Depois de anos extraordinariamente intrincados,
marcados por guerras, o Iraque volta a viver um período de acentuada
instabilidade. Radicais islâmicos, de origem sunita, reivindicam a
criação de um Estado islâmico na fronteira entre o Iraque e a Síria.
Entretanto, deixam um rasto de destruição, sobretudo entre as forças de
segurança iraquianas, com relatos de corpos de polícias queimados e com a
alegação por parte dos radicais de execuções em massa. Registam-se
também deslocações de milhares de civis que procuram fugir à violência.
Estes
jihadistas têm conquistado áreas significativas do território
iraquiano; as forças de segurança iraquiana - uma força marcada pela
fraca estrutura e pela corrupção - procuram recuperar terreno perdido. O
Irão, xiita, olha com apreensão para estes jihadistas (sunitas) e os
EUA rejeitam a possibilidade de envio de tropas para a região, embora
garantam fornecer toda a ajuda necessária (possível).
A última
intervenção americana no Iraque deixou um país dividido que tem
dificuldades em encontrar laivos de coesão. Estes jihadistas apenas vêm
aproveitar a tibieza quer do Governo, quer das forças de segurança, com o
objectivo explícito de criar um Estado islâmico. Acrescente-se também
que se tratam de grupos que operam na vizinha Síria e que claramente
pretendem alargar território conquistado e zonas de influência.
A
resposta do Governo iraquiano está longe de ser eficaz. O país
devastado por várias intervenções militares está longe de ter as
estruturas que permitam fazer face a este género de ofensivas.
No
cômputo geral, os jihadistas têm de ser travados. São grupos
caracterízados pelo extremismo e pela violência sobretudo contra xiitas.
Um alargamento da sua zona de influência e domínio obrigará a vastas
movimentações de civis e a um aumento drástico da instabilidade no
Iraque, mas também nos países vizinhos. Quanto aos EUA, sabemos os
custos de duas intervenções militares e precisamente por essa razão, a
actual Adminsitração americana não pode esquecer as responsabilidades
das anteriores administrações.
Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos percebem este objectivo enquanto outros esquecem-no rapidamente.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Instabilidade no Iraque
terça-feira, 10 de junho de 2014
Dia de Portugal
As
comemorações do dia de Portugal ficaram indelevelmente marcadas
pela indisposição do Presidente da República. Os discursos não
ficarão na memória, apenas o desmaio, indisposição ou reacção
vagal.
Subsequentemente,
a liberdade de imprensa foi condicionada com seguranças a ordenarem
a fotógrafos que apagassem as fotografias que retratavam o momento,
afastando os jornalistas de um local de visibilidade. O mal-estar não
era exclusivo do Presidente.
Do
outro lado, manifestantes procuravam fazer ouvir as suas vozes.
Alguns jornalistas encetaram tentativas de relacionar os protestos
com a indisposição do Presidente, referindo incessantemente que os
manifestantes mantiveram-se activos mesmo depois da indisposição do
Presidente, aparentemente indiferentes à já referida indisposição.
De seguida pede-se respeito pelos militares e por Portugal.
Manifestantes são identificados e militares com cães deslocam-se
para junto dos manifestantes. O mal-estar não era exclusivo do
Presidente.
As
imagens do Dia de Portugal são o retrato de um país doente, cujos
principais protagonistas são os principais responsáveis por uma
democracia enfraquecida e por um país sem futuro.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Governar à força
Governar
à força. Governar à revelia dos princípios democráticos.
Governar contra tudo e contra todos. Tem sido assim nos últimos três
anos. E será assim por quanto tempo? A pergunta deve ser colocada
antes de mais ao Presidente da República, silencioso,
convenientemente silencioso. Mas a pergunta também deve ser colocada
a cada um de nós, cidadãos.
Esquecemos
a ideologia nefasta que marca indelevelmente este Governo; ignoramos
a incompetência que caracteriza os membros do Executivo de Passos
Coelho; e aparentemente também menorizamos os constantes ataques do
Governo às instituições democráticas, num total desrespeito pela
separação de poderes. Será que consideramos tudo isto normal e
aceitável?
