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Mensagens

Quantos pais?

A discussão em torno de um cartaz polémico do Bloco de Esquerda, com a imagem de Jesus e uma questão sobre quantos pais tinha o mesmo, esconde-se atrás do argumento do bom gosto ou da falta dele, mas é muito mais do que isso, sendo na verdade mais um indício de que este pais é pequeno, sob demasiados pontos de vista. Todos criticamos o cartaz acusando o mesmo de ser de mau gosto, mas o que a maior parte de nós quer mesmo dizer é que o respeitinho é bem bonito e que existem assuntos intocáveis. O que muitos de nós negam é que gostamos do mundo bem cinzento – a cor do bom gosto. Por outro lado, existem outras questões que mereciam igual ou maior reacção; igual ou maior reflexão. A título de exemplo, deixo uma sucinta lista: - Quantos pais tem a austeridade? Quantos lutaram para uma “solução” chamada troika? - Quantos pais tem a falência do BPN? Do BCP? Do BES? Do BANIF? E de outras que estão prestes a acontecer? - Quantos pais tem o empobrecimento do país? Os mesmos pais que consideraram de…

Até tu Moody's!

Já se tinha percebido que as coisas não estavam a correr bem a uma certa direita portuguesa. Primeiro não conseguiram a tão desejada e necessária maioria absoluta; depois António Costa entendeu-se com os partidos à sua esquerda, numa solução política verdadeiramente inédita; depois ainda o Presidente estrebuchou, mas sem consequências; mais recentemente o OE2016 é aprovado com os votos da esquerda; pelo caminho Bruxelas e os mercados sobreviveram a um governo de esquerda em Portugal e mais recentemente a insuspeita Moody's dá a sua aprovação ao Governo de Costa, dando crédito positivo pela aprovação do OE e afastando o cenário de eleições antecipadas. Até tu Moody's! Até os tão amados mercados se viraram contra a direita assanhada. Toda a argumentação de Passos Coelho assente na teoria da inevitabilidade caiu por terra em parcos meses. A solução política de esquerda é sólida e já são poucos os piegas que compreendem as políticas dos últimos anos, agora que se está a mostrar que…

Ainda os desequilíbrios

Existe um exercício profícuo que nos permite dar consistência à ideia de que este Governo nunca contará com o beneplácito da comunicação social, à semelhança do que tem acontecido no passado. Esse exercício consiste num visionamento de canais de televisão, generalistas e informativos, e consiste também na leitura da comunicação social escrita. Na verdade, nem este Governo nem qualquer outro deveria contar com esse mesmo beneplácito; a comunicação social é caracterizada pelo rigor e pela isenção e não o contrário. Porém, o facto é que o Governo de António Costa nem teve direito a qualquer estado de graça, quanto mais alguma espécie de aprovação pelos nossos reputados meios de comunicação social. O OE2016 foi historicamente aprovado pelos partidos à esquerda do PS. O facto é histórico e não há como negá-lo, mas que "história terá o OE da geringonça?", pergunta Bernardo Serrão do Expresso. O cepticismo e uma espécie de niilismo (até certo ponto involuntário) aliados a uma inépci…

O Orçamento possível

Contrariamente ao que assistimos nos últimos anos, o Governo em funções, coadjuvado pelos restantes partidos de esquerda, negociou com os senhores de Bruxelas o Orçamento de Estado, salvaguardando rendimentos do trabalho e pensões. E apesar de todas as dificuldades externas e internas, Costa conseguiu um feito: passar o Orçamento com a aprovação de partidos que em quatro décadas nunca o haviam feito. Vivemos tempos únicos. É evidente que este não é o orçamento desejável. Existe um aumento da carga fiscal, embora longe do que aconteceu no passado recente e a reposição de rendimentos é módica. No entanto, quebrou-se o ritmo da austeridade cavalar que penalizou incomensuravelmente quem trabalha e trabalhou. Essa é uma grande vitória de todos os partidos que fazem parte da actual solução governativa. É também evidente que são muitas as nuvens cinzentas a pairar sobre nós: uma bolha financeira, uma União desunida, uma moeda sem futuro e um sistema capitalista autofágico.
Ainda assim, este é in…

Lições sobre o acto de ajoelhar

Passos Coelho, mestre no acto de ajoelhar perante as instituições europeias enquanto acusava os portugueses de pieguice, vem agora, num exercício humilhante, acusar o actual Governo liderado por António Costa de se ter ajoelhado perante a Europa". O mesmo Passos Coelho que na mais das vezes que deu lições sobre como ajoelhar, vem agora acusar Costa de fazer o mesmo. Aliás, Passos foi para além do ajoelhar, procurando ir mais longe do que a própria troika. Nem sei bem como classificar tal atitude. Podemos recorrer a uma miríade de adjectivos para caracterizar a postura do anterior primeiro-ministro, mas o adjectivo que provavelmente encontra um melhor enquadramento é "desesperado". No cômputo geral é de desespero que falamos, sobretudo depois de se perceber que a negociação é possível, contrariamente à postura de total subserviência adoptada pelo anterior governo. A negociação que teve lugar entre o actual Governo e as instituições europeias veio esvaziar de sentido toda a…

Lições sobre o acto de ajoelhar

Passos Coelho, mestre no acto de ajoelhar perante as instituições europeias enquanto acusava os portugueses de pieguice, vem agora, num exercício humilhante, acusar o actual Governo liderado por António Costa de se ter ajoelhado perante a Europa". O mesmo Passos Coelho que na mais das vezes que deu lições sobre como ajoelhar, vem agora acusar Costa de fazer o mesmo. Aliás, Passos foi para além do ajoelhar, procurando ir mais longe do que a própria troika. Nem sei bem como classificar tal atitude. Podemos recorrer a uma miríade de adjectivos para caracterizar a postura do anterior primeiro-ministro, mas o adjectivo que provavelmente encontra um melhor enquadramento é "desesperado". No cômputo geral é de desespero que falamos, sobretudo depois de se perceber que a negociação é possível, contrariamente à postura de total subserviência adoptada pelo anterior governo. A negociação que teve lugar entre o actual Governo e as instituições europeias veio esvaziar de sentido toda a…

Mais dinheiro para o BPN

O OE2016 prevê a injecção de 567 milhões de euros nas sociedades que gerem os activos tóxicos do BPN, dinheiro esse que deve regressar à Caixa Geral de Depósitos, maior credor. O caso BPN e suas graves sequelas continuam a persistir sob um manto de opacidade inadmissível em democracia. Quanto nos custou o BPN? Ninguém parece saber, os relatórios do Tribunal de Contas para além de desfasados, são insuficientes. A história do BPN não tem fim. O Estado é chamado todos os anos a cobrir prejuízo das sociedades que gerem o lixo, pagando igualmente ao maior credor: a CGD. Entretanto são muitos os que estão ligados ao BPN, incluindo devedores, que nunca foram chamados às suas responsabilidades, entre eles figuras conhecidas e apreciadas. E quanto ao actual Governo, deve ser exigida maior transparência.
Mais dinheiro para o BPN, para além de profundamente imoral, significa menos dinheiro para os cidadãos e para as empresas. Percebe-se a dificuldade do Governo de António Costa: ou injecta dinheiro…