Para a construção de uma sociedade justa e equitativa é necessário que a política e que os políticos se centrem na consolidação de três elementos: o bem-estar social, a eficácia económica e a salvaguarda do Estado democrático. Todavia, poucos percebem este objectivo enquanto outros esquecem-no rapidamente.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Optimismo e "maçadorias"
Não é habitual assistir-se a exercícios de optimismo vindos de Pedro Passos Coelho. Porém, Passos Coelho mostra-se desde logo confiante numa reeleição, e tanto mais é assim que promete "desonerar" salários e pensões em 2016. Desde modo, o ainda primeiro-ministro acredita ou quer que acreditemos que será ele o primeiro-ministro em 2016. Recorde-se que 2015 é ano de eleições legislativas.
Pedro Passos Coelho - um homem educado que não pretende inflingir "maçadorias" nos Portugueses - é afinal um optimista.
Não se retira nada mais da entrevista de ontem do primeiro-ministro para além do optimismo já referido. O discurso é o mesmo, o tom da conversa não destoa de outras entrevistas - um tom amigavel que faz inveja a José Sócrates - e ideias nem vê-las.
O caminho é para continuar e até ao desfecho eleitoral tornar-se-á ligeiramente menos sinuoso. Depois desse período eleitoral, retomar-se-á o caminho até agora escolhido, sem entraves eleitoralistas, o que será bem mais grave do que uma simples "maçadoria".
terça-feira, 15 de abril de 2014
Prolongamento da angústia
Acusa-se o actual Governo de incompetência. Não é bem verdade.
Relativamente ao prolongamento da angústia dos portugueses, o Governo é
absolutamente exímio. Veja-se a novela em torno dos novos cortes a
apresentar: o primeiro-ministro afirma que esses cortes não voltarão a
atingir salários e pensões. Todavia, a notícia de que pensões e reformas
poderão ficar dependentes da evolução económica e da demografia são
cada vez mais recorrentes.
A comunicação entre Governo e cidadãos é a todos os níveis desastrosa, pelo menos para os cidadãos. Não é possível esconder o jogo, mentir, dissimular, desdizer, escamotear, perpetuando a angústia dos portugueses.
A ideia de que os representantes eleitos não têm a contas a prestar aos cidadãos, ou só o devem fazer nos períodos eleitorais, é profundamente errada. Em democracia a transparência e a comunicação entre quem representa e quem escolhe os seus representantes é essencial. A necessidade de relembrar que se trata de uma relação entre representantes eleitos e cidadãos e não entre monarcas absolutistas e seus súbditos é igualmente surpreendente.
A comunicação entre Governo e cidadãos é a todos os níveis desastrosa, pelo menos para os cidadãos. Não é possível esconder o jogo, mentir, dissimular, desdizer, escamotear, perpetuando a angústia dos portugueses.
A ideia de que os representantes eleitos não têm a contas a prestar aos cidadãos, ou só o devem fazer nos períodos eleitorais, é profundamente errada. Em democracia a transparência e a comunicação entre quem representa e quem escolhe os seus representantes é essencial. A necessidade de relembrar que se trata de uma relação entre representantes eleitos e cidadãos e não entre monarcas absolutistas e seus súbditos é igualmente surpreendente.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
"O problema é deles"
Foi com a frase em epígrafe que Assunção Esteves,
Presidente da Assembleia da República, resolveu a questão da presença
dos militares de Abril nas cerimónias dos 40 anos do 25 de Abril na
Assembleia da República. Em causa estava o uso da palavra pelo
Presidente da Associação 25 de Abril como condição para participar nas
cerimónias. A resposta da Presidente da Assembleia da República foi: "o
problema é deles".
Esta resposta não surpreende se pensarmos nas palavras já
entretanto proferidas pela Presidente da Assembleia da República, pessoa
que ocupa um dos mais elevados cargos da nação, presidindo à casa da
democracia.
Na qualidade de Presidente da Assembleia da República exige-se
mais contenção nas palavras, sobretudo quando o que está em causa é
precisamente o princípio da democracia portuguesa. São 40 anos que
merecem mais respeito. O problema está na ausência de cultura
democrática que perpassa parte dos dirigentes políticos do país,
sobretudo naqueles que ocupam os cargos mais relevantes.
As palavras de Assunção Esteves são, no mínimo, infelizes. Porém e
em bom rigor, mais não se espera da actual Presidente da Assembleia da
República. E o problema, também infelizmente, é nosso.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Adormecimento
A crise persiste, mais silenciosa nos meios de
comunicação social, sobretudo de alguns países europeus, mas
ensurdecedora nas vidas da maior parte dos cidadãos.