Que
país pretendemos construir? Sob os escombros da pobreza, mas também
sob uns vagos resquícios democráticos?
Até
quando aceitaremos uma governação forçada, contra as pessoas, mas
também contra a própria democracia. Esperamos, depois disto,
consolidar qualquer coisa parecida com um Estado Moderno?
São
mais as interrogações que ficam. Respostas, confesso que
escasseiam. O país atingiu o absurdo e tudo parece deixar de fazer
sentido. Nietzsche alertava para os perigos da ausência de sentido -
o perigo de todos os perigos: o de nada mais ter sentido.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
A origem de todos os males
Já
se sabe que nos últimos três anos o Governo não se cansa de
apontar a origem de todos os males em Portugal - no Tribunal
Constitucional. Depois do chumbo de mais três normas, Passos Coelho
e Paulo Portas acusam o TC de dificultar a recuperação do país,
chegando mesmo a avançar a possibilidade do TC colocar em risco
sério todos os sacrifícios dos cidadãos. O TC é insofismavelmente
a origem de todos os males, pelos menos é esta a opinião dos
membros deste Governo. Tem sido esta a estratégia do Executivo
liderado por Passos Coelho e que parece intensificar-se.
Deste
modo, e depois do já referido chumbo, o Governo pede uma "aclaração"
da decisão; quer saber o que é constitucional e o que não é(?);
pressiona e instrumentaliza o Parlamento com o objectivo de garantir
a nulidade do acórdão. Todos os instrumentos são válidos no
sentido de contrariar as decisões do Tribunal Constitucional, visto
como um inimigo político, isto quando o Governo pretendia ter no TC
um aliado político.
Ora,
tem-se gerado uma confusão pueril sobre as competências e decisões
do TC. Esquece-se o próprio conceito de democracia e a intrínseca
separação de poderes - característica central dos Estados
modernos. O Governo preferia viver à revelia do Direito
Constitucional; preferia governar num contexto de despotismo.
Se
alguma coisa há a dizer da actuação do TC prende-se precisamente
com a margem de manobra que tem sido dada a um governo tão crítico
dessa sua actuação, senão vejamos: quanto aos cortes nos salários
dos funcionários, esses cortes são suspensos, mas tudo o que foi
ilicitamente retirado aos funcionários públicos não é reposto,
com o intuito de não comprometer a execução orçamental. E as
estas excepções podemos acrescentar outras idênticas. Ou seja, a
ilegalidade no passado deixa de ser ilegal, mas só no passado.
Confuso? Sim. Surreal? Também.
Há
quem avance a possibilidade de esta ser a oportunidade ideal para uma
demissão do Governo: por um lado o chumbo do Constitucional e o
papel de vítima assumido pelo Governo; por outro, a altura poderia
ser interessante dada a confusão que reina no PS. Um cenário que
poderia ser "apetecível". Vamos ver.
E,
finalmente, Belém. Do Presidente da República nem uma palavra.
Surreal? Sem dúvida.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Preocupações sociais
Uma
imagem que certamente se enquadra na definição de abjecção: o
primeiro-ministro de visita à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,
repleto de preocupações sociais. A lógica parece ser simples:
depois de tantos sacrifícios fundamentais para a recuperação do
país, as preocupações sociais devem ser agora centrais. Esta é
uma lógica que se vai acentuar até 2015.
Pelo
caminho toda a outra lógica – a real, a onerosa – vai perdendo
força, ou pelo menos assim espera PSD e CDS. A outra lógica é a
mesma que fundamenta a utilização do termo “abjecção”: a
lógica dos baixos salários, do aprofundamento da precariedade
laboral, do enfraquecimento do Estado Social, de uma profunda
transformação da sociedade portuguesa marcada pelo aumento das
desigualdades, pelo reforço da existência de uma sociedade de
classes e pelo empobrecimento da maior parte dos cidadãos.
