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Derrotas

Os resultados das eleições europeias mostram claramente a derrota da Aliança Portugal que agrupou PSD e CDS e do Partido Socialista. Aparentemente falar-se de uma derrota do PS – partido vencedor das eleições europeias – soa a paradoxo. Porém, é de uma derrota que se trata, apesar da vitória. Dito por outras palavras, o PS sai derrotado, apesar dos discursos em sentido contrário, consequência de um resultado que fica muito aquém do que se esperaria do maior partido da oposição. De um modo geral, o PS não encontra eco no descontentamento dos cidadãos. O PS não é alternativa aos olhos de muitos cidadãos e, no caso em apreço, o PS incorreu no mesmo erro que o PSD e CDS: tratou a Europa como um assunto irrelevante, preferindo alinhar na mesma retórica de politiquice que simplesmente não colhe junto da maioria dos cidadãos. De igual modo, percebe-se mais uma vez que a liderança de António José Seguro revela mais do que tudo uma tibieza assinalável. PSD e CDS saem profundamente derrotados da…

Vencedores das eleições europeias

Estima-se que as taxas de abstenção nas eleições europeias atinjam novos valores ainda mais elevados que já é habitual. São muitas as razões que podem justificar uma elevada taxa de abstenção: desinteresse; afastamento das instituições europeias relativamente aos seus cidadãos; complexidade própria do funcionamento da UE; descrença generalizada na classe política; etc. Todavia, não haverá mudança sem o voto naqueles que podem contribuir para essa mudança. As divisões no seio da UE – países periféricos de um lado, afundados em dívida que se agravou com as troikas; países do centro e norte da Europa, apenas concentrados no papel de credores – inviabilizam a consolidação do projecto europeu. As actuais políticas que promovem essas divisões, com base na panaceia da austeridade, contribuem para o afastamento de uma parte significativa dos cidadãos da própria UE. Hoje o discurso anti-Europa vai colhendo frutos que se tornarão mais evidentes já no próximo domingo. Destas eleições há desde log…

Amnésia

Passos Coelho apelou ontem a que os portugueses não tenham amnésia no próximo domingo. Esta é uma das raras vezes em que me vejo forçada a perfilhar a opinião do primeiro-ministro. O apelo de Passos Coelho faz todo o sentido, ora vejamos:

Importa que os portugueses não esqueçam o chumbo do PEC IV na anterior legislatura, factor que desencadeou a solução "assistência externa", vigiada pela famigerada troika. Importa que os portugueses não esqueçam quem foram os responsáveis por esse chumbo e que os principais Estados-membros da UE tinham preferência numa solução diferente (menos gravosa) do que a já referida "assistência externa". Seguramente Passos Coelho e Paulo Portas recordam-se das suas responsabilidades.

Importa que os portugueses não esqueçam o imperativo deste Governo, designadamente o empobrecimento dos cidadãos. Será essencial que os cidadãos não ignorem as desigualdades sociais que cresceram nos últimos três anos.

Seria igualmente interessante…

Promoção de emprego

Sabemos que por altura de uma campanha eleitoral vale quase tudo para mostrar trabalho aos cidadãos. Também não é menos verdade que este Governo não tem propriamente trabalho para mostrar. De resto, destruição (de salários, pensões, Estado Social e sectores do Estado) não conta. Ainda assim, a campanha eleitoral não justifica aquilo a que o país assistiu ontem: o anúncio de algumas centenas de postos de trabalho no Mcdonald's e num call center. O ridículo quer do ministro da Economia, quer, sobretudo, do ministro do Trabalho atingiu uma proporção inaudita até para este Governo. À falta de melhor e depois de alguma desmistificação dos números do desemprego, estes ministros decidiram promover o emprego que está nos antípodas do que o país necessita. Paralelamente, trata-se de trabalho precário cuja promoção conta com a preciosa ajuda do Estado. O IEFP colabora com a já referida empresa que ainda há escassos meses despediu, de forma ilegal, mais de 50 trabalhadores, havendo mesmo casos…

O vazio das eleições europeias

Dia 25 de Maio os cidadãos europeus são chamados às urnas. Está em causa o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia. O debate em Portugal foi quase inexistente, e quanto mais os partidos se posicionam no chamado “arco de governação”, menos debate e menos substância; de resto percebe-se com total clareza que estes partidos estão interessados em tudo menos numa discussão sobre a Europa. Trata-se de um inexorável vazio. Posto isto, percebe-se que quanto menos se discutir a Europa, melhor. Com efeito, uma discussão séria sobre o rumo seguido poria a nu a vertiginosa aproximação entre os três partidos que têm governado Portugal nos últimos quarenta anos e cuja preponderância nas escolhas europeias tem sido naturalmente elevada. É preferível o vazio. Deste modo, as semelhanças entre os partidos do “arco de governação” são incontornáveis; estes partidos vão fingindo ser diferentes no essencial, quando na verdade apoiam as decisões estruturais europeias dos últimos anos. A mudança faz-se de dife…

A troika foi embora...

... mas a festa foi pouco ou nada efusiva. Outros festejos talvez tenham comprometido uma maior manifestação de regozijo por parte de PSD e CDS - manifestações essas absolutamente indissociáveis da campanha eleitoral que conspurca até as mentes mais sãs.
A troika foi embora, a culpa é do outro e o árduo trabalho tem de continuar. Esta é a retórica repetida até à exaustão. Do lado do PS, o discurso não melhora. Apesar da apresentação de medidas e sobretudo depois da apresentação de medidas, quaisquer diferenças relativamente ao PSD acabam esbatidas, perdem força.
A troika foi embora... e depois? Foi a troika (?), ficou a escravatura da dívida totalmente consolidada - uma dívida que cresceu exponencialmente nos últimos três anos. Resta um país pobre, desalentado, incapaz de vislumbrar um futuro.
Pelo sim pelo não, o Presidente por terras do Oriente apela à aprendizagem do Mandarim. Para quê? Portugal está rapidamente a tornar-se numa pequena China europeia.
Por cá, os principa…

Desvalorização salarial, desvalorização salarial, desvalorização salarial

A Europa parece apenas conhecer esta receita para fazer face à necessidade de Portugal continuar a consolidar as suas contas públicas. A troika vai-se embora, contudo é necessário que o Governo português continue na senda da desvalorização salarial. É importante que Portugal continue a sua transformação num reduto de baixos salários ao serviços de uma Europa sem rumo. Paralelamente, e apesar do discurso europeu incidir sobretudo na necessidade da desvalorização salarial, é também fundamental que exista estabilidade, no plano político. Dito por outras palavras, importa que os partidos da governação ou qualquer coisa semelhante (PS) mantenham as rédeas do país. Caso contrário... os mercados, os sacrossantos mercados podem retirar a sua preciosa confiança. Não há nada como uma bela ameaça, particularmente em vésperas de eleições. Resumindo, o país não pode ser negligente e abrandar as suas transformações. Num país em que crescem as desigualdades sociais, a preocupação das principais instit…