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Mensagens

Uma Europa doente

O confisco de bens de valor a refugiados de guerra e pulseiras para os distinguir de outros seres humanos é mais um sinal de que o projecto europeu se transformar num absurdo. Mais, a ligeireza com que se esquece a História de um continente fustigado por ódios é assustadora, sobretudo quando o projecto europeu terá teoricamente nascido para combater e eliminar esses ódios. Não, é evidente que o esta união de Estados europeus foi tão-só um projecto mercantilista que beneficiou os países do centro da Europa, em concreto a alta finança. O que é a moeda única senão uma forma de facilitar a vida a um punhado de países e aos seus bancos? E assim continuará a ser, pelo menos por enquanto. Começa a ser incomensuravelmente difícil defender o projecto europeu, sobretudo quando se percebe que não se trata de um projecto de paz e de coesão social, bem pelo contrário. A forma como se tem lidado com o grave problema dos refugiados é mais um sintoma de uma Europa profundamente doente. As lideranças po…

O regresso tão aguardado

Presos a uma moeda sem qualquer futuro, escravos de uma dívida incomensurável e agarrados à ideia da pequenez, Portugal volta a receber os senhores da Troika. O regresso era anunciado e o incómodo o esperado. Ainda assim, parte da comunicação social procura tirar dividendos da visita com o objectivo de pressionar o governo, destacando a aversão da troika às medidas minimamente expansionistas apregoadas por António Costa. Em suma, assistimos aos comentadores do costume a salientar que tudo isto pode correr muito mal e eles de facto esperam que corra tudo pelo pior. A comunicação social, boa parte, a mesma que se deleitou com a teoria da inevitabilidade, a tal que fez ecos da ideia de que os portugueses viveram acima das suas possibilidades, vê com bons olhos a chegada da troika e os olhares de desconfiança das agências de rating - as que falharam clamorosamente as notações financeiras. Esta é a comunicação social que, longe do rigor que se lhe exige, anuncia que "Bruxelas chumba Or…

O árbitro

A ideia de que o Presidente da República desempenha funções sem particular importância, para além de profundamente errada, pode ajudar a explicar a elevada taxa de abstenção. É claro que outros factores são chamados a uma potencial explicação: indolência, desinteresse, cadernos eleitorais desactualizados, etc. Marcelo afirmou que associa o Presidente da República a um árbitro, colocando de lado as suas próprias convicções. Uma ideia falaciosa que tinha como objectivo a mera angariação de votos. Nem Marcelo vai desempenhar as funções de Presidente da República como um árbitro, nem colocará de lado as suas convicções. Quando for chamado a intervir assistiremos a um Presidente que não limitará a arbitrar, nem tão-pouco teremos um Presidente despido de convicções. A actual solução política encabeçada pelo Partido Socialista e apoiada pelos restantes partidos de esquerda é, indubitavelmente, frágil. Está presa por uma figura que continua a unir a esquerda: Passos Coelho. Como já aqui referi,…

Uma candidata engraçadinha

Existe quem tenha a capacidade de assumir a derrota e quem seja manifestamente incapaz de o fazer, sem avançar com explicações patéticas para essa mesma derrota. Terá sido esse o caso do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando procurou justificar a notória derrota do seu candidato com o facto do partido não ter sucumbido à apresentação de uma candidata engraçadinha": "Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, com um discurso ajeitadamente populista que pudesse aumentar o número de votos. São opções e eu não as quero criticar..." Mas ao proferir tal frase já teceu as críticas que diz não querer tecer. A frase é infeliz e tem destinatários conhecidos: o Bloco de Esquerda e Marisa Matias. É lamentável que o secretário-geral do PCP tenha resumido a candidatura de Marisa Matias a uma candidata engraçadinha. Para além da frase conter laivos de misoginia, resumir Marisa Matias a uma candidata engraçadinha anda muito longe da verdade. A candidata do Bloco consegui…

Venceu o candidato do outro tempo

Venceu o candidato presidencial do outro tempo que finge que pertence a este tempo. Venceu o candidato que escondeu a sua predileção pelo anterior regime e pelos seus protagonistas e que em democracia procurou adaptar-se, não tanto com uma nova estrutura de pensamento, mas antes com frases simplistas e sorrisos amistosos. E é assim que o país escolheu o candidato que menos condições oferece para revitalizar o cargo de Presidente da República. Outros escolheram ficar em casa, desprezando a democracia, uns de forma deliberada outros por pura displicência. Para Costa, paradoxalmente, as notícias não são as piores: a candidata que representava a esquerda aldrabada de Francisco Assis e figuras similares sofreu mais uma derrota clamorosa. A primeira derrota surgiu precisamente com o famoso jantar organizado por Francisco Assis cujo cardápio tinha como estrela o leitão e que, a julgar pela fraca adesão, redundou numa incomensurável quantidade de sandes de leitão. Paralelamente, enquanto Passos…

Presidenciais: um resumo

Não é difícil esboçar um resumo daquilo que se pode considerar a campanha eleitoral para as presidenciais. Tratou-se de uma campanha medíocre porque os protagonistas também o são. Pouco ou nada se discutiu de substancial, até porque essa discussão não interessa. De resto, comentadores e jornalistas já o insinuaram ou até já o disseram: Marcelo é o candidato que vai vencer e se possível à primeira volta. Quanto ao resto, debates, trocas de ideias, isso simplesmente não interessa. Já temos vencedor e a ver vamos se os portugueses votam em conformidade. Pelo caminho assistimos a tentativas escandalosas de atingir alguns candidatos, designadamente Sampaio da Nóvoa. O Correio da Manhã não se cansou de pôr em causa o currículo do professor e reitor Sampaio da Nóvoa. As acusações são ridículas e sintomáticas do interesse de alguns órgãos de comunicação social na vitória de um determinado candidato. Resta pouco a acrescentar àquilo que foi uma campanha que dificilmente ficará na memória de algu…

E assim se vai matando a credibilidade

A credibilidade, é sabido, constrói-se, sendo naturalmente o seu inverso também verdade. Vem isto a propósito da decisão do Tribunal Constitucional sobre as subvenções vitalícias para titulares de cargos políticos. Recorde-se que o OE 2015 prevê a suspensão total das subvenções vitalícias a políticos que tenham um rendimento mensal superior a 2000 euros. Insatisfeitos, 30 deputados assinaram um requerimento pedindo que a norma fosse fiscalizada pelo Tribunal Constitucional. Quem são esses deputados? Inicialmente não se sabia, ninguém parecia disposto a dar a cara pelo requerimento. Depois de conhecida a lista, verificou-se que esta é composta por "ilustres" do PS e do PSD. Maria de Belém que até à divulgação da lista agiu como se mantivesse uma natural equidistância, afinal consta da lista de signatários. E Passos Coelho tentou ressuscitar as subvenções, mas terá contado com oposição interna. É evidente que esta reversão tem custos que vão para além do 10 milhões ao erário púb…