Por
conseguinte, as “preocupações sociais” agora demonstradas pelo
primeiro-ministro não passam de uma hipocrisia abjecta. Passos
Coelho, a coberto da troika, e coadjuvado pelo séquito do costume
empurrou para a pobreza dezenas de milhar de crianças, desinvestiu
fortemente no ensino, reduziu e eliminou prestações sociais e
adoptou medidas que se traduziram em falências e em desemprego. Esse
é o mesmo Passos Coelho que sorri para as crianças da Santa Casa da
Misericórdia, tudo perante o beneplácito de Santana Lopes; tudo bem
montado para as câmaras de televisão.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Irrelevante
Entre
a novela do PS e a selecção nacional de futebol, resta pouco espaço
na comunicação social, sobretudo na televisão, para as
inconstitucionalidades declaradas pelo Tribunal Constitucional e
pelas medidas possíveis para compensar esses chumbos, designadamente
um novo aumento de impostos e novas reduções salariais.
A
televisão ainda vai marcando a actualidade, dando especial atenção,
no que diz respeito assuntos políticos, à telenovela protagonizada
por António José Seguro e por António Costa. Não existem
divergências ideológicas, mas antes jogos de poder, caracterizados
pela preponderância de alguns egos e pelas discussões de eventuais
lugares. Tudo o resto é irrelevante. As questões ideológicas, o
debate de ideias e a pluralidade de opinião são questões
irrelevantes para quem escolhe o que marca e quem marca a
actualidade. O simplismo e a inanidade fazem o seu caminho. Na próxima
sexta-feira António Costa apresenta o seu programa da candidatura à
liderança ao PS, vamos ver se esse programa é ou não relevante para a
comunicação social, em especial para os principais canais de televisão.
O
país empobrecido ver-se-á a braços com mais austeridade, isso
enquanto a promiscuidade entre poder político e poder económico não
cessa de existir, enquanto se insiste no pensamento único e,
consequentemente, nas políticas únicas e enquanto o empobrecimento
colectivo aumenta a cada dia que passa.
Assim,
vão-nos entretendo com quem apoia quem no PS, quem ameaça
demitir-se no PS, quem consegue vencer um braço de ferro que teve
qualquer relação com uma ideia – uma ideia; uma alternativa. No
Bloco de Esquerda reina o mesmo vazio; o CDS faz-se de morto, pelo
menos durante uns tempos e PSD vai cavalgando uma derrota que passou
despercebida.
Assim,
vão-nos entretendo com encontros entre responsáveis políticos e
jogadores de futebol, “selfies” e a antevisão do que será o
desempenho da selecção nacional de futebol. Tudo o resto se torna
absolutamente irrelevante, incluindo o papel dos cidadãos numa
sociedade em inexorável transformação.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Mais... inconstitucionalidades
Apesar
das já habituais tentativas do primeiro-ministro condicionar a acção
do Tribunal Constitucional, os juízes do Palácio Ratton chumbaram
novamente medidas do Governo, desta feita três normas foram
consideradas inconstitucionais: cortes nos salários dos funcionários
públicos, taxas sobre subsídios de desemprego e de doença e cortes
nas pensões de viuvez.
Desta
feita são valores que ultrapassam os 750 milhões de euros – mais
um buraco. Suspeita-se que um novo aumento de impostos está na
calha; o IVA que pode passar para os 25 porcento.
Mais
um chumbo. O Governo não é propriamente novato nestas andanças, de
resto os seus membros já se habituaram a primeiro exercer pressão
sobre o TC, depois a assistir à ilegalidade das suas medidas, para
logo de seguida carregar os cidadãos com nova austeridade que
redunda invariavelmente em novos aumentos de impostos e em cortes no
rendimento.
O
Presidente da República, garante da Constituição, permanece em
silêncio e parece acreditar que é aceitável manter um governo que
reiteradamente desrespeita a Lei Fundamental.
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