A crise permanece, apesar de políticos e outros jurarem a pés juntos que a Europa conseguiu resolver a sua crise e que o pior já passou. Os negócios, em especial os grandes negócios, continuam a seguir o seu rumo e, em bom rigor, nunca foram tão apetecíveis, sobretudo desde que contam com anuência dos cidadãos que comem (pagam) e calam e desde que contam com políticos "facilitadores de negócios" mais interessados nesses negócios do que nos interesses dos cidadãos. Assim como pouco interessa saber mais sobre o verdadeiro estado da banca europeia e, tal como no passado, voltamos a fechar os olhos aos problemas que estão à nossa frente.
Tudo está bem por enquanto, e por enquanto é tudo quanto precisamos.
Os, esses, cidadãos permanecem numa espécie de adormecimento colectivo, sofrendo em silêncio, convencidos que as alternativas se esgotaram. No próximo mês há eleições europeias. Sim, e depois? O descrédito da classe política atinge níveis assustadores. A ideia de que são todos iguais vinga de forma transversal. Permanece a ideia de que a maior parte dos políticos trabalha para o mesmo patrão e os que escapam a esse rótulo são considerados radicais, diz a comunicação social, incumbida de espalhar um medo incapacitante.
O adormecimento descreve na perfeição os tempos que vivemos. Não esqueçamos, porém, que depois do adormecimento vem amiúde o sobressalto.
A crise permanece, apesar de políticos e outros jurarem a pés juntos que a Europa conseguiu resolver a sua crise e que o pior já passou. Os negócios, em especial os grandes negócios, continuam a seguir o seu rumo e, em bom rigor, nunca foram tão apetecíveis, sobretudo desde que contam com anuência dos cidadãos que comem (pagam) e calam e desde que contam com políticos "facilitadores de negócios" mais interessados nesses negócios do que nos interesses dos cidadãos. Assim como pouco interessa saber mais sobre o verdadeiro estado da banca europeia e, tal como no passado, voltamos a fechar os olhos aos problemas que estão à nossa frente.
Tudo está bem por enquanto, e por enquanto é tudo quanto precisamos.
Os, esses, cidadãos permanecem numa espécie de adormecimento colectivo, sofrendo em silêncio, convencidos que as alternativas se esgotaram. No próximo mês há eleições europeias. Sim, e depois? O descrédito da classe política atinge níveis assustadores. A ideia de que são todos iguais vinga de forma transversal. Permanece a ideia de que a maior parte dos políticos trabalha para o mesmo patrão e os que escapam a esse rótulo são considerados radicais, diz a comunicação social, incumbida de espalhar um medo incapacitante.
O adormecimento descreve na perfeição os tempos que vivemos. Não esqueçamos, porém, que depois do adormecimento vem amiúde o sobressalto.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Sinais positivos
A comunicação social, uma boa parte dela, é pródiga em
revelar e explorar os alegados sinais positivos da economia portuguesa.
Facto que joga inteiramente a favor do Governo. Assim, ouvimos e lemos
até à exaustão que a economia portuguesa vai crescer significativamente
este ano e no próximo (um pouco mais ou um pouco menos segundo as
previsões do Governo), que as exportações estão a aumentar, o desemprego
a baixar e por aí fora.
É claro que esses indicadores positivos não são devidamente explorados, quer no que diz respeito ao crescimento económico - crescimento para quem? -, quer no que diz respeito aos números do desemprego ou das exportações. A comunicação social limita-se a veicular números, apenas os números, eventualmente acompanhados pela análise dos comentadores do costume.
O Governo precisa destes pretensos sinais positivos; os partidos que compõem o Governo necessitam de números positivos, à falta de melhor.
Com efeito, os próximos meses são decisivos para o futuro de PSD e CDS. Depois de três anos de empobrecimento e com pouca disponibilidade para mudar de rumo, os partidos do Governo necessitam de boas notícias e da criação da ideia de que tudo vale a pena porque tudo está a melhorar. Todavia, a melhoria nas vidas dos Portugueses teima em não chegar e talvez seja esse o factor decisivo que determinará os resultados das próximas eleições: eleições europeias e eleições legislativas.
É claro que esses indicadores positivos não são devidamente explorados, quer no que diz respeito ao crescimento económico - crescimento para quem? -, quer no que diz respeito aos números do desemprego ou das exportações. A comunicação social limita-se a veicular números, apenas os números, eventualmente acompanhados pela análise dos comentadores do costume.
O Governo precisa destes pretensos sinais positivos; os partidos que compõem o Governo necessitam de números positivos, à falta de melhor.
