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Mensagens

Sócrates

É compreensivelmente o assunto que marca a actualidade, afinal de contas trata-se da primeira vez que um ex-primeiro ministro é detido na história da democracia portuguesa. Paralelamente ao que terá levado José Sócrates a ser detido, existem duas situações que merecem crítica: a forma como Sócrates terá sido detido – o aparato na sua chegada a Lisboa e a estranha situação de se conseguir filmar essa detenção; o timing, a simultaneidade de dois acontecimentos – a detenção propriamente dita e as directas do PS com a consagração da nova liderança de António Costa. Politicamente, o PS não escapa às consequências da detenção de uma figura ainda tão próxima do partido e também muito próxima do novo líder. Aliás, tem esse sido precisamente esse um dos maiores erros do Partido Socialista – a tentativa de recuperar a imagem de Sócrates, o “culpado disto tudo”, argumento usado reiteradamente pelo PSD e CDS que serve, de resto, como base de toda a argumentação dos partidos que compõem a coligação …

Gorduras

As gorduras do Estado são genericamente consideradas como alvos a abater, com este Governo não foi diferente. Aliás, toda a política nefasta dos últimos três anos baseou-se na premissa que era preciso corrigir o mal que o "culpado disto tudo" (o anterior primeiro-ministro) fez.
Deste modo, era fundamental cortar nas gorduras do Estado e assim se fez, infelizmente a interpretação de "gorduras de Estado" do actual Governo é exígua e resume-se a salários e despedimentos na Administração Pública.
O Centro de Estudos Sociais (CES) chegou à conclusão que salários e apoios sociais cairam e que a reforma do Estado redundou apenas em despedimentos e no corte de salários. O CES chega também a outra conclusão: as gorduras do Estado aumentam quase mil milhões de euros.
Dito por outras palavras, os despedimentos e cortes salariais foram manifestamente escassos para cortar nas gorduras do Estado. Não há grande novidade nestas conclusões, mas impera uma questão: o Gov…

Corrupção

Todos conhecemos o fenómeno, falamos dele e manifestamos timidamente a nossa repulsa por um sistema que se deixou apodrecer. Mas pouco se faz. A começar pelos próprios cidadãos que vão deixando que tudo se mantenha na mesma, apostando na alternância política (PSD umas vezes; PS, noutras), precisamente os partidos que mais dificuldades colocam no combate à corrupção. Não tenhamos dúvidas, a responsabilidade também é nossa.
Por outro lado, o aspecto cultural do problema: aceitamos a pequena corrupção, participamos amiúde na mesma e haverá também quem afirme e reafirme que em determinadas circunstâncias faria o mesmo. Pequena corrupção não deixa de ser corrupção. Ou seja não condenamos verdadeiramente a corrupção, criticamos um caso ou outro, mas vivemos relativamente bem com a mesma e quando nos apercebemos que os partidos do arco da governação nada fazem para mudar o actual estado de coisas, o que é que fazemos? Votamos neles.
E depois a Justiça, com a sua ineficácia, disfa…

Remodelações

Depois de uma semana difícil para o Governo, mais uma, o ministro da Administração Miguel Macedo, demitiu-se, por considerar que não tem condições políticas para se manter no cargo. Se outros ministros se demitissem por se encontrarem politicamente diminuídos, teríamos seguramente mais demissões. A propósito de demissões, uma remodelação mais profunda está na ordem do dia. Os comentadores do costume consideram necessária essa remodelação mais profunda que afectaria inevitavelmente a ministra das Finanças e eventualmente o ministro da Educação que se mantêm incrivelmente nos seus cargos - depois de falhanços absolutos, falhas de sistema e hipotéticas sabotagens. Os comentadores do costume, exceptuando Marques Mendes que esteve mais tempo dedicado a explicações sobre a sua sociedade envolvida no escândalo dos vistos Gold, consideram que a remodelação é essencial para o Governo se manter na corrida das legislativas. Com efeito, o Governo, ou melhor, os partidos que compõem o Governo, até s…

Vender a alma ao Diabo

Em nome do dinheiro vale tudo. Vale vender o país aos bocadinhos, sector por sector, empobrecer o país, retirar-lhe valor, desembaraçar-se da democracia, vender-se a cidadania. Vale tudo, incluindo vender a alma ao Diabo, a deles e a dos outros. É neste contexto que se deve abordar o tema dos vistos gold – como algo que faz parte de um projecto mais abrangente. Os vistos gold, criação de Paulo Portas, para além de fazerem a distinção entre cidadãos estrangeiros com base no dinheiro, são uma porta aberta para lavagem de dinheiro e outros crimes. O Estado conivente, estende a passadeira vermelha ao crime e a situações opacas. Depois das detenções de importantes funcionários do Estado, voltou-se a falar dos vistos gold. Mas alguém seriamente pode alguma vez considerar esta e outras medidas como sendo positivas? Nada mais tem sido do que a venda da alma ao Diabo, a deles e a nossa. E nós vamos deixando. Mesmo com demissões manifestamente insuficientes.

Prioridades

O bem-estar dos cidadãos nunca foi uma prioridade para quem ainda se mantém no Governo. A esmagadora maioria das decisões políticas dos últimos anos foi contra o bem-estar dos cidadãos. Empobreceu-se, destruiu-se e pouco mais. Em nome da parcimónia, do dinheiro, da poupança, dos lucros das empresas, o actual Executivo de Passos Coelho decidiu aligeirar a auditorias periódicas a quem as empresas estavam sujeitas com o objectivo de salvaguardar a qualidade do ar. Em 2013 o Governo mudou a lei, flexibilizou-a, desregulou, o que se queira chamar. Coincidência das coincidências o país é confrontado com um surto de Legionella de dimensões nunca vistas. O ministro do Ambiente fala na possibilidade de crime ambiental, mas escusa-se naturalmente a estabelecer qualquer relação entre o surto e a mudança da lei. É mais fácil pensar que se trata de negligência por parte de unidade fabril e que a relação entre o surto e a mudança na lei não passa de uma infeliz coincidência. Um coincidência que ocorre…

Histórias mal contadas

São muitas no que toca à actuação deste governo, mas talvez a mais disparatada se prenda com a sabotagem do Citius. Depois de meses de trapalhadas que se traduziu no falhanço do sistema e consequente caos no funcionamento dos Tribunais e depois da propalada maior reforma da Justiça dos últimos 200 anos que redundou na já referida trapalhada, dois funcionários do Ministério da Justiça - com parcas competências técnicas - foram acusados de sabotagem. Com que propósito? Não se sabe e nunca se saberá porque esta história está mal contada, para utilizar um eufemismo. Traduzido por miúdos, a culpa terá sido de dois funcionários. Não terá sido esse o entendimento da Procuradoria Geral da República que deixou cair a "sabotagem". A ministra essa mantém-se irredutível - não se demite nem quer ouvir falar em demissão. À semelhança do que este Governo já nos habituou - responsabilidades não é com eles. Sabotagem à parte, a verdade é que com isto se manchou a imagem de dois funcionários d…