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Mensagens

Substituições ou nem por isso

Depois de Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, ter sido alvo de fortes críticas por parte dos protagonistas europeus, Tsipras, primeiro-ministro grego, escolhe uma nova coordenação para a equipa responsável pelas negociações com as instâncias europeias. O primeiro-ministro grego acaba por ceder. A pressão é incomensurável, sem tempo, sem dinheiro e numa posição de absoluto isolamento, Alexis Tsipras procura refrescar a sua equipa e afastar animosidades. Todavia, Euclid Tsakalotos, apresentado pela comunicação social como moderado, não será mais moderado do que o próprio Varoufakis. Um sinal de que não se trata de uma cedência tão acentuada como boa parte da comunicação social quer veicular. A Grécia também neste particular encontra-se sozinha – a generalidade da comunicação social empenha-se em lançar um anátema sobre a Grécia e as suas escolhas democráticas. Este é também o resultado de uma comunicação social concentrada em grandes grupos económicos. À Grécia pouco resta do q…

Coligação

PSD e CDS, na noite de 25 de Abril de 2015, anunciaram a coligação para as próximas eleições legislativas. Esta coligação serve sobretudo os interesses do PSD que, depois do empobrecimento colectivo, bem precisa de um empurrão nos votos. Quanto ao CDS, cujo líder está agarrado ao poder, à semelhança de uma lapa, a jogada poderá não produzir os efeitos desejados. Se atentarmos às sondagens (que valem o que valem, é certo), o CDS, contrariamente às expectativas, tem um resultado relevante. Uma coligação implica uma recordação permanente de que o CDS faz parte do Governo que impingiu ao país o já referido empobrecimento. É evidente que CDS e PSD vão procurar contrariar a ideia do empobrecimento em vão. Dir-se-á pois que o país fez sacrifícios, mas que esses sacrifícios não só foram o resultado do despesismo socialista - o fantasma de Sócrates -, como o país já conhece resultados: um crescimento (anímico); uma taxa de desemprego (ilusória); uma reforma (que nunca existiu); a troika que saiu…

O 25 de Abril, a liberdade e a tibieza dos políticos

PSD, CDS e PS entenderam-se na elaboração de uma proposta que visava a criação de uma comissão de visto prévio que seria decisiva para a cobertura jornalística da campanha eleitoral que se avizinha. Trata-se de uma lei de acompanhamento das campanhas eleitorais. Conceitos como “pluralismo” e “diversidade”, indissociáveis da própria democracia, escapam em absoluto ao entendimento de parte da classe política, o que revela a sua tibieza. Esta seria a lei da censura e do aviso prévio. Agora diz-se que foi apenas uma proposta, uma sugestão. Na verdade, PSD CDS e PS, em véspera do 25 de Abril, juntam esforços para a elaboração de uma proposta que vai contra tudo aquilo que o 25 de Abril representa. A referida lei de acompanhamento das campanhas eleitorais acabou posta de lado. A pusilanimidade obrigou os partidos apologistas desta forma de censura a recuarem. Enfim, patético e sintomático da qualidade de alguns representantes políticos. Todavia, verifica-se ainda a existência de condicionament…

Semelhanças entre PS e PSD

Depois de um grupo de economistas terem apresentado o cenário macroeconómico que servirá de base ao programa do PS, percebe-se que existem, ainda assim, acentuadas semelhanças entre o que um sugere e o que o outro sugere, executou e pretende continuar a executar, eventualmente ainda com maior veemência. A semelhança mais inquietante prende-se com a rejeição de qualquer proposta que vise uma reestruturação da dívida. De igual modo, pretende-se cumprir, sem discussão, o Tratado Orçamental. Ora, o Partido Socialista, à semelhança do PSD e CDS nos últimos quatro anos, insiste na mesma receita, rejeitando alternativas. É certo que nada está fechado com a apresentação do cenário macroeconómico, mas também é verdade que o mesmo serve de base às políticas preconizadas pelo PS. Estas semelhanças entre PS e PSD são sinais inquietantes; sinais de que nada de substancial mudará nos próximos anos. insiste-se assim na receita da austeridade e do empobrecimento, enquanto se assiste ao aumento da dívid…

E agora? Algo completamente diferente? Nem por isso

O PS, através um grupo de economistas, apresentou o cenário macroeconómico que engloba um conjunto de propostas concretas. Esse conjunto de propostas representa, até certo ponto, a antítese dos últimos quatro anos. Verifica-se assim a intenção por parte do Partido Socialista de apostar no rendimento disponível, quer através da redução de impostos (IRS), quer através da devolução de pensões e salários. A ideia é simples e tem sido ignorada pelo actual Governo: aumenta o rendimento, aumenta o poder de compra e o consumo interno e estimula-se deste modo a economia. Em contrapartida existe a intenção de aumentar o imposto sucessório, Paralelamente, é sugerido um complemento salarial pago pelo Estado aos trabalhadores com salários mais baixos. Sugere-se a reposição dos abonos de família e do complemento solidário de idosos. Restam algumas dúvidas quanto aos funcionários públicos, haverá racionalização de efectivos? Como? De um modo geral, abandona-se a ideia das exportações como motor da recu…

Desvalorização salarial

O ainda Governo traçou vários objectivos em torno do empobrecimento colectivo: enfraquecimento do Estado Social, privatizações (negócios promíscuos e desastrosos para o país) e, claro está, a desvalorização salarial. Todavia, Passos Coelho não está satisfeito. Quer mais, ou melhor quer menos - assume que os trabalhadores portugueses ainda são uns privilegiados. Voltou a insistir na questão da TSU, mas como estamos muito perto de eleições, essa pretensa redução de custos para as empresas não tocará - diz Passos Coelho - nos trabalhadores, que, por inerência, não serão chamados a contribuir. A redução dos custos do trabalho tem sido devastador para os trabalhadores. Senão vejamos: este Governo acabou com feriados que passaram a dias de trabalho não remunerados; reduziu o pagamento de horárias extraordinárias; reduziu o período de férias; aumentou o horário de trabalho. Paralelamente, aumentou a precariedade e nivelou por baixo reduzindo o salário dos funcionários públicos.
Ainda assim, não…

Apesar de...

"Apesar de ter servido em Governos do Partido Socialista... deu um contributo inestimável para o progresso da ciência em Portugal". Foi desta forma que Passos Coelho prestou "homenagem" a um dos homens que mais fez pela ciência e pelo conhecimento em Portugal - Mariano Gago. Dois adjectivos destacam-se para caracterizar o Executivo de Passos Coelho: insensíveis e medíocres. De facto a mediocridade e a insensibilidade não parecem conhecer limites no seio deste Governo. Apesar de tudo, Passos Coelho, coadjuvado por uma comunicação social refém da casta e entregue ao trivial, segue o seu caminho rumo a eleições, sem que as sondagens dêem conta do descalabro eleitoral que se justificaria, sobretudo depois de anos de incompetência, de empobrecimento, de promiscuidade e claro está, de mediocridade e insensibilidade. Resta colocar a questão que se impõe: o que é que se passa connosco? Não há limites porque nós, colectivamente, nos demitimos da tarefa de impor esses limites.