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Mensagens

E agora PSD/PS?

A questão grega pode vir a baralhar as contas nas eleições legislativas que se avizinham e contrariamente à opinião dominante, creio que a coligação PSD/PS sairá sempre a perder, independentemente do desfecho grego. Se a Grécia conseguir qualquer coisa de positivo, designadamente a reestruturação da dívida, os portugueses colocarão questões sobre a postura do Governo português ao longo destes quatro anos - uma postura de total subserviência e, em muitos aspectos, de aprofundamento das políticas destrutivas impostas pela troika. Neste cenário não chega dizer que a culpa é do PS e que se resolveu o problema com a saída da troika. Todos sabem que a troika nunca saiu verdadeiramente do país. Na verdade, há quem se questione sobre as razões que levam o Governo português a não fazer mais pelo país. Por outro lado, se a Grécia sair do euro, as consequências para Portugal não serão desprezáveis e a anódina linha de argumentação da coligação poderá não ser suficiente para conter o que para aí po…

A teimosia da Europa

A Europa mostra uma irascibilidade crescente em relação à Grécia. O referendo do passado domingo apenas veio agravar essa irascibilidade misturada com uma teimosia que custará caro à própria Europa. O BCE, cujas funções são discutíveis, mas claras, age como punidor da Grécia, recusando aumentar a linha de emergência aos bancos gregos, empurrando a Grécia para uma situação real de colapso do seu sistema bancário. Será esta a função do Banco Central Europeu? O homem da Goldman Sachs, Mario Draghi, parece pensar que sim. Resta saber se esta postura do BCE não pode ser contraproducente e resultar num conjunto de consequências jurídicas accionadas pela Grécia contra esta e outras instituições europeias. A Grécia está a ser claramente empurrada para fora do euro, mas existem tratados que não podem ser ignorados. A Grécia, governada pela esquerda, não é bem-vinda no clube europeu - um clube, mais do que uma união, trata-se de um clube em que os seus membros tem de ser neoliberais ou próximos d…

Varoufakis

Depois da surpresa do referendo grego, agora a saída de Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças grego. A ideia passa por combater a animosidade criada entre "credores" e responsáveis políticos gregos. Segundo a comunicação social, alguns ministros das finanças e responsáveis europeus não apreciavam o ministro das Finanças grego. Assim, procedeu-se a uma substituição, com o Governo grego a pretender mostrar que está de boa-fé, embora em rigor, o ministro Varoufakis jamais terá manifestado estar de má-fé. De qualquer forma, lamenta-se a saída de alguém que contribuiu para uma mudança na forma de se ver a política que deixou de ser tão cinzenta e estéril. Varoufakis mostrou ser um homem dotado de uma personalidade singular e pujante; Varoufakis mostrou saber estar mais perto dos cidadãos, e a par de Tsipras, revelou ser a antítese dos políticos que proliferam por essa Europa. Espera-se que a sua demissão não implique o seu desaparecimento. A história seguramente não o esquecerá…

O oxi venceu

Para surpresa de muitos, o não (oxi) venceu e com uma margem significativa. O povo grego tem ainda um longo e árduo caminho pela frente, porém vai fazer esse mesmo caminho com a sua dignidade restaurada. As instituições europeias e a esmagadora maioria das lideranças dos Estados-membros de países que compõem a Zona Euro mostraram estar-se as tintas para a democracia e não vão desarmar, sobretudo agora que o Syrisa vê a sua legitimidade reforçada. A ideia de que a Grécia já nem faz parte da Zona Euro vai fazendo também o seu caminho. Como? Empurrando o país para essa eventualidade, tendo em consideração que os tratados não contemplam essa possibilidade. Por cá, a mesquinhez das nossas lideranças, aliada a uma subserviência confrangedora afunda-nos na miséria enquanto nos rouba a dignidade. Para estes, a vitória do oxi merecerá os comentários mais abjectos – os mesmos que são proferidos pelos comentadores do costume que vão procurando “fazer opinião”. A Grécia deu indubitavelmente uma li…

Referendo

Se tudo correr de acordo com o previsto, os gregos serão chamados, no próximo domingo, a se pronunciarem sobre o acordo que as instituições europeias e FMI tentaram impor. Ou seja, serão chamados a conceder ou não a sua anuência a mais cortes nas pensões, a aumento de impostos, a uma não solução para a dívida, a mais empobrecimento e à perpetuação da escravatura. Nesse mesmo referendo estarão implícitas questões aparentemente mais abstractas: sucumbimos ao medo? Aceitamos mais humilhações? Preferimos uma solução aparentemente mais confortável de aceitação incondicional ou preferimos a rejeição e as consequências desconhecidas? Nesse mesmo referendo, os gregos serão chamados a se pronunciarem sobre as armadilhas montadas contra a Grécia como o caso dos lucros do BCE. O que terão os gregos a dizer sobre o facto do BCE reter indevidamente 1,8 mil milhões de euros referentes à fatia que cabe à Grécia - um valor que seria suficiente para pagar os 1,5 mil milhões que o FMI reclama? O que os g…

O infortúnio dos outros

Alguns de nós dão-se bem com o infortúnio dos outros e ainda se dão melhor com exercícios de pretensa superioridade e frequente menosprezo por quem se bate pelos princípios mais elementares de justiça. Assim se passa com a questão grega. A fúria que se instalou em Portugal, e não só dirigida, ao governo grego e aos próprios gregos é desproporcionada e amiúde irracional, quando eles apenas tiveram a coragem de fazer aquilo que nós somos incapazes de fazer.  Aconteça o que acontecer, o povo Grego ofereceu-nos lições que não se coadunam com a cegueira das lideranças europeias e com a exiguidade de pensamento de alguns cidadãos. Pouco interessa conhecer a origem da dívida grega e os negócios subjacentes; não interessa discutir o domínio da banca que contrasta com a miséria do povo; pouco relevância terá discutir a forma como a Grécia foi coadjuvada no processo da criação da dívida pela finança e por Estados-membros interessados em fazer negócios ruinosos; esqueçamos que o dinheiro oriundo do…

OXI

O medo e a chantagem até podem vencer o referendo de domingo na Grécia, mas este país fez mais pela democracia do que todos os restantes Estados-membros juntos. E será este mesmo país a preencher as páginas da História que não tem o hábito de perder tempo com exercícios de pusilanimidade. Não falo grego e até ontem desconhecia o significado da palavra “oxi” (nao), porém se fosse grega participaria no referendo do próximo domingo e sem hesitações escolheria “oxi”.
Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; Oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi; oxi…