a democracia - a soberania do povo - foi derrotada. Não se ouve a voz do povo, por razões óbvias: medo. Por muito que o Partido dos Trabalhadores tenha sucumbido a demasiadas tentações e tenha também desvirtuado a fraca estrutura ideológica de esquerda que lhe era inerente, é ainda a única esperan…

Brasil sem Dilma

Como explicar que a Presidente brasileira Dilma Rousseff, sem razão que justifique sequer algum alarido, seja afastada do cargo? É difícil e sobretudo é incompreensível para aqueles que acreditam no poder soberano do povo. O Brasil transformou a sua democracia numa farsa. A direita que pretende chegar ao poder, chegou também à conclusão de que só o conseguiria recorrendo a manobras insidiosas que não passassem pela soberania do povo porque se o povo se pronunciasse, como é norma em democracia, o resultado seria invariavelmente o mesmo: os tais que moveram montanhas para afastar Dilma continuariam arredados do poder. Isso não pode ser, até porque há negócios para fazer. Outra curiosidade da referida farsa prende-se com a palavra corrupção que alguns pretendem associar à Presidente destituída. Na verdade, muitos daqueles que gritaram "sim" em nome de tudo e de mais alguma coisa e aqueles que tudo fizeram para afastar Dilma Rousseff são eles próprios, contrariamente à Presidente …