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Mensagens

Dualidade de critérios

Nunca o país, sobretudo no que diz respeito à comunicação social, se mostrou tão exigente com os políticos. Não com todos os políticos, mas com os políticos que integram os partidos de esquerda e que se preparam para apresentar uma solução política em oposição à "solução" apresentada pelo Governo de Passos Coelho. Se dúvidas existem sobre esse acréscimo de exigência, sugere-se o seguinte exercício: assistir aos canais de televisão (com especial relevo para o canal público RTP1) e passar os olhos pelos jornais. A exigência que se pede aos partidos de esquerda, e que não há memória de ter sido sequer aflorada nos partidos de direita, é comparativamente incomensurável. Dir-se-á, numa tentativa de enquadrar tudo num contexto de normalidade, que esta solução avançada pela esquerda é inédita. É bem verdade que sim, mas só esse facto não justifica tão acentuada dualidade de critérios. Por que razão se exige tanto da solução de esquerda e se lidou com tanta naturalidade com a inexist…

Deprimente

O novo Executivo de Passos Coelho é simplesmente deprimente e sintomático de um Governo a prazo, a muito curto prazo. Deprimente por ver tantas vezes as mesmas caras e por ver novas (velhas) com passados intrinsecamente ligados ao pior que o país tem para oferecer como é o caso do BES. Em 2013 o novo ministro da Administração Interna, Calvão da Silva, atestou a idoneidade de Ricardo Salgado que serviu de defesa junto do Banco de Portugal. O agora ministro sustentou a sua tese na peregrina ideia da importância da solidariedade na sociedade, referindo-se à famosa prenda de 14 milhões que Ricardo Salgado recebeu de um empresário. Podia ser uma piada, mas não é. Seja como for, a pessoa em questão será agora ministro de um dos governos de menor duração da história da democracia portuguesa. Deprimente será também ver aquele conjunto de pessoas tomarem posse para desempenharem funções efémeras, tudo isto porque o Presidente da República insiste em viver com um desfasamento de mais de 40 anos.

Luaty Beirão

Luaty Beirão decidiu colocar um ponto final na greve de fome. A pressão familiar foi compreensivelmente decisiva para a decisão do activista angolano perante a inflexibilidade do regime ditatorial que assombra aquele país e que teria Luaty morrer de fome, sem grandes sobressaltos. A decisão de Luaty Beirão entrar em greve de fome e as subsequentes semanas de definhamento trouxeram nova visibilidade à questão do regime angolano.  Luaty e seus companheiros reforçaram a ideia de que esse regime pode e deve ser combatido e de que existe uma crescente disponibilidade nesse sentido. Quanto à postura das autoridades portuguesas, mais do mesmo: pusilanimidade, conivência, comprometimento com os negócios e só com os negócios, sempre e apenas com os negócios. Assim sendo, não vale a pena inquietar quem desrespeita grosseiramente dos mais básicos direitos humanos. Os democratas angolanos contarão com o apoio de muitos portugueses; o Governo suportado pela coligação apoiará o regime e os negócios d…

Surpresas

Antes e durante o período eleitoral o país, aos olhos dos ilustres membros e apologistas da coligação PàF, caminhava a passos largos para a recuperação; o país estava bem e recomendava-se. Sem programa eleitoral digno desse nome e com um passado repleto de incompetência, ignomínia e mentiras, a coligação preferiu apontar direcções a um futuro esplendoroso. Todavia, a história está longe de ser aquela que foi contada antes e durante a campanha eleitoral e muitas surpresas se avizinham. A primeira já chegou: a devolução da sobretaxa vai ser afinal ridiculamente menor do que aquela anunciada antes e durante a campanha eleitoral. Ou seja, os funcionários públicos vão receber muito menos do que o prometido - facto conhecido desde Fevereiro, mas convenientemente escondido. Mas mais do que se esconder, mentiu-se. É simples, mentiu-se, mais uma vez mentiram. E o que nos espera do BES ou de outros bancos? E haverá ou não aumento de custos com as PPP's? E em que estado está a Caixa Geral de D…

E é assim que se une um partido

A existência de vozes dissonantes no seio do Partido Socialista era conhecida e podia ter sido aproveitada pela direita. Podia ter sido, mas não foi. Cavaco Silva ao proferir um dos discursos mais antidemocráticos de que há memória, acabou por unir aquilo que estava potencialmente desunido. O tiro terá sido pela culatra. A reacção imediata dos partidos de esquerda foi precisamente a união e coesão, precisamente o contrário que Cavaco pretendia. A existência de um inimigo externo causa, amiúde, a união de um grupo que encontra um forte elemento em comum e que os une: a existência de um inimigo externo, sobretudo se este se manifestar contra a existência do referido grupo. Não se percebe se terá sido inépcia, mas o facto é que a tentativa ignóbil do Presidente da República foi contraproducente e resultou na união interna do PS e da combinação PS/BE/PCP/PEV. E como Francisco Louça bem referiu "ninguém quer ser o Cavaquista do PS".
Resta ao Presidente esperar pela moção de rejeição…

Grau zero da política

Cavaco Silva representa o grau zero da política e se dúvidas existissem, no dia 22 de Outubro, ainda Presidente teve o condão de as dissipar. Cavaco Silva não surpreendeu ao indigitar Pedro Passos Coelho, mas quando muitos esperavam que o pior já tinha passado, Cavaco profere um discurso que prova que este não é um Presidente de todos os portugueses. Caracterizar o discurso do Presidente como sendo irresponsável, é manifestamente escasso para descrever o que se passou ontem à noite – Cavaco desrespeitou os deputados eleitos, desrespeitou os eleitores dos partidos à esquerda do PS e, por inerência, desrespeitou a democracia. Mas Cavaco vai mais longe: procurou pressionar deputados – eleitos representantes do povo – no sentido de se comportarem como Cavaco pretende. Cavaco podia simplesmente indigitar Passos Coelho com o pressuposto da tradição, apenas indigitar com esse fundamento. Mas não, o Presidente de alguns portugueses não resistiu e comportou-se como o chefe da pandilha – nada mai…

Esclarecedor

Os dias subsequentes ás eleições de dia 4 de Outubro têm sido particularmente esclarecedores. Desde logo ficamos esclarecidos quanto às intenções de todos aqueles que, pese embora não reúnam condições de governabilidade, insistem que devem ser eles os escolhidos, pela prosaica razão de terem ficado em primeiro lugar. Pouco interessa serem incapazes de governar e menos interessa ainda que exista uma solução de maioria, o que imperativo é não perder o poder. Curiosamente, há quem se mostre disposto a tudo para se manter no poder: aceitar o que durante mais de quatro anos terá sido simplesmente impossível de aceitar e prescindir de posições na hierarquia como se tudo se resumisse a questão de lugares. Estes dias e os anteriores têm sido esclarecedores no que toca à forma como a generalidade da comunicação social trata quem não está ligado aos partidos dos negócios. Se antes das eleições as diferenças de tratamento eram mais do que evidentes, agora é simplesmente escandaloso. Perante a pos…