Alguns
de nós dão-se bem com o infortúnio dos outros e ainda se dão
melhor com exercícios de pretensa superioridade e frequente
menosprezo por quem se bate pelos princípios mais elementares de
justiça. Assim
se passa com a questão grega. A fúria que se instalou em Portugal,
e não só dirigida, ao governo grego e aos próprios gregos é
desproporcionada e amiúde irracional, quando eles apenas tiveram a
coragem de fazer aquilo que nós somos incapazes de fazer. Aconteça
o que acontecer, o povo Grego ofereceu-nos lições que não se
coadunam com a cegueira das lideranças europeias e com a exiguidade
de pensamento de alguns cidadãos. Pouco
interessa conhecer a origem da dívida grega e os negócios
subjacentes; não interessa discutir o domínio da banca que
contrasta com a miséria do povo; pouco relevância terá discutir a
forma como a Grécia foi coadjuvada no processo da criação da
dívida pela finança e por Estados-membros interessados em fazer
negócios ruinosos; esqueçamos que o dinheiro oriundo do…
Para a construção de uma sociedade justa e funcional é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: a protecção do ambiente, o bem-estar social com a necessária eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. No entanto, estamos a falhar clamorosamente o primeiro objectivo, o que faz com tudo o resto seja inexoravelmente sem importância.