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Mensagens

Califado

O grupo jihadista ISIS que controla uma parte significativa do território iraquiano anunciou o regresso do califado nos territórios sob a sua ocupação. Com este anúncio o grupo procura consolidar o seu domínio na região, pondo em causa lideranças políticas e até a hegemonia de grupos extremistas como o caso da Al-Qaeda. Deste modo, o extremismo pode agrupar-se junto do ISIS e do recente califado. A instauração do califado tem, recorde-se, um forte significado para a comunidade sunita, representando inevitavelmente mais uma fonte de preocupação para os xiitas. Importa não esquecer as divisões entre sunitas e xiitas e que essas divisões assentam na descendência do profeta Maomé: os xiitas consideram Ali o verdadeiro sucessor de Maomé; os sunitas defendem que a legitimidade da sucessão está nos califas. O califado tem associado a sharia como lei da umma ou da comunidade islâmica. Sharia que é lei basilar desta forma de governo: o califado. O grupo que agora instaurou o califado tem uma a…

Unidade

António Costa, candidato das primárias do PS. enfatizou a unidade do partido, recorrendo a manifestações de punho fechado como símbolo da unidade do partido, referindo também que os adversários “estão lá fora”. Percebe-se a intenção do candidato que procura unir o que está desunido. A referida unidade não existe, nem no PS, nem na esquerda no sentido mais genérico. Unidade só se encontra de facto na direita, em Portugal e não só. No caso concreto do PS é a desunião que o caracteriza, com episódios mais ou menos acesos, uma desunião que durará pelo menos mais quatro meses. Quem ganha são os partidos do Governo que não conhecem – como de resto não conheceram nos últimos três anos – adversário à altura. O que não deixa de ser curioso: o Governo mais medíocre da história de democracia portuguesa nunca chegou a conhecer um adversário à altura, apesar dos esforços dos partidos mais à esquerda do PS que está confinados a uma dimensão que não lhes permite fazer muito mais do que aquilo que têm…

Natalidade

Poucos dias depois da notícia que dava conta da existência de empresas que exigem um compromisso das suas trabalhadoras em como estas não engravidarão em cinco anos, Pedro Passos Coelho propõe que a natalidade seja uma prioridade europeia.
Hipocrisia? Indiscutivelmente. Eleitoralismo? Muito provavelmente.
Existe uma multiplicidade de factores que explicam os baixos níveis de natalidade em Portugal e noutros países. Mas existem alguns que condicionam severamente as taxas de natalidade: o desemprego e a precariedade laboral. Desse ponto de vista, as responsabilidades são de um governo cujas políticas redundaram em elevados níveis de desemprego e no aumento exponencial da precariedade laboral. O futuro e a natalidade são indissociáveis. O conceito de futuro tem vinda a definhar e projectos de vida como ter filhos é adiado ou até esquecido.
A precariedade laboral – hoje plenamente banalizada – alimenta a existência de práticas como aquelas relatadas pela notícia que dá conta de empresas que …

Pássaro fora da gaiola

António José Seguro aparece agora menos contido, em entrevista à rádio Renascença, o líder do PS afirma sentir-se um pássaro fora da gaiola. Menos cioso da paz do partido, Seguro diz o que lhe vai na alma. Na mesma entrevista confessa que não assinaria o memorando de entendimento assinado pelo seu antecessor José Sócrates. Contudo, o secretário-geral do PS mostra-se menos veemente no que se refere ao Tratado Orçamental que contou com a sua complacência e aprovação. Nesta questão em particular António José Seguro continua a titubear. Na verdade, o homem que agora revela sentir-se um pássaro fora da gaiola mudou claramente de estratégia, tendo sido forçado a tal desde o momento em que entrou outra variável na equação: António Costa. E agora quer mostrar uma liberdade inusitada que pode bem já vir tarde. De resto, trata-se de uma liberdade condicionada pelo discurso dos partidos do centrão; um discurso muito longe de qualquer ruptura que permita criar verdadeiras alternativas. Seguro afirm…

Conformem-se

Cavaco Silva, figura apologista de silêncios ensurdecedores, decidiu proferir algumas palavras sobre o Tratado Orçamental, talvez para fazer um brilharete junto do Presidente alemão em visita oficial ao país. Na verdade qualquer um de nós procura ser o melhor anfitrião possível, mas o Presidente português não precisava de ir tão longe. Cavaco Silva que nada diz sobre as trapalhadas em redor das políticas do Governo, sobretudo em matéria constitucional, afirmou que é uma “ilusão” pensar que as regras poderão ser alteradas, referia-se, claro está, ao Tratado Orçamental – aquele que nos impõe uma política económica alheia aos ciclos económicos, indiferente relativamente às necessidades da economia portuguesa, um tratado cozinhado pela Alemanha e que serve os interesses da Alemanha. Conformem-se, disse Cavaco Silva. Não há nada a fazer; aguentem o peso da inevitabilidade. O discurso é velho, mas tem sido eficaz. Costuma-se dizer que dos fracos não reza a história. O que terá a história par…

Silly season

A silly season aproxima-se. Trata-se daquela época do ano – tipicamente no Verão - em que a comunicação social aprofunda a sua propensão para a frivolidade, repetindo incessantemente exercícios de estupidificação. Os programas de televisão tornam-se mais coloridos e o que resta da comunicação social escrita multiplica os artigos sobre praias e férias. Faz parte. Todavia, esta silly season que se aproxima será indubitavelmente diferente das últimas. A novela interna do PS será a responsável por umVerãoconsideravelmente diferente do que temos visto nos últimos anos. E se dúvidas existissem... bom, os episódios em Ermesinde, marcados por vaias e impropérios dirigidos a António Costa encarregam-se de dissipar quaisquer dúvidas. Assim, teremos um Verão marcado por querelas internas, lutas por lugares e alguma brejeirice à mistura. A politiquice no seu melhor. Quem é que disse que a silly season era um período aborrecido?

Política no seu pior

À saída da comissão política do PS, o candidato António Costa foi vaiado por apoiantes de António José Seguro. Esta não terá sido a primeira manifestação de desentendimento no seio de um partido dividido e sem alternativas. Discute-se e apoia-se veementemente uma das duas figuras. Ideias alternativas essas parecem ser uma questão de somenos.
Costa e Seguro são pessoas diferentes, não tenho dúvidas. Tenho dúvidas sim, e muitas, no que diz respeito a qualquer coisa semelhante a uma alternativa credível às políticas seguidas por PSD e CDS, quer de um, quer de outro. De resto, nem tão-pouco acredito que qualquer alternativa possa vir dos partidos do chamado arco da governação. São partidos demasiado comprometidos com o poder económico e subjugados a esse poder; por outro lado, estes são partidos herméticos e avessos a qualquer mudança que possa incomodar esse poder económico. A promiscuidade entre poder político e poder económico caracterizam estes partidos, consequentemente a…