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Mensagens

Dificuldades

Depois da tomada de posse do XXI governo constitucional liderado por António costa, ninguém estará seguramente à espera de facilidades e muito menos o próprio. Desde logo continuamos a não enfrentar os elefantes na sala: a Europa, a Zona Euro, a dívida. Os partidos (com algumas excepções) evitaram fazê-lo na campanha eleitoral. Com efeito, o nosso destino não está, como se sabe, inteiramente nas nossas mãos, muito longe disso. Todavia, a mudança de postura do Governo português nas instâncias europeias será um desenvolvimento importante que terá consequências opostas às que temos conhecido. Pelo menos, deixaremos de ver os nossos representantes políticos apostados em alinhar com a Alemanha no esmagamento de países, como se passou com a Grécia. Não estou a ver Mário Centeno ou António Costa sentarem-se ao colo de Shaüble. Mas as dificuldades também se sentirão por cá. Desde logo com a comunicação social - tão próxima da direita. Não me parece plausível assistir a uma mudança acentuada na…

Fim de um ciclo

Cavaco Silva,  a muito custo e depois de colocar todas as dificuldades, não teve outro remédio que não fosse indigitar António Costa. Assim, o país terá um novo Governo do Partido Socialista apoiado, no Parlamento, por Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Ecologista "Os Verdes". A alternativa seria um Governo de gestão, visto de um forma geral como uma solução desastrosa. A notícia é boa porque significa um virar de página, não à austeridade - essa continuará de forma mais suave - mas à forma de fazer política. Passos Coelho e o seu séquito inauguraram uma nova forma de fazer política: contra tudo e contra todos, a começar pela própria constituição da República, sempre a coberto do pensamento único assente na premissa de que não há alternativa. Essa forma de fazer política revestiu-se de outras características: a mentira, sempre a mentira; a incompetência generalizada - a mediocridade não permite outra coisa que não seja a incompetência. Foram tantos os e…

Da ingenuidade

Ia jurar que vivíamos num sistema semi-presidencialista, com forte preponderância da Assembleia da República. Vivi anos convencida que era da Assembleia da República que saíam os governos. Pensava também que ao Presidente da República não cabia a tarefa de examinar programas políticos ou acordos entre partidos e, na minha ingenuidade, acreditava que esses programas ou acordos não passavam pelo crivo do Presidente da República. Estava enganada. O regime, na óptica de Cavaco Silva, é Presidencialista, a Assembleia da República tem muito menos importância que se imaginava e os programas políticos e acordos têm mesmo de passar pelo crivo do Presidente da República que escolhe o que mais lhe apraz. Não espanta pois que Cavaco Silva ainda não tenha indigitado António Costa, preferindo passar-lhe trabalhos de casa, com o objectivo claro de minar os acordos firmados entre PS/BE/PCP e PEV. Cabe ao PS e aos restantes darem garantias ao Presidente da República; a existência de acordos entre os vá…

A tradição já não é o que era

A demora do Presidente em tomar uma decisão mais não é do que uma forma de inquinar a democracia representativa e porquê? Porque se se tratasse de uma solução exactamente com os mesmos contornos, mas envolvendo partidos do chamado arco de governação, tudo estaria já resolvido. Com efeito, PCP, PEV e BE são vistos como elementos estranho num corpo - elementos que seriam e têm sido naturalmente rejeitados. As palavras do Presidente traduzem isso mesmo. Todavia, esquece-se que esse corpo não interpreta PCP, PEV e BE como elementos estranhos. Parte do povo chega mesmo ao ponto de escolher esses ditos elementos estranhos. Só assim se explica a insistência do Presidente em dar a palavra a todos os que rejeitam esses elementos, os mesmos que têm beneficiado de um sistema inquinado, deliberadamente inquinado, refém da eterna solução PSD/PS/CDS: banqueiros, empresários, consultoras e alguns economistas que agem como se eles próprios - e só eles - fossem o corpo que rejeita os elementos estranhos…

Conjecturas

A indefinição do Presidente da República, aliada a uma exasperação e desespero da direita, resulta numa profusão de conjecturas. Todos especulam, todos arriscam exercícios de futurologia, todos caem em profecias inconsequentes, desde o governo de gestão, passando pela indigitação de António Costa e culminando num hipotético Governo de iniciativa presidencial. Cavaco Silva preferiu a indefinição, escolheu uma retórica nada adequada a um Presidente da República e, pelo menos na Madeira, tentou mostrar a sua boa disposição quer com douradas, quer com bananas, o que é próprio de alguém que perdeu por completo o pouco respeito que tem pelos cidadãos. Tudo para proteger os seus apaniguados – os mesmos que aldrabam compulsivamente - veja-se a questão da sobretaxa. Pura aldrabice, Já resta pouco a dizer deste Presidente que não acabará o seu mandato com qualquer dignidade, mas antes com o raciocínio tolhido pelas suas preferências, caindo invariavelmente no ridículo de colocar os seus preconcei…

Ninguém quer um Governo de gestão

Depois de uns dias na Madeira, sem pressas para o que quer que seja, o Presidente da República entretém-se ouvindo mais umas personalidades, deixando escapar experiências do passado que não encontram paralelo com o que se passa hoje. Cavaco esteve 5 meses em gestão (eu diria mais, tendo em conta a inércia em momentos decisivos), mas porque sofreu uma moção de censura por parte do PRD; sem maioria parlamentar o Presidente da altura, Mário Soares, dissolveu a Assembleia da República e convocou novas eleições. Hoje Cavaco não pode fazê-lo. Ninguém quer um Governo de gestão e Cavaco - que tanto gosta de ouvir "pessoas" - prefere ignorar esquerda e direita e até candidatos à Presidência da República. Marcelo Rebelo de Sousa já afirmou que o país precisa urgentemente de um Orçamento de Estado e, apesar de contido nas palavras, não revela qualquer entusiasmo com a possibilidade de um Governo de gestão. Nem o próprio PSD se mostra interessado nessa possibilidade, apesar de insistir n…

Protelar, protelar, protelar

Protelar. Parece ser esta a palavra do dia. Pelo menos para o Presidente da República que mostra estar disposto a ouvir meio mundo e arredores, tudo com o objectivo de protelar, protelar, protelar. Essa é a palavra de ordem. Um sinal inquietante, por duas razões: a primeira porque mostra que Cavaco Silva está contra uma solução legítima saída do Parlamento, estando portanto contra o próprio Parlamento e contra a vontade dos cidadãos; por outro lado, importa ter em conta os custos que uma demora na decisão acarreta, a paralisação a que o país estará sujeito é prejudicial para todos. Mas tudo pode ainda piorar, basta para isso, e depois da demora, o Presidente da República recusar a solução de esquerda, deixando Passos Coelho em gestão. Num contexto em que impera uma maioria de esquerda no Parlamento teria a sua componente cómica não fossem as consequências graves dessa decisão. Todavia há muito em jogo, o que justifica quer a demora na apresentação de uma solução, quer a eventualidade d…