Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Justiça social

Ocupamos um dos piores lugares no ranking da justiça social (20º lugar em 28 Estados-membros), quem o diz é a fundação alemã Bertelsmann Stiftung. Os indicadores levados em conta são o acesso a serviços de saúde, justiça, acesso ao mercado de trabalho, coesão social, prevenção da pobreza, equidade na educação entre gerações mais novas e mais velhas. O que explica a nossa posição prende-se evidentemente com as medidas de austeridade que fustigaram o país nos últimos anos. A desvalorização salarial, acompanhada por um desinvestimento nos serviços públicos são determinantes para explicar a deterioração da justiça social no nosso país. Disseram-nos que por termos vivido acima das nossas possibilidades éramos obrigados a fazer sacrifícios - só assim se poderia equilibrar as contas públicas. Ora, o défice continua acima do esperado e a dívida tornou-se verdadeiramente impagável.
As medidas adoptadas apanharam os mais desfavorecidos, arrastando também a classe média para um mundo de dificuldade…

Tempos difíceis

Avizinham-se tempos difíceis para a coligação de Governo. A vitória de António Costa e o desgaste da imagem do primeiro-ministro tornam a vida do PSD e CDS consideravelmente mais intrincada. A vitória de Costa significa uma oposição mais forte do que a anterior. Ainda assim, a estratégia do PSD passará por tentar colar a imagem do próximo líder do PS à governação de José Sócrates. A estratégia será indubitavelmente essa. António Costa, dir-se-á, é a continuação da "irresponsabilidade" do governo de José Sócrates. Esta estratégia poderá colher alguns frutos, mas dificilmente será decisiva. A imagem do primeiro-ministro. Aquela imagem de austeridade, responsabilidade e parcimónia vai soçobrando perante a ausência de explicações e perante o avolumar de factos comprometedores. A história que conta a relação entre o primeiro-ministro e a Tecnoforma e a ONG não será esquecida. E o resto. O resto é um país destruído pelas políticas deste governo que, amiúde, ultrapassaram os ditames e…

Cheira mal

O primeiro-ministro quebrou o silêncio, depois de estar refém de uma amnésia repentina, para garantir aos portugueses nada ter recebido da Tecnoforma, excepto umas despesas de representação. Quanto é que representaram essas despesas? Não disse, não se lembra, não convém dizer. Tudo nesta história cheira mal. Cheira mal a tentativa de processar tudo e todos (incluindo um ministro); quando analisamos os negócios, os subsídios atribuídos e a abertura de portas, o odor torna-se nauseabundo. Na verdade, começa tudo a cheirar mal com as informações prestadas pelo secretário geral do parlamento; cheira mal a questão do subsídio de reintegração e até do subsídio vitalício – o mesmo sobre o qual Jerónimo de Sousa teve a gentileza de esclarecer, incluindo ao primeiro-ministro -, malditos são os desempregados que auferem subsídios verdadeiramente miseráveis; cheira mal aquele anódino conjunto de explicações do primeiro-ministro. O cheiro torna-se pestilento quando se percebe que o moralismo de Pas…

António Costa

O desfecho das eleições primárias do PS foi o esperado: António Costa venceu sem grandes dificuldades. Muitos dos simpatizantes que deram um forte contributo para a eleição de Costa votaram precisamente por reconhecerem em Costa a capacidade de vencer Passos Coelho e Paulo Portas. Dito por outras palavras, quem se inscreveu fê-lo com o objectivo de contribuir para a derrota da dupla acima referida nas eleições do próximo ano. António Costa muito provavelmente acertou quando afirmou que o dia da sua vitória corresponde simultaneamente aos últimos dias do Governo de Passos Coelho. Todavia, António Costa é uma incógnita. Sobre os assuntos decisivos para o futuro do país pouco se sabe do pensamento do novo líder do Partido Socialista. Sobre a dívida e sobre uma possível reestruturação da mesma, não se conhece sequer a orientação de António Costa. Fugiu sempre a esta discussão, com subterfúgios de circunstância, mas sem essa discussão andamos a marcar passo enquanto a situação económica do p…

Política e ética

Pressupõe-se que a política se deve subjugar à ética. É óbvio que este pressuposto tem faltado aos encontros com a realidade, sobretudo em Portugal. Questionamos-nos amiúde sobre o afastamento dos cidadãos relativamente à política - Passos Coelho tem dado um forte contributo para esse afastamento ao exercer o seu mandato desprezando os cidadãos, esquecendo que ele próprio é um representante eleito, e mostrando que na sua vida política não adoptou a conduta que ele próprio tem exigido à generalidade dos cidadãos. De resto, que legitimidade tem o primeiro ministro quando exige dos cidadãos o cumprimento escrupuloso das suas obrigações, quando ele próprio, não enquanto um mero cidadão mas na qualidade de representante eleito, não cumpriu? A ética é uma palavra vazia de sentido, facto que contribui para o enfraquecimento das democracias e, claro está, para o afastamento dos cidadãos. Instala-se a ideia de que "são todos iguais" e que não vale a pena participar nesta democracia. O …

Amnésia e desespero

A semana política tem sido marcada por um lado pela amnésia do primeiro ministro pelo menos no que diz respeito a pagamento relativamente a pagamentos recebidos há 14 anos, pagamentos não declarados, pagamentos que ainda estão por explicar. Cartas reveladoras. Recorde-se que este mesmo primeiro-ministro impôs uma inflexibilidade total no que diz respeito a impostos, não só aumentando a carga fiscal, como também perseguindo os mais cidadãos. Há escassas semanas ouvimos a ministra das Finanças vangloriar-se com o facto deste Governo ter conseguido resultados excepcionais no combate à fuga e invasão fiscais. Seria interessante ouvir a opinião da ministra das Finanças sobre o problema do primeiro-ministro, o tal de que ele não se lembra. Por outro lado, o PS aproxima-se de uma clarificação. Pelo caminho a ainda liderança do partido ficou refém da inacção dos últimos três anos a que se juntou, sobretudo nas últimas semanas, um desespero indisfarçável por parte de António José Seguro. Se Se…

O último debate

Mais do mesmo. Costa e Seguro deram o tudo por tudo para vencerem um processo eleitoral susceptível de contar com votantes cuja agenda política é contrária à agenda do PS. Quantos daqueles que se inscreveram são efectivamente simpatizantes do Partido Socialista? Quantos não se terão inscrito com o objectivo de escolher o candidato teoricamente mais fraco para facilitar a vida do actual Governo? Quanto ao último debate não se vislumbrou qualquer novidade. António José Seguro tenta fazer aquilo que em três anos não fez: mostrar que é alternativa ao Governo. Mas vê-se deparado com uma dificuldade acrescida: é forçado a mostrar que é alternativa ao Governo e ao próprio António Costa, candidato à liderança do partido. Teria sido manifestamente mais fácil apostar num projecto alternativo à actual governação, o que claramente não aconteceu. António Costa acaba por ter a tarefa mais facilitada, ultrapassa a questão em torno da forma como avançou para a liderança do partido. A Costa basta mostra…