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Mensagens

O problema que eles criaram

A sustentabilidade da Segurança Social é uma grande preocupação da ministra das Finanças. Segundo a mesma será necessário um corte de 600 milhões (segundo o DN no prazo de apenas um ano) para garantir a sustentabilidade da Segurança Social. Talvez não fosse má ideia que a ministra esclarecesse por que razão a Segurança Social, que durante mais de uma década apresentou saldo positivo, até há três anos atrás, apresenta agora problemas de sustentabilidade. Como Mariana Mortágua referiu. Será que a destruição de empregos e a emigração, ambas sem precedentes, têm alguma relação com os problemas da Segurança Social que tanto afligem a ministra? Será que essa insustentabilidade não estará relacionada com o trabalho que tem vindo a ser desempenhado quer pela ministra, quer pelos seus colegas de Governo? É claro que o gosto que a ministra e os acólitos de Passos Coelho têm pelo privado é indissociável da forma como se apresenta o problema. A verdade é que a fragilização da Segurança Social e a a…

Acordos, coligações, pactos, entendimentos e afins

Se António Costa vencer as próximas eleições legislativas ver-se-á confrontado com a necessidade de entendimentos à sua esquerda. Isto por duas razões: primeiro porque dificilmente conseguirá uma maioria absoluta; em segundo, porque o PS já rejeitou entendimentos à direita. Ora, perante este cenário que contará com um Presidente relutante em dar posse a governos minoritários, resta ao PS e aos partidos à sua esquerda entenderem-se e aqui começará outro drama para o país, desde logo porque a esquerda insiste no hábito da desunião. Existem claros entraves a um entendimento entre os partidos mais à esquerda e o Partido Socialista: a questão da dívida e a forma como Portugal se posicionará no contexto europeu são óbices a um entendimento. Os partidos mais à esquerda defendem a reestruturação da dívida e perdões de dívida que são rejeitados pelo PS; os partidos mais à esquerda do PS rejeitam o Tratado Orçamental que o PS quer respeitar e cumprir. Acordos, coligações, pactos ou entendimentos m…

A perseguição aos pensionistas

Nem mesmo a escassos meses de eleições o PSD, designadamente a ministra das Finanças, cessa de inquietar os pensionistas. Numa primeira intervenção, junto a jovens muito bem penteados, a ministra fez questão de voltar a referir a necessidade de intervir na Segurança Social porque esta não é sustentável, não afastando a possibilidade de mexer nas pensões actuais. Dois dias depois e apesar da polémica e da intervenção de Marco António Costa e do próprio Mota Soares ministro que tutela a Segurança Social terem vindo atenuar o clima crispado, a ministra insistiu na sua tese. Fora dessa mesma tese ficam os benefícios fiscais concedidos a grandes empresas e à própria Igreja, as manhas das empresas cotadas em bolsa que tudo fazem para não contribuir com os seus impostos ou, como alguns já referiram, e com toda a razão, os célebres benefícios fiscais concedidos às sociedades SGPS em 2012, escondidos de todos, e que só foram conhecidos graças ao Tribunal de Contas. Recorde-se que esse benefícios…

Qual é a ideia?

Por muito desconcertante que os membros deste Governo sejam, há episódios que simplesmente raiam o surreal. O que dizer da intervenção da ministra das Finanças sobre pensões perante um conjunto de jovens bem penteados do PSD? Qual a ideia de anunciar a possibilidade de mais cortes nas pensões, em particular nas actuais?  Temos assistido a intervenções do primeiro-ministro em que este anuncia isto e o seu contrário, numa espécie de insanidade aceite por todos como uma idiossincrasia de alguém que simplesmente é desprovido de uma personalidade interessante. Temos sido bombardeados por notícias que visam mostrar uma coligação cheia de força, em oposição a um partido socialista com dificuldades em arrancar para a vitória. Temos assistido aos esforços da comunicação social precisamente com o objectivo de mostrar uma coligação forte e capaz, ao ponto do ridículo. E assistimos agora às palavras da ministra das Finanças que toca na ferida de parte do eleitorado do PSD e boa parte do eleitorado…

Tenho um pesadelo recorrente

Tenho um pesadelo recorrente: paradoxalmente esse pesadelo começa com um acordar – acordar, e durante aqueles primeiros momentos de lucidez, me apercebo que teremos mais uns anos de PSD/CDS. Mesmo quando finalmente acordo, fazendo pleno uso do discernimento, e me apercebo que dificilmente esse pesadelo se tornará numa dura realidade, demoro tempo a me recompor. E ainda que pense na impossibilidade de um Governo PSD/CDS governar o país durante anos, em virtude de não vencer com maioria absoluta e por não ter mais parceiros de coligação ou entendimentos pontuais, a minha alma se inquieta. Mesmo depois de Marinho Pinto afirmar a sua disponibilidade em se aliar à direita e à esquerda. A mediocridade reinante; o despotismo mal disfarçado; o empobrecimento deliberado; a mentira e o compadrio do costume justificam o pesadelo acima descrito. E não raras vezes é tudo mau de mais para ser verdade – perdoem-me a deselegância da expressão. O meu único consolo, confesso, prende-se com a esperança d…

Programa de Governo

O Partido Socialista já apresentou seu projecto para um programa de Governo. Percebe-se que no contexto europeu - aquele que é essencial para a governação dos próximos anos - tudo será feito de acordo com a cartilha dominante perfilhada pelas instituições europeias, incluindo o inefável Tratado Orçamental. Neste particular, que é tudo menos de somenos, nada mudará. Mas como as eleições exigem boas notícias e perspectivas de um futuro mais promissor, Costa apresenta algumas intenções simpáticas: Reposição de parte significativa dos apoios sociais, novas unidades de saúde e médico de família para 1 milhão de portugueses; o regresso do Ministério da Cultura; o regresso do programa Novas Oportunidades; a intenção de produzir menos legislação; o regresso às 35 horas de trabalho na Função Pública; a redução da TSU, mas só para trabalhadores (neste particular subsistem dúvidas); mais financiamento e nova importância conferida ao Ensino Superior e na Ciência; mais inovação; novas políticas de …

Cenários

As eleições aproximam-se, embora amiúde, não pareça, a julgar pela inexistência de discussão sobre propostas para o futuro do país. A ver vamos se algo muda com a apresentação do programa eleitoral do Partido Socialista, até porque em bom rigor não há muito a esperar dos partidos da coligação que há quatro anos começaram uma legislatura com mentiras, passaram pelo empobrecimento como panaceia para todos os problemas do país e concluem agora com medidas anódinas acompanhadas por promessas de mais algum empobrecimento - numa espécie de "o que tem de ser, tem muita força". Seja como for, e correndo o risco de fazer futurologia, os cenários pós-eleições são merecedores de algumas linhas. O Partido Socialista dificilmente conseguirá vencer as eleições com maioria absoluta. Os partidos mais à esquerda, sobretudo o PCP, não se mostra disposto a entrar em qualquer coligação, alegando que as diferenças entre os dois partidos são incomensuráveis. E são. Quanto ao Bloco de Esquerda, mes…