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Mensagens

Portugal: “uma das nações mais competitivas do mundo”

Há títulos de jornal que, pelo seu absurdo, exigem uma nova leitura. Assim, não raras vezes, damos por nós a regressar ao princípio do título para reler a frase, tal é o absurdo que impregna a mesma. Aconteceu com a frase em epígrafe proferida por Passos Coelho no Japão, o que não chega a causar espanto, a julgar pela inépcia a que nos habituou. A antevisão do ainda primeiro-ministro passa pela convicção de que Portugal será uma das nações mais competitivas do mundo. Parece que a frase não foi proferida num contexto de humor. De facto a antevisão de Passos Coelho é muito mais do que um exercício bacoco de fé; trata-se afinal de um exercício de eleitoralismo de quem vislumbra uma derrota. Nem tão-pouco se trata de uma forma de convencer empresários nipónicos; neste momento a grande preocupação de Passos Coelho prende-se naturalmente o seu futuro, pouco ou mesmo nada auspicioso. Neste sentido, tudo será pensado e executado com o objectivo de causar, no plano interno, um impacto positivo. …

Ainda a lista VIP

A revista Visão e o Diário de Notícias voltam ao assunto, revelando novos dados sobre a famigerada lista VIP - a tal que não existia; a tal que o Governo garantiu não existir; a mesma que não encontra qualquer lei que a suporte. Sabe-se agora que a lista - a mesma que não tinha qualquer existência - contém apenas quatro nomes: Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Porta e Paulo Núncio. Seria interessante saber o porquê de existirem apenas quatro nomes e os quatro nomes acima referidos. Porquê aqueles em particular? Na ausência de explicação, as respostas ficam subjugadas às conjecturas e à imaginação. De resto, não será difícil perceber a razão de existirem apenas aqueles contribuintes na referida lista que afinal até existe. O Governo e os senhores contribuintes de 1ª classe que fazem parte da lista esperam que o assunto morra rapidamente, como de resto tem sido apanágio do país. A ministra das Finanças foge do assunto, comportando-se como alguém que não tem quaisquer responsabilidades n…

Provas dos professores

Em Portugal sucedem situações inéditas: o caso de professores que, apesar do curso que lhes confere a profissão de professor, são ainda obrigados, à posteriori, a fazer um teste para aferir os conhecimentos que o referido curso lhes confere. Só assim estarão aptos a dar aulas. Assim sendo e como é referido com alguma insistência, o ministério da Educação - o mesmo ministério que licencia os cursos de professores - passa um atestado de incompetência a si próprio. Nem é necessário discutir a matéria que é avaliada nos referidos testes porque desde logo a premissa inicial está errada. O ministério anula-se a si próprio. É evidente que a ideia do Governo é a do costume: cortar no Estado Social, ao mesmo tempo que abre portas ao sector privado, neste caso ao ensino privado. No entanto, a incompetência é tanta que se procura proceder a cortes recorrendo aos caminhos mais absurdos.
Pelo caminho, assistimos a um desinvestimento na educação que nos deveria arrepiar a todos. Continuamos a esquecer …

Comissões de inquérito

Sucedem-se umas atrás das outras. Entre acusações acerca da derrocada do BES, o parlatório é contínuo. Demoram as consequências. No país da impunidade, alega-se que o processo em torno da derrocada do BES implica especial complexidade e deste modo procura-se explicar a morosidade a que a justiça nos tem habituado, em particular quando os envolvidos são os donos disto tudo. As comissões de inquérito não passam de meras formalidades, um pouco na senda de se fundamentar a ideia de que alguma coisa está a ser efectivamente feita. Mas no país avesso a consequências, elas tardam e raras vezes chegam. No país da impunidade é possível que exista quem tenha informação privilegiada e dessa forma tenha vendido atempadamente aquilo que em pouco tempo deixou de ter qualquer valor e é também possível que exista quem tenha tido informação em sentido contrário prestada por aqueles que têm e, incrivelmente continuam a ter, uma elevada responsabilidade. Esses perderam tudo.
Finalmente, exigir-se seriedade…

Cofres cheios de dívida

Entre cofres cheios e apelos à multiplicação, na senda do "crescei e multiplicai-vos" do Génesis, agora é a vez de Passos Coelho reforçar a tese dos cofres cheios, tornando-se notória a apetência de membros deste Governo para o regresso a discursos próprios do Estado Novo. Desta feita, os cofres não estão cheios de ouro, como Salazar afirmava, mas cheios de dívida e de dinheiro parado no BCE, com custos inerentes. A única similitude entre as situações referidas prende-se com a dificuldade de se viver em Portugal: o velho paradoxo de cofres cheios e estômagos vazios. Os cofres cheios de dívida (entre dívida efectiva e dinheiro parado no BCE, oriundo de dívida e também ele com custos é também o reconhecimento da fragilidade da economia portuguesa e do carácter volátil da Zona Euro de uma situação que, de resto, nos escapa ao controlo. Se a desgraça chegar e quando chegar esses cofres cheios de dinheiro serão panaceia para pouco tempo. Sobre a dimensão incomensurável da dívida …

O dilema da Grécia

Sem tempo e sem dinheiro a Grécia encontra-se perante um dilema: ou sucumbe aos ditames austeritários impostos pela Alemanha, defraudando as expectativas de um povo que votou no Syrisa contra a austeridade e a favor da mudança; ou abandona a moeda única. O drama da Grécia é ter apostado na mudança quando mais ninguém o fez. A verdade é que quaisquer alterações políticas a existirem ainda levarão tempo – aquilo que a Grécia precisamente não tem. A Alemanha está empenhada em fazer da escolha democrática da Grécia um exemplo. A mensagem é clara: aqueles que ousarem escolher uma configuração política contra a austeridade até à morte terão o mesmo destino: o dilema acima referido. Se a Grécia recusar a austeridade sairá do Euro pelo seu próprio pé – será esta a explicação para um erro crasso.
Se a Grécia abandonar o Euro deixará de contar com a UE seja para o que for e o passo natural será a escolha de novas relações internacionais, fora do contexto europeu, designadamente com a Rússia, alte…

Elas estão de volta

A Parcerias Público-Privadas nunca desapareceram verdadeiramente, até porque fazem parte dos negócios mais apetecíveis para a banca e para outros sectores. Porém, Passos Coelho prometeu acabar com elas. Mas, como de resto tem sido apanágio deste governo, o que parece nem sempre é. Assim sendo, as PPP estão de regresso. Segundo o Jornal de Negócios, o Governo prepara-se para lançar novas Parcerias Público-Privadas no valor de quase 14 mil milhões de euros. A lista preliminar já terá sido enviada para Bruxelas no âmbito do Plano Juncker. Pouco interessa discutir o impacto ruinoso que as PPP têm na economia portuguesa, contribuindo para o endividamento do país. Essa problemática, à semelhança de tantas outras, não merecerá qualquer discussão. 
A escassos meses de eleições legislativas, assistimos novamente à fúria de fechar negócios - privatizações e agora as famigeradas PPP. Não vá o diabo tecê-las, e como se costuma dizer: não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.