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Mensagens

Transparência

A transparência é um valor basilar da democracia, sem transparência não existe a confiança que é necessário estabelecer entre cidadãos e instituições democráticas. Infelizmente muitos políticos preferem a cosmética à transparência. É o caso de Maria Luís Albuquerque, actual ministra das Finanças, que no seu tempo de secretária de Estado deu ordem para esconder prejuízo do BPN. Segundo o jornal Expresso, Maria Luís Albuquerque "pediu à Parvalorem, empresa pública que gere os activos tóxicos do BPN, para esconder prejuízo de 150 milhões de euros, de forma a não agravar défice de 2012". O ministério das Finanças veio de imediato desmentir a notícia. A julgar pela seriedade da ministra das Finanças na trapalhada dos contratos swap, toda a gente ficou sossegada com o desmentido do ministério por ela tutelado. Um desmentido que ganha força a poucos dias de eleições. Transparência e verdade: palavras desconhecidas para a coligação. A cosmética das contas pública tem um valor supremo…

O "colega" grego

Depois de ter contribuído para o esmagamento do Syrisa e, por inerência, da Grécia, Passos Coelho dá o bom exemplo do "colega" grego que recusou o "radicalismo" do seu próprio partido. Será difícil recordar um período da história da democracia portuguesa em que o primeiro-ministro tivesse uma lata tão incomensurável como Passos Coelho demonstra ter. Recorde-se que o Syrisa e Alexis Tsipras foram esmagados por uma Europa preocupada com os interesses internos, concretamente com o futuro dos partidos que garantem a manutenção do status quo. Recorde-se que Passos Coelho e seus acólitos só não tiveram um papel maior no esmagamento da Grécia porque a pequenez que lhes é inerente não permitiu. Recorde-se que apesar da austeridade em dose cavalar imposta à Grécia, o "colega" Tsipras não deixou sair da mesa das negociações a questão central da reestruturação da dívida - discussão essa imediatamente rejeitada por essa sumidade do despudor chamado Pedro Passos Coelho…

O que sobressai de uma campanha pobre

Desta campanha eleitoral composta, em larga medida, por personagens medíocres, sobressai a lata dos membros da coligação que acusam o PS de tudo e mais alguma coisa como se nos últimos anos o país tivesse sido governado por alguma figura maléfica que eles - coligação - desconhecem. A lata (é mais do que despudor, descaramento, e mesmo lata, acompanhada por uma inexorável falta de vergonha) é tanta que se torna impossível enumerá-la, mas fica, a título de exemplo, a questão das pensões e as acusações ao PS, já não para falar da ideia de que o Governo repôs as pensões, quando foi o Tribunal Constitucional a repor a legalidade e subsequentemente as pensões. Desta campanha fica a incapacidade do PS. António Costa tem ainda algum tempo para chegar aos indecisos que se estima atinjam os 20 porcento. O raciocínio é simples: se os indecisos (talvez com o peso do voto útil) caírem para o lado socialista - muito mais provável do que caírem para o lado da coligação - então o resultado poderá ser …

Afinal... não é bem assim

O défice afinal disparou para os 7,2 por cento para o ano de 2014, um valor a rondar o dobro previsto. A razão? Banco Espírito Santo. A notícia no mínimo embaraçosa, sobretudo em plena campanha eleitoral, acabou por ser desvalorizada pelo ainda primeiro-ministro recordando que a demora na venda do Novo Banco afinal traz vantagens para o Estado português pela razão dos juros que o país arrecada com o empréstimo.Mas à semelhança de tudo o resto, a verdade não é bem aquela proferida pelo ainda primeiro-ministro. Em rigor, Passos Coelho ter-se-á esquecido de referir um pormenor: o fundo de resolução paga juros ao tesouro, o que não representa qualquer ganho para o Estado. Paralelamente o dinheiro em causa corresponde a uma parcela do empréstimo da troika e o que representa pagamento de juros por parte do Estado português, o que significa que os contribuintes ficarão mais de uma década a pagar esse empréstimo. Assim se percebe que o assunto não merece ser desvalorizado pelos membros da col…

Igualdade e democracia

A igualdade, designadamente a igualdade de oportunidades, é característica central da democracia e um dos caminhos para essa igualdade é a ascensão social. Infelizmente, os últimos quatro anos e meio foram marcados por retrocessos também neste particular. A aposta no ensino privado, enquanto o ensino público é alvo de cortes sem precedentes, é paradigmático do desprezo que este Governo demonstrou ter pela necessidade de se garantir que todos têm as mesmas oportunidades, independentemente do contexto sócio-económico. Existe uma multiplicidade de razões para não desejar uma reeleição de Passos Coelho de Paulo Portas, a igualdade de oportunidades é apenas mais uma que se insere na degradação da própria democracia. Numa campanha em que as ideias e as verdadeiras intenções são relegadas para segundo plano, importa ter presente o trabalho que tem sido feito por aqueles que apenas têm inépcia e uma lata incomensurável para mostrar.
Por outro lado, ao invés de se discutir, até à exaustão, o prog…

Sair das trevas

Há muito a dizer do trabalho da coligação que sustentou o governo: empobrecimento, aumento das desigualdades, enfraquecimento do Estado Social, excitação desmesurada e doentia com a austeridade, mas o regresso do obscurantismo em todo o seu esplendor merece também discussão. De um modo geral, estes últimos quatro anos e meio foram caracterizados por um inaudito retrocesso na cultura, educação, ensino superior, ciência e tecnologia, comprometendo desta forma quaisquer tentativas no sentido do desenvolvimento do país. Se das eleições que se avizinham sair um governo de esquerda voltaremos seguramente a sair desse obscurantismo que é sobretudo ideológico. Os programas da esquerda e qualquer perspectiva empírico nos revelam que as artes e humanidades, a cultura, a ciência, tecnologia e inovação são sectores que merecem uma incomensurável importância comparativamente com a direita atávica que nos tem governado. Deslumbrada com indicadores económicos, assentes tantas vezes em números martelad…

Eleições na Grécia II

É difícil abordar o tema sem reconhecer a existência de um sentimento de desilusão perante tudo o que aconteceu na Grécia. O partido de esquerda radical Syrisa prometia romper com a austeridade e, depois de um inexorável esmagamento por parte das instituições europeias com a Alemanha à cabeça, o Syrisa acabou ele mesmo esmagado e a braços com mais doses cavalares de austeridade. Tenho a teoria que Tsipras, reeleito primeiro-ministro grego pelo Syrisa, perante a iminência de ser empurrado para fora do Euro, aceitou o pior plano possível para comprar tempo, mantendo-se no euro. Entretanto, talvez algo mude na configuração política europeia, designadamente com as eleições que se avizinham em Espanha e na Irlanda. Seja como for, o mesmo Tsipras demitiu-se e recandidatou-se para ganhar e reforçar a sua legitimidade  Alguns questionam-se sobre como é que é possível alguém que defraudou as expectativas de tantos gregos poder ser reeleito. Desde logo porque a alternativa - Nova Democracia - era…