Com efeito, os próximos meses são decisivos para o futuro de PSD e CDS. Depois de três anos de empobrecimento e com pouca disponibilidade para mudar de rumo, os partidos do Governo necessitam de boas notícias e da criação da ideia de que tudo vale a pena porque tudo está a melhorar. Todavia, a melhoria nas vidas dos Portugueses teima em não chegar e talvez seja esse o factor decisivo que determinará os resultados das próximas eleições: eleições europeias e eleições legislativas.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Uma forma de fazer política
Ontem escrevi que este é o país dos paradoxos e da
inconsequência. O caso BPN é paradigmático dessa caracterização do país.
Senão vejamos: o caso BPN apenas teve consequências para os cidadãos
portugueses que foram chamados a tapar um buraco de dimensões
incomensuráveis. Os responsáveis, os verdadeiros responsáveis, continuam
a viver à margem de qualquer punição. Por outro lado, o caso BPN
brinda-nos com paradoxos, um dos mais evidentes foi o trazido por Durão
Barroso quando tentou imputar grande parte da responsabilidade ao
ex-Presidente do Banco de Portugal, Vítor Constâncio. Não deixa de ser
curioso Barroso vir agora referir os alegados avisos feitos a Vítor
Constâncio. Só agora é que Durão Barroso - o alegadamente não candidato
presidencial - acusa Vítor Constâncio.
Paradoxalmente, Durão Barroso esquece os verdadeiros responsáveis, os amigos de Cavaco Silva.
Durão Barroso adopta a estratégia mais escabrosa em política: a política insidiosa. Faz acusações, esquece as suas próprias responsabilidades e, mais grave, ignora os verdadeiros responsáveis por um rombo sem precedentes nas contas públicas. Pelo meio, finge não ser candidato às próximas presidenciais quando na verdade só não o será por não ter a mais remota hipótese de vencer quaisquer eleições em Portugal.
Paradoxalmente, Durão Barroso esquece os verdadeiros responsáveis, os amigos de Cavaco Silva.
Durão Barroso adopta a estratégia mais escabrosa em política: a política insidiosa. Faz acusações, esquece as suas próprias responsabilidades e, mais grave, ignora os verdadeiros responsáveis por um rombo sem precedentes nas contas públicas. Pelo meio, finge não ser candidato às próximas presidenciais quando na verdade só não o será por não ter a mais remota hipótese de vencer quaisquer eleições em Portugal.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Salário mínimo
O salário mínimo em Portugal é insofismavelmente baixo.
Não há quem discorde. Agora também o primeiro-ministro, responsável pelo
empobrecimento generalizado, diz-se disposto a discutir um possível
aumento da miséria auferida por tantos trabalhadores portugueses. O que
mudou? A proximidade de eleições.
Com efeito, não deixa de ser paradoxal, verificar que o mesmo primeiro-ministro que fez do empobrecimento uma política basilar do seu mandato, chame agora a atenção para os cidadãos que passam maiores dificuldades. Assim, como não deixa de ser paradoxal que o mesmo primeiro-ministro que não se cansou de afirmar que vivemos acima das nossas possibilidades venha agora sortear automóveis de luxo, estimulando também o consumo interno. Este é, de facto, o país dos paradoxos e da inconsequência.
O nível reduzido do salário mínimo contribui para uma forma de empobrecimento muito generalizada em Portugal: o empobrecimento dos que trabalham. Todavia, esta forma de empobrecimento daqueles que trabalham afecta, sobretudo nos últimos anos, também quem aufere mais do que o salário mínimo, devido ao desemprego no seio das famílias e a cortes substanciais no rendimento.
Assiste-se assim a uma mudança, tímida, muito tímida, das políticas que marcam estes três anos. O que mudou? Eleições. Nada mais.
Com efeito, não deixa de ser paradoxal, verificar que o mesmo primeiro-ministro que fez do empobrecimento uma política basilar do seu mandato, chame agora a atenção para os cidadãos que passam maiores dificuldades. Assim, como não deixa de ser paradoxal que o mesmo primeiro-ministro que não se cansou de afirmar que vivemos acima das nossas possibilidades venha agora sortear automóveis de luxo, estimulando também o consumo interno. Este é, de facto, o país dos paradoxos e da inconsequência.
O nível reduzido do salário mínimo contribui para uma forma de empobrecimento muito generalizada em Portugal: o empobrecimento dos que trabalham. Todavia, esta forma de empobrecimento daqueles que trabalham afecta, sobretudo nos últimos anos, também quem aufere mais do que o salário mínimo, devido ao desemprego no seio das famílias e a cortes substanciais no rendimento.
Assiste-se assim a uma mudança, tímida, muito tímida, das políticas que marcam estes três anos. O que mudou? Eleições. Nada mais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)