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Mensagens

Uma lição de democracia

Democracia – uma palavra que anda nas bocas de tantos, porém quando o povo grego dá uma verdadeira lição de democracia, o conceito perde força e dá lugar a uma azia indisfarçável. Uns relembram as responsabilidades; outros apostam nas generalizações invariavelmente abusivas em torno de todo um povo; e há ainda aqueles que associam as políticas do partido vencedor, o Syrisa, a um “conto de crianças”, isto dito pelo responsável pelo empobrecimento atroz a que o país foi sujeito – não um conto, mas a realidade que está a destruir o país. Seja como for, e minudências dos habituais protagonistas insignificantes à parte, o povo grego brindou a Europa com uma incomensurável lição de democracia: a mudança que tantos almejavam foi conseguida através do voto, com transparência, consciência e, por muito que custe a alguns, responsabilidade. Um sinal que o país que tantos acusam de irresponsabilidade, mostra ser precisamente o contrário.
A mudança chegou através da democracia. Uma lição para a Europ…

David e Golias

A luta que o Syrisa tem pela frente encontra paralelo com a História bíblica. Por outras palavras, talvez mais dentro do contexto em questão, a luta de Alexis Tsipras, novo primeiro-ministro grego, será hercúlea. As lideranças europeias encontram-se presas à ditadura da austeridade, mesmo com algumas tímidas excepções. De um modo geral, nem socialistas, nem sociais-democratas encetam qualquer esforço para combater a receita imposta pela Alemanha - uma receita que todos reconhecem ter falhado. É neste contexto que Tsipras encontrará dificuldades assinaláveis e é também neste contexto que o novo primeiro-ministro grego deve contar com o apoio de todos aqueles que não se revêm numa Europa que prende os povos à austeridade sem limites - a tal receita falhada. De resto, o Syrisa já recebeu apoios claros que partidos como o Podemos espanhol e outros apoios mais tímidos de partidos um pouco por toda a Europa. Os poderes instalados estão preparados para exercer pressão e tudo fazer para que o S…

Vitória do Syrisa

A vitória do Syrisa significa a possibilidade, pela primeira vez real, de assistirmos a uma mudança. Apesar das dificuldades e apesar das pressões, o povo grego deu uma grande lição de democracia. Mas o que significa uma vitória deste partido de esquerda radical? Significa desde logo a mudança, uma mudança que se começou a sentir ainda antes das eleições gregas do passado domingo, com um ligeiro abrandamento da chantagem a que a Grécia tem sido sujeita, em particular nas últimas semanas. Uma mudança que se consubstancia na introdução – mais uma vez que ultrapassa a mera retórica – da reestruturação da dívida grega e das dívidas de outros países da zona euro e é aqui reside a mudança que interessa verdadeiramente a boa parte da Europa: com Tsipras, o novo primeiro-ministro grego, poderá assistir-se, finalmente, à união de várias lideranças europeias cujos países foram devastados pela austeridade e pela dívida – essa aliança é fundamental para se alterar o rumo desastroso da zona euro e …

Se é a esquerda radical...

O partido de esquerda radical Syrisa pode sair vencedor das próximas eleições legislativas na Grécia, embora se anteveja uma panóplia de dificuldades se o partido não vencer as eleições com maioria absoluta - cenário provável - e, em consequência, ser obrigado a coligar-se. A esquerda dita radical é particularmente enfatizada pela comunicação social na Europa, uma esquerda radical invariavelmente associada à hipotética saída da moeda única. Trata-se da utilização de uma retórica que não é nova e que visa inquietar os cidadãos, sobretudo aqueles que vão a votos neste domingo e outros que mais tarde, nos seus países, poderão sentir-se tentados a votar em partidos similares, em partidos que rejeitam a austeridade, defendem a renegociação da dívida, etc. O Syrisa é um partido europeísta que defende políticas para a Europa que não fiquem reféns da austeridade, defendendo também uma renegociação da dívida para os países da periferia, sem essa renegociação não haverá relançamento das economias…

Em sentido contrário ao desenvolvimento

Portugal, sobretudo nos últimos quase quatro anos, enveredou por um caminho contrário ao do desenvolvimento. Existe um vasto consenso acerca da importância da educação, da ciência e do avanço tecnológico para o desenvolvimento dos países. De resto, essa tem sido a chave que explica o avanço dos países. Em Portugal, a coberto da crise e da troika, o desinvestimento nas áreas acima referidas tem sido muito significativo. É a ideologia bacoca a funcionar; a crise e a troika são pretextos para se aplicar políticas que de outra forma seriam mal recebidas. O país político não tem estratégia nem tão-pouco interesse em retomar o caminho do desenvolvimento, sobretudo o actual Governo; quanto ao resto, também não parece particularmente preocupado com o desinvestimento operado nas referidas áreas. É assim um país que se despediu do futuro,
NoCapital no Século XXI, Thomas Picketty insiste na importância da educação, da ciência e do avanço tecnológico como instrumentos essenciais para o desenvolvimen…

Consequências

Existirá alguma relação entre o aumento de mortes nas urgências dos hospitais e o desinvestimento feito por este Governo no Sistema Nacional de Saúde? Existirá, de facto, um aumento do número de óbitos nas urgências dos hospitais, comparativamente com períodos análogos? Os hospitais poderiam ter feito mais ou trata-se de casos intrincados que nem a melhor resposta médica poderia salvar? Estas questões merecem respostas urgentes, sendo difícil dissociar o que tem vindo a acontecer no SNS e o desinvestimento de largas centenas de milhões de euros a coberto da troika, da crise, do que quer que seja. É possível falar-se de consequências directas? Se atentarmos ao que se passa na Grécia, verificamos que a área da saúde pública foi das mais fortemente fustigadas pelas imposições externas e pela conivência de governos fieis a essas exigências. Todos os indicadores no caso grego, sobretudo na área da saúde, são assustadores.
Dir-se-á novamente que Portugal não é a Grécia e concordamos, desde log…

O que fazer?

O que fazer com um país que ainda não se livrou totalmente da religião, do caciquismo e do obscurantismo, embora tenha passado, em larga medida para o jugo da plutocracia e da corrupção? As coisas não acontecem por mero acaso, é um cliché, mas simultaneamente uma verdade. É neste contexto em que ainda vigora a influência excessiva do padre e do cacique, acrescida de uma casta plutocrata, até larga medida ignorante e amiúde corrupta; é com este enquadramento que se espera o país se desenvolva? Recorrendo ao vocabulário religioso, milagres não existem, apenas um conjunto de evidências que são também justificações e que explicam o nosso atraso.
Em bom rigor, mesmo que não vivêssemos escravos da dívida incomensurável e impagável, continuaríamos a sentir dificuldades em trilhar o caminho do desenvolvimento e com a agravante de agora termos responsáveis políticos nada interessados em trilhar esse referido caminho.
Assim, a educação, a cultura, a ciência e a tecnologia parecem luxos para os qua…