Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Sobre o empobrecimento

Sobre o empobrecimento Passos Coelho, primeiro-ministro, tem muito a dizer. Ainda ontem abordou o assunto, referindo que as prioridades do Governo devem recair sobre os Portugueses socialmente mais fragilizados. Esta deve ser a prioridade pós-troika - as políticas sociais.
As afirmações de ontem foram proferidas pela mesma pessoa que disse ter como objectivo o empobrecimento; estas afirmações são de quem fez do empobrecimento um instrumento de transformação da sociedade portuguesa.
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam uma realidade atroz: perto de dois milhões de Portugueses em risco de pobreza; uma realidade pensada por Passos Coelho e pelo seu séquito, a coberto de uma crise que abriu as portas ao impensável.
Com efeito, o que resta do Estado Social é que impede que os números relativos à pobreza não sejam ainda mais acutilantes. Sem o que resta do Estado Social metade dos Portugueses seriam pobres.
Todavia, se por um lado se afirma que o empobrecimento é o…

Esconder o jogo

Numa democracia consolidada os cidadãos não aceitam que os seus representantes eleitos escondam o jogo, sobretudo quando estão mais cortes em cima da mesa. É evidente que mesmo nas democracias mais maduras, os representantes políticos não contam toda a verdade. Sabemos que não é assim que as coisas funcionam.
É assim antes dos períodos eleitorais e é sobretudo assim volvidos esses períodos eleitorais. Ninguém é ingénuo a esse ponto. Todavia, quando se insiste em esconder o jogo em matérias tão sensíveis como futuros cortes no rendimento disponível, depois de uma longa sucessão de outros cortes cujas consequências são notórias, estamos a entrar no campo da perfídia. Como projectar o que resta de futuro quando se esconde o que esse futuro reserva? E o que dizer da ansiedade que se gera perante a mera hipótese de futuros cortes? Sabemos também que estas questões são de somenos para um governo desprovido de qualquer sensibilidade social. Tudo é permitido porque, colectivamente, …

A fazer o seu caminho

A primeira volta das eleições municipais em França ficaram marcadas pela derrota estrondosa do partido socialista de Hollande e pelos resultados positivos da Frente Nacional de Marine Le Pen que conquistou uma câmara e ganhou em sete municípios.
A extrema-direita, mais ou menos modernizada, mais ou menos contida na manifestação do seu verdadeiro ideário, vai fazendo o seu caminho em vários países europeus, designadamente em França, perante os olhares indiferentes de uma Europa fingidora: finge que está tudo bem quando manifestamente não está.
Nem as lições que a História nos deixou parece serem suficientes para que a Europa abra os olhos.
Já aqui se escreveu que o falhanço de Hollande criará uma oportunidade de ouro. Marine Le Pen aproveita. Os resultados positivos da extrema-direita em vários países europeus revelam o desnorte de uma Europa que se vira contra ela própria, num comportamento autofágico.

Caixa de pandora

A inexistência de coesão na Ucrânia - facto que se tornou incontornável nos últimos meses - domina a atenção de todos. A região da Crimeia afastou-se da Ucrânia, solicitando a anexação à Rússia, outras regiões da Ucrânia se sucedem.Abriu-se a caixa de Pandora, embora a acção de alguns países europeus, com a Alemanha à cabeça, tenha sido tudo menos inocente.
A instabilidade criada numa região já por si historicamente instável é, no mínimo, um acto de tremenda irresponsabilidade.Com efeito, da Rússia não se espera muito, desde logo por estar muito longe de ser uma democracia; dos Estados Unidos também não se espera muito, tendo em consideração o seu vasto currículo em matéria de intervenção externa, amiúde à revelia do Direito Internacional. Já no que diz respeito à União Europeia, esperar-se-ia uma posição mais sensata e não aquela de apoio à oposição ao Presidente ucraniano com os resultados que todos conhecemos.
Estados Unidos e Rússia digladiam-se: uns com o objectivo de se…

Novo manifesto

Depois de 70 personalidades assinarem um manifesto que sublinha a impossibilidade de pagamento da dívida e enfatiza a necessidade da mesma ser reestruturada, agora é a vez de mais 74 economistas estrangeiros advogarem, em manifesto, essencialmente o mesmo. Este novo manifesto, muito semelhante ao subscrito por personalidades portuguesas de vários quadrantes políticos, vem reiterar a necessidade de Portugal reestruturar a dívida no sentido de conseguir melhores taxas de juro e prazos mais alargados para que deste modo consiga remotar o caminho do crescimento e da criação de emprego. Aguardamos agora a reação do primeiro-ministro português. Aguardamos para ver se também considera estes economistas irresponsáveis na medida em que este não é o tempo para se abordar o tema da reestruração. A ver vamos se os mercados, tal como o primeiro-ministro afirma, vão castigar-nos porque alguém ousou referir a necessidade de "reestruturação". Talvez fosse conveniente ao primeiro-…

Consenso

Contrariamente à palavra "irrevogável" que perdeu o seu sentido, pelo menos para alguns dos nossos ilustres representantes políticos, a palavra "consenso" ainda mantém o seu sentido. Veja-se o consenso gerado em torno da impossibilidade do pagamento da dívida, a propósito do manifesto assinado por personalidades de diferentes quadrantes políticos. Quanto à reestruturação propriamente dita, o consenso será compreensivelmente mais difícil.
No entanto, o consenso desejado pelo Governo não se concretiza. O PS não está disposto a seguir o mesmo caminho escolhido pelo Governo, embora o caminho escolhido pelo PS não seja ainda muito claro.
A ausência de consenso acaba por ser utilizada a proveito do Governo que se mostra disponível, mas que não conta com o PS. Cria-se a ideia de "intransigência" do Partido Socialista.
No cômputo geral, as diferenças entre os dois maiores partidos não são de grande relevância. Ambos estarão disponíveis a acatar as inst…

Referendo na Crimeia e reacções

Depois dos acontecimentos na Ucrânia que resultaram na queda do Presidente, a Crimeia decide em referendo a anexação à Rússia. Ninguém pode falar em surpresa, era expectável que as regiões mais próximas da Rússia reagissem aos acontecimentos dos últimos meses.
A comunidade internacional, sobretudo os Estados Unidos e a União Europeia condenam o referendo e classificam-no como ilegal. Curiosamente, a questão da legalidade não foi levantada aquando precisamente dos acontecimentos que resultaram na queda do Presidente Ianukovich. Acontecimentos que se tivessem ocorrido noutros países sofreriam as mais severas condenações por parte da comunidade internacional.
Esta dualidade de critérios é também característica da própria União Europeia, com a Alemanha à cabeça - UE que apoiou os opositores ao Presidente Ianukovich, nunca levantando a questão da ilegalidade relativamente aos acontecimentos que resultaram na queda do Presidente, agora, com o referendo, cai o Carmo e a Trindade.