Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Um homem só

Pedro Passos Coelho acabou. A sua reeleição para a liderança do PSD é uma ilusão efémera, só durará até outros começarem a não afastar a possibilidade de liderarem o partido, o que já acontece, designadamente com Morais Sarmento que vaticina uma curta duração para a actual liderança. Passos Coelho acabou e só ele ainda não o percebeu, ou talvez tenha percebido, mas não possua a coragem para enfrentar a dura realidade. O derradeiro sinal de que o fim chegou terá sido a promulgação do OE16 por parte do Presidente da República que, contrariamente ao seu antecessor, mostra-se disposto a colaborar com a solução política que governa o país. Passos Coelho está isolado, é um homem só: na oposição (que lhe parece tão pouco natural), cada vez mais distante do CDS, sem apoios relevantes no próprio PSD, sem um Presidente que o apoie e com uma solução política de esquerda que está longe de ser uma geringonça desengonçada. E até, pasme-se!, a comunicação social parece querer abrandar o seu ímpeto rea…

Escolhemos o silêncio? Ou vamos falar baixinho para não incomodar?

Depois de conhecidas as penas de prisão dos activistas angolanos - penas que vão até aos 8 anos de pena efectiva - a questão que se coloca prende-se com a nossa posição, designadamente a posição do Governo português. Será que vamos escolher novamente o silêncio e, até certo ponto, a conivência com um regime autoritário e desenquadrado com o século XXI? O Governo de António Costa falou, mas falou baixinho. É claro que os negócios inviabilizam uma tomada de posição mais contundente. Afinal de contas, Angola, mais concretamente o regime angolano, participa com particular intensidade nos negócios em Portugal. Isabel dos Santos olhou e ainda olha para Portugal como aquela nova-rica que se apanha num centro comercial. É só escolher: telecomunicações, imobiliário, banca, etc. Este Governo, ainda que apoiado por partidos como o Bloco de Esquerda, continuará a agir como se tivesse o rabo preso - sem margem de manobra, cinge-se a meia-dúzia de frases inócuas, ainda assim uma evolução comparativam…

Combater o terrorismo

Mais uma vez a Europa foi alvo de atentados terroristas perpetrados pelo Daesh. Depois da prisão de Salah Abdeslam, um dos autores dos terríveis atentados de Paris, Bruxelas viveu o terror. Novamente se falará da necessidade de combater o auto-proclamado Estado Islâmico ou Daesh; novamente se olhará com bons olhos para o encerramento de fronteiras e para a emergência de muros; novamente se olhará com desconfiança para os muçulmanos. Dir-se-á que não, mas a realidade marcada pelo medo faz sempre novas vítimas. É evidente que o combate ao Daesh é central, mas também é verdade que esse combate têm forçosamente de passar pela resolução dos problemas nos países onde o auto-proclamado Estado Islâmico prolifera; assim como atacar todas as fontes de financiamento; o comércio de armas; os paraísos fiscais que albergam o financiamento deste e de outros grupos terroristas; reforçar a cooperação entre políticas e serviços de informação na Europa e fora dela, etc. Todavia nada do acima enunciado será…

Como?

O texto que se segue foi escrito no dia 15 de Novembro de 2015. Apenas substituí a cidade Paris por Bruxelas e o dia da semana. Tudo o resto se mantém.
Os acontecimentos da passada terça-feira em Bruxelas ultrapassam a força das palavras para os descrever. Atentados terroristas concertados, com o objectivo de espalhar a barbárie, em contextos de rotina, dia-a-dia e quotidiano que oferecem tantas vezes uma falsa sensação de segurança. O Daesh reivindicou os atentados. Como combater o Estado Islâmico será a pergunta que voltará a assombrar as nossas consciências. Como combater aqueles que vivem uma espécie de realidade distópica?, aqueles que vivem na crença do Dia do Juízo Final e vivem as suas vidas em função desse Apocalipse. Como combater quem não tem medo de morrer? Como fazer frente a quem parece estar numa competição sangrenta com a al-Qaeda?, quem tem como finalidade levar a humanidade para o século VII? Como lutar contra quem pretende viver como o profeta viveu e impor esse modo…

Saudades de Obama

Ainda Obama não cessou as funções de Presidente dos EUA e já sentimos saudades, sobretudo quando o que surge no horizonte é um verdadeiro pesadelo. O mesmo Obama que protagoniza mais um momento histórico na qualidade de primeiro Presidente em 90 anos a visitar Cuba e como o Presidente que restabelece as relações entre os dois países. Fica a faltar Guantanamo. Fica a faltar o levantamento do embargo. Voltando aos EUA, curioso país aquele que tanto nos oferece um Obama como um Trump. Em rigor, não me parece plausível que Trump venha de facto a ser o próximo Presidente Americano, mas a mera possibilidade é arrepiante. Barack Obama não foi um Presidente consensual (quem o é ou alguma vez o foi?), ainda conseguiu pelo menos um feito: não piorou a imagem do seu país, à semelhança dos seus antecessores e, em larga medida, não terá ido mais longe graças à acérrima oposição republicana.
Obama deixa saudades pela pessoa que é, por nunca ter sucumbido à arrogância de outros presidentes americanos; …

Ainda o Brasil

Surpreende a fragilidade das instituições democráticas brasileiras; surpreende a existência de uma guerra aberta entre poder político e poder judicial; surpreende a atitude de Lula e de Dilma que, talvez por não terem qualquer confiança no sistema judicial e procurando sobreviver a todo o custo, tomaram uma decisão suicida do ponto de vista moral; surpreende precisamente a ausência de moral entre as partes envolvidas. A divulgação de escutas entre Lula e o seu advogado constituiu um atropelo em qualquer Estado de Direito. Já para não falar da divulgação das escutas por parte do juiz de 1ª Instância envolvendo a própria Presidente da República. Tudo isto acaba por comprometer a seriedade do próprio processo e serve apenas para atiçar ânimos já por si atiçados. Não se verifica a imparcialidade dos agentes de justiça, o que é grave em qualquer contexto. O desfecho desta história não será feliz também pelo perigo de não se respeitar a separação de poderes - base do Estado de Direito e essê…

Uma história triste

A situação no Brasil para além de confusa é vertiginosa. Tudo está a acontecer a um ritmo alucinante, desde logo com Lula da Silva ministro apenas por alguns minutos. Nesta história triste a maior vítima é a democracia e é difícil prever o seu desfecho. Nem tão-pouco se percebe se se trata apenas de uma tentativa cobarde de Lula da Silva salvar a pele, na qualidade de ministro, ou se se trata de uma grave intromissão do poder judicial com motivações políticas, ou ainda um misto das duas situações. O que parece evidente é a existência de uma guerra aberta entre poder político e poder judicial. É difícil defender a posição de Lula e de Dilma, assim como é difícil compreender uma justiça com juízes a despejar na comunicação social escutas telefónicas ou a impedir que um ministro o seja. O que é também evidente é que o Brasil atravessa uma grave crise moral, com um sistema político assente em partidos políticos que funcionam somente como redes clientelares, despidos amiúde de qualquer resqu…