Há títulos de jornal que, pelo seu
absurdo, exigem uma nova leitura. Assim, não raras vezes, damos por
nós a regressar ao princípio do título para reler a frase, tal é
o absurdo que impregna a mesma. Aconteceu com a frase em epígrafe
proferida por Passos Coelho no Japão, o que não chega a causar
espanto, a julgar pela inépcia a que nos habituou. A antevisão do
ainda primeiro-ministro passa pela convicção de que Portugal será
uma das nações mais competitivas do mundo. Parece que a frase não
foi proferida num contexto de humor. De facto a antevisão de Passos
Coelho é muito mais do que um exercício bacoco de fé; trata-se
afinal de um exercício de eleitoralismo de quem vislumbra uma
derrota. Nem tão-pouco se trata de uma forma de convencer
empresários nipónicos; neste momento a grande preocupação de
Passos Coelho prende-se naturalmente o seu futuro, pouco ou mesmo
nada auspicioso. Neste sentido, tudo será pensado e
executado com o objectivo de causar, no plano interno, um impacto
positivo. …
Para a construção de uma sociedade justa e funcional é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: a protecção do ambiente, o bem-estar social com a necessária eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. No entanto, estamos a falhar clamorosamente o primeiro objectivo, o que faz com tudo o resto seja inexoravelmente sem